Arquivo de 25 de Março de 2009

Saiba mais sobre orgânicos

Agricultura Orgânica é o termo que se emprega para designar o sistema de produção agrícola ecológico e sustentável, baseado na preservação e respeito à terra, ao ambiente e ao homem; em condições trabalhistas, econômicas e sociais justas.

Como o termo indica, a agricultura ecológica se baseia no equilíbrio integral do funcionamento dos ecosistemas (ar, água, solo e seu habitat ou componentes: flora e fauna).
O movimento por uma agricultura saudável surgiu no início do século passado, principalmente após a 2ª Grande Guerra, em reação ao emprego dos adubos químicos, melhoramento genético, excessiva mecanização e os pesticidas. As práticas deste sistema são biológicas e ambientalmente sãs, sem emprego de qualquer produto ou metodologia que possa afetar este equilíbrio.

A agroecologia diverge do sistema convencional, porque tem uma visão “holística” da propriedade rural, isto é, considera a relação solo-planta-ambiente- homem, no seu todo. Com esta visão, em diversas partes do mundo, desenvolveram-se processos ecológicos, com os mesmos objetivos no seu fundamento, mostrando uma unidade de ação mundial nos seus princípios.
São sistemas sustentáveis, transparentes, simples, podendo ser adaptadas e aperfeiçoadas de acordo com as condições locais, sendo às vezes baseadas em experiências e fundamentos tradicionais.

Como características podemos citar:

1) Utilização da reciclagem de resíduos sólidos, usos de adubos verdes e restos de culturas, usos de rochas minerais, usos de manejo e controle biológico de insetos, mantendo a sanidade e fertilidade do solo para suprir as plantas de nutrientes e controlar os insetos-pragas, moléstias e ervas invasoras.

2) Abandono no uso de compostos sintéticos como fertilizantes, pesticidas, reguladores de crescimento e aditivos alimentares para os animais.

Os principais ramos da agroecologia, além da orgânica, são:

AGRICULTURA NATURAL: Suas práticas estão baseadas em conceitos ecológicos e trata de manter os sistemas de produção iguais aos encontrados na natureza. Resultou do trabalho do Biólogo Masanobu Fujuosa na década de 50.

AGRICULTURA SUSTENTÁVEL: É definida como agricultura ecológicamente viável, econômicamente rentável e social e humanamente justa, cujos recursos para sua implantação e desenvolvimento são obtidos no próprio local e ambiente.

AGRICULTURA BIOLÓGICA: Surgiu na França, na década de 60, a partir dos trabalhos de Francis Dhaboussou e outros. Destaca-se pelo controle biológico, do Manejo Integrado de pragas e doenças e pela Teoria da Trofobiose (efeito dos agroquímicos na resistência das plantas).

PERMACULTURA: Pode ser definida como uma agricultura integrada com o ambiente, que envolve plantas semi-permanentes e permanentes, incluindo a atividade produtiva dos animais. Ela se diferencia das demais atividades produtivas porque no planejamento leva-se em conta os aspectos paisagísticos e energéticos

AGRICULTURA BIODINÂMICA: Esta agricultura se desenvolve em relação aos princípios filosóficos do humanista científico Rudolph Steiner (década de 30). Ele julga possível praticar uma agricultura que tem como princípio integrar os recursos naturais da agricultura em conexão com as forças cósmicas e suas diversas formas de valores espirituais e éticos, para chegar a ter uma aproximação mais compreensível das relações: agricultura e estilos de vida.

AGRICULTURA ATUAL: Agricultura convencional: A agricultura convencional é descrita como o conjunto de técnicas produtivas que surgiram em meados do século 19, conhecida como a 2ª revolução agrícola, que teve como suporte o lançamento dos fertilizantes químicos por Liebig.Este sistema expandiu-se após as grandes guerras, com o emprego de sementes manipuladas geneticamente para o aumento da produtividade, associado ao emprego de agroquímicos (agrotóxicos e fertilizantes) e da maquinaria agricola.
O agricultor é dependente por tecnologias/recursos/capital do setor industrial, que devido seu fluxo unidirecional leva à degradação do ambiente e à descapitalização, criando uma situação insustentável à longo prazo.

(www.agroganica.com.br)

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Adversários históricos se unem contra arroz transgênico da Bayer

O antes improvável consenso entre ambientalistas, produtores rurais e técnicos da Embrapa contra a variedade geneticamente modificada coloca CTNBio em xeque.

Quando o perigo é grande e iminente, até mesmos velhos adversários se juntam para evitar o pior. É o que vem acontecendo no caso do arroz transgênico da Bayer, em discussão na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). O improvável consenso de opinião entre entidades ambientalistas, de agricultura familiar e defesa do consumidor com grandes produtores rurais e técnicos da Embrapa - históricos antagonistas quando o assunto são organismos geneticamente modificados - fez os membros da Comissão agirem com mais prudência na discussão sobre o arroz da Bayer.

Em menos de 15 minutos de discussão durante a reunião plenária da CTNBio, realizada dia 19, dia seguinte à audiência pública em Brasília, os membros da CTNBio decidiram adiar a votação do pedido de liberação do arroz transgênico até que mais pareceres técnicos sejam apresentados. Esse cuidado contrasta com a atuação da CTNBio nos últimos anos, em que aceitou todos os pedidos de liberação de transgênicos feitos pela indústria, carimbando aprovações sem levar em conta as muitas evidências negativas levantadas contra os transgênicos. Segundo o presidente da Comissão, Walter Colli, o arroz transgênico da Bayer só entrará novamente na pauta de votação no segundo semestre do ano.

