Arquivo de 29 de Março de 2009

Orgânicos: bons para a saúde, o meio ambiente e a economia

Aumento em 10% na produtividade e certificação de todos os produtores goianos até 2011. Esses são dois dos objetivos do Projeto Goiás Orgânico, iniciativa apoiada pelo Sebrae/GO e que foi lançada oficialmente no ´´ultimo dia 18. O projeto, que já é desenvolvido há cerca de oito meses, conta com o apoio de 15 instituições, que na ocasião assinaram a pactuação de resultados.

Além de marcar o início oficial do projeto, o evento contou com a palestra Orgânicos, oportunidades e desafios, proferida pelo ex-produtor e atual consultor no tema Moacir Kretzmann, do Sebrae Paraná. Outra atração foi a Feira de Orgânicos, que contou com a presença de diversos produtores e, pela variedade de produtos, já demonstrou a força deste mercado. Verduras, legumes, frutas, brotos, germinados, doces, pães, bolos e até um ‘kibe verde’ estavam entre as atrações do cardápio.

Logo na entrada, os participantes foram recebidos com um suco cheio de sabor e saúde. Na receita, ‘aloe vera’, água de coco, limão ou cagaita, e a simpatia da produtora Shirlei Gonçalves, que cuida de um pomar orgânico em um sítio no município de Caturaí (GO). “Ainda não dá para sobreviver da venda dos produtos, mas estamos no caminho. Começamos em 1999 e hoje já estamos aumentando o aproveitamento das frutas. Fazemos vinagre, geléia e doces”, conta ela.

Para o gestor do projeto, Miguel Ivan Lacerda, o principal objetivo é incentivar a produção e o consumo. “Acredito que, com esta pactuação de resultados entre os parceiros, o projeto ganha força institucional. Incentivar e viabilizar a produção de orgânicos significa contribuir para a saúde da população e a preservação do meio-ambiente”, disse ele.

O superintendente federal da Agricultura em Goiás, Helvécio Magalhães, agradeceu aos produtores pelo crescimento deste mercado. “Desde 1997, quando começou este processo de incentivo à produção e consumo dos produtos orgânicos, este mercado só tem crescido. E quero reconhecer aqui o valor destes produtores, que são efetivamente os que garantem a sustentabilidade deste negócio e o crescimento do consumo de alimentos orgânicos em nosso País”, afirmou.

FEIRA COM SABOR E SAÚDE

Mais de 100 produtores participaram do lançamento, assim como os parceiros que assinaram o pacto: Coopersil, Adao, Vale Vivo, Prefeitura de Goiânia, Governo do Estado de Goiás, Governo Federal, Universidade Federal de Goiás (UFG), Ceasa-GO e Embrapa.

Entre os produtores, um dos pioneiros é o suíço Pietro Quadri e sua mulher, Sinândia. Ele trabalha com agricultura orgânica desde 1994 e hoje produz cerca de 50 itens, em sua fazenda no município de Brazabrantes (GO). “Para conquistar o mercado, tem que ter variedade. De quando começamos para agora, percebo um crescimento muito grande do interesse pelos orgânicos”, diz ele, que comercializa sua produção em seis feiras semanais de Goiânia.

Além das feiras, os produtos orgânicos já estão ganhando as prateleiras dos supermercados. Um exemplo disso é a rede Pão de Açúcar, que comercializa uma boa parte do que é produzido pela Cooperativa Agrícola dos Produtores Rurais de Silvânia (Coopersil), que conta atualmente com 24 produtores certificados pelo Instituto Biodinâmico (IBD). Nos supermercados da rede, os produtos de Silvânia são encontrados com a marca Folia Vita Orgânicos.

De acordo com a agrônoma Leni Tomásia de Sousa, que é produtora e também presta assistência à cooperativa, são produzidas na região cerca de 10 toneladas de produtos por mês, com uma área certificada de 200 hectares. “Hoje temos 24 produtores certificados e 20 em processo de conversão. Não é fácil trabalhar com os orgânicos, é um grande desafio, mas vale muito a pena”, diz, ressaltando que a maioria dos produtores são agricultores familiares, vivendo pequenas propriedades rurais.

GOIÁS ORGÂNICO

No Estado, existem 87 produtores de alimentos orgânicos cadastrados. Eles estão reunidos em três associações diferentes: Cooperativa de Produtos Orgânicos de Silvânia (Coopersil), Associação de Produtores Orgânicos (Adao) e a Vale Vivo (do Vale do Ribeirão João Leite, no entorno de Goiânia). Silvânia é o principal pólo de produção orgânica de Goiás, seguido por Goiânia.

Os números comprovam que, além de um estilo de vida e filosofia, a cultura de produtos orgânicos se tornou, definitivamente, uma prática econômica. “O consumidor do futuro está preocupado com os impactos de todos os seus consumos. E os orgânicos são uma prática que se encaixa nesta demanda”, observa Miguel, lembrando que esta atividade é “do bem”. Ela assim é vista por quem a conhece, compartilha e principalmente, a pratica. “Seu fim principal é a sustentabilidade da vida, em todas as suas formas”, lembra.