O ponto de união entre entidades tão diversas como Greenpeace, Embrapa e Federarroz (que representa arrozeiros do Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do Brasil) é o perigo de contaminação das lavouras convencionais e/ou orgânicas de arroz pela variedade transgênica. Além disso, há o risco de surgimento de ervas daninhas mais resistentes. Isso tudo coloca em xeque tanto a produção agrícola como a agrobiodiversidade da região.

“O debate feito na audiência pública deixou evidente que a tecnologia aplicada pela Bayer no arroz tem mais potencial de gerar novos e irreversíveis problemas do que resolver os atuais problemas enfrentados pelos produtores”, afirma Gabriel Fernandes, da AS-PTA.

Em pouco mais de uma semana, o Greenpeace reuniu mais de 15 mil assinaturas de pessoas contrárias à liberação do arroz transgênico da Bayer no país. Participe também, assine aqui a nossa petição.

Mesmo tendo a CTNBio se manifestado contra a análise de aspectos de mercado, seus membros devem levar em consideração em seus votos o fato de que a liberação do arroz transgênico pode trazer incontáveis prejuízos aos agricultores brasileiros, que estão de olho no comércio exterior. E quando um técnico da Embrapa admite publicamente, como fez Flávio Braseghello na audiência pública de quarta-feira, que o arroz geneticamente modificado representa uma ameaça à segurança alimentar do país e que, “uma vez liberado no meio ambiente, não há controle, não há possibilidade de se fazer recall”, certamente cada membro da CTNBio deve estar pensando neste momento: “a quem interessa a liberação desse arroz?”

O caso de contaminação ocorrida nos Estados Unidos em 2006 é emblemático do que pode acontecer no Brasil. Se lá os arrozeiros perderam muito dinheiro e tempo por conta de problemas ocorridos em campos experimentais de arroz da Bayer - teoricamente áreas com monitoramento rigoroso -, os produtores brasileiros têm razões de sobra para estarem preocupados já que uma vez liberado para plantio comercial, o arroz transgênico pode causar um estrago ainda maior.

“Não há como separar a biossegurança da realidade no campo. A CTNBio deve levar em consideração casos passados de contaminação, e não fechar os olhos para os efeitos da eventual liberação comercial do arroz transgênico”, afirma Rafael Cruz, coordenador da campanha de Transgênicos do Greenpeace.

(Greenpeace)

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Ministério Público investiga Garoto sobre uso de matéria-prima transgênica

O Ministério Público do Estado de São Paulo abriu inquérito para investigar o uso de matéria-prima transgênica na fabricação de produtos da empresa de chocolate Garoto S. A. O inquérito é resultado da representação apresentada ao MP pelo Greenpeace em março de 2008, após uma série de atividades durante a semana do consumidor. Numa delas, ovos de Páscoa da Garoto foram devolvidos à sede da empresa, em Vitória, dentro de um tonel rotulado com o T de transgênico.

A Garoto tem sistematicamente se negado a mostrar se utiliza ou não transgênicos e seus produtos. No entender da Promotora de Justiça Luciana Belo da Silva, “os dados colhidos nos autos até este momento dão fundamento à representação, bem como à necessidade de providências por parte desta Promotoria de Justiça”.

Segundo Rafael Cruz, coordenador da campanha de Transgênicos do Greenpeace, a instauração de inquérito Civil “foi um grande passo para a transparência da Garoto, e um recado para outras empresas que continuam escondendo dos consumidores sua política de utilização de transgênicos”.

A Garoto está na lista vermelha do Guia do Consumidor do Greenpeace por não responder às solicitações da organização para que apresentem documentos que provem a não utilização de soja e milho transgênicos em sua linha.

Desde 2004 o Brasil tem uma lei que exige a rotulagem de todo produto alimentício fabricado com 1% ou mais de matéria-prima transgênica. Procurada desde o início da publicação do Guia do Consumidor (em 2002), a Garoto só se manifestou uma vez, em março de 2008, seis anos depois, mas em sua carta não informou se utilizava ou não ingredientes transgênicos para fabricar seus chocolates.

Depois da soja e o milho, agora vem o arroz

Variedades de soja e milho são os únicos alimentos transgênicos aprovados no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e estão presentes em diversos tipos de alimentos industrializados comercializados no país. Apesar disso, apenas algumas marcas de óleos de soja de duas empresas (Bunge e Cargill) foram rotuladas, e mesmo assim por ordens da Justiça. No entanto, outros produtos que também usam soja transgênica, como maionese e margarina, continuam sem o devido rótulo.

Na maior parte das vezes esses alimentos são processados e transformados em óleo, lecitina, proteína e amido, entre outros derivados. Pela dificuldade de se detectar substâncias transgênicas neles, o Greenpeace vem pedindo documentos às empresas que comprovem a origem não-transgênica das matérias-primas usadas em seus produtos.

A história, contudo, pode mudar no caso do arroz, que tem uma variedade transgênica em pauta na CTNBio, e audiência pública prévia à esta votação marcada para o dia 18 de março.

Caso seja aprovado, o arroz transgênico terá que ser rotulado, conforme exige a lei. Os consumidores, então, não dependerão mais das informações fornecidas pelas empresas. Isso porque o arroz é, em sua maior parte, consumido sem nenhum processamento. Ele vai diretamente para o prato do consumidor. Os testes para detecção de transgenia serão mais acessíveis e o controle e transparência na utilização de variedades transgênicas estarão ao alcance de entidades que têm como objetivo garantir direitos dos consumidores.

(Greenpeace)

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