O Sebrae/GO já estava trabalhando em prol desta cadeia produtiva mesmo antes do projeto. Em março deste ano, foi elaborado um diagnóstico detalhado de cada propriedade cultivadora de orgânicos no Estado, pesquisadas em Goiânia e Silvânia. Nele consta um histórico dos produtores, número de empregados, de animais criados, de árvores plantadas, onde são comercializados os produtos, as técnicas de cultivo e as formas de gestão do pequeno negócio. Este material servirá de fonte para as ações do Projeto, que poderão ser pensadas e planejadas conforme o perfil e necessidades reais destes produtores.

O estudo também demonstrou que cerca de 80% dos produtores de alimentos orgânicos em Goiás são agricultores familiares de baixa renda e produtores de leite. Eles enfrentam dificuldade em encontrar mão-de-obra e recursos para investimentos em técnicas mais modernas de produção. Falta, também, uma rede de comercialização local dos produtos orgânicos, o que garantiria um bom escoamento da produção e o pagamento de preços justos aos produtores.

CERTIFICAÇÃO

O próximo passo é a certificação de todo o grupo. O Sebrae vai subsidiar, por meio do Goiás Orgânico, a certificação de todas as propriedades junto ao Instituto Biodinâmico (IBD) como, de fato, produtoras de orgânicos. Mais do que um produto que não contém agrotóxicos, são considerados orgânicos, de fato, elementos que também sigam outros critérios importantes: procedimentos de cultivo, outorga da água utilizada, sustentabilidade dos recursos, responsabilidade social. “É orgânico aquela produção que trata de todas as vidas envolvidas no processo, desde o passarinho até o produtor”, define o gestor.

PARA SABER MAIS
Projeto Goiás Orgânico
Unidade de Agronegócios do Sebrae em Goiás
Telefone: (62) 3250-2454

(Agência Sebrae de Notícias em Goiás)
Anna Canêdo - Jornalista
http://www.e-campo.com.br

Comentários

Produtos orgânicos

Gert Roland Fischer(*)

“Recomendo alimentos saudáveis. Você merece o melhor. Saúde no atacado e no varejo. Os produtos orgânicos são mais rentáveis para os agricultores, mais baratos para os consumidores. A cadeia produtiva orgânica elimina o atravessador. Os consumidores conquistam qualidade de vida. O consumo de medicamentos cai drasticamente.”

A produção de alimentos sem uso de tóxicos agrícolas e pecuários passou a ser alternativa sustentável e de melhoria econômica dos minifúndios e propicia o aumento da qualidade de vida dos consumidores. Mesmo com grande parte dos projetos ainda em fase de maturação, os agricultores de Santa Catarina que optaram pela produção orgânica estão obtendo rentabilidade maior em suas propriedades do que os que seguem usando venenos.

É o que demonstra estudo realizado pelo Instituto Cepa de Santa Catarina. A pesquisa foi realizada na região de Florianópolis em 40 propriedades que adotaram a produção sem produtos químicos e em outras 40 que mantiveram a tecnologia tradicional. O valor agregado - valor bruto menos os gastos intermediários para realizar a produção - obtido pelos agricultores orgânicos de hortifrutigranjeiros é, em média, 25,2% superior ao obtido pelos outros agricultores, em decorrência dos preços melhor remuneradores e dos custos menores da produção orgânica. Como a maioria das propriedades pesquisadas tem menos de 20 hectares, a produção orgânica é uma alternativa para melhorar a situação das pessoas que estão nos minifúndios, diz o secretário executivo do Instituto Cepa, Ademar Paulo Simon. O estudo constatou que impressionantes 45% dos produtores que estão na agricultura tradicional pensam em aderir à orgânica.

Menos mão-de-obra

A pesquisa confirma que a produção orgânica exige menos mão-de-obra na produção de hortifrutigranjeiros:

Tipo De Produção Equivalentehomens/ano/estabelecimento Equivalente-homem

AGRICULTOR ORGANICO 2,91 5,55 hectares

AGRICULTOR DOS VENENOS 3,90 4,16 hectares

A ocupação de menor quantidade de mão-de-obra na produção orgânica decorre da redução do tempo gasto na busca de receituário agronômico para a aquisição de venenos, preparação de caldas de alto risco, compra de vestimentas sofisticadas para proteção do operador nas inúmeras aplicações de venenos, compra, manutenção e limpeza de equipamentos utilizados na aplicação dos agrotóxicos, construção de depósitos especiais para a guarda dos agrotóxicos, procedimentos da tríplice lavagem das embalagens, transporte das embalagens lavadas para as centrais de recebimento, constantes idas aos centros de saúde para coleta de sangue para controle dos índices de colinesterase, coleta de águas de consumo para análise laboratorial para controle dos índices de contaminação do lençol freático, participação de cursos quando novos agrotóxicos são lançados, lavação constante e em separado das outras roupas da família, de vestimentas utilizadas nas jornadas químicas venenosas, compra de medicamentos em casos de intoxicações, dias parados para cura de intoxicações agudas, compra de medicamentos para dores de cabeça, sudorese, perda de memória, entre outras despesas indiretas.

Na produção química, a utilização de agrotóxicos é intensa (muitas vezes exagerada), onde o controle da qualidade nem sempre é a pratica mais utilizada. Além da qualidade de vida, o agricultor orgânico é um grande promotor da mão de obra limpa, para realizar tarefas de produção da matéria orgânica, capinas, colheitas manuais, coleta manual de insetos predadores. Maiores volumes de substratos preparados são agregados ao solo, que desta forma passa a ter uma melhora químico-física e biológica contínua. Os alimentos mais tóxicos: tomate, pimentão, maçã, morango, batata e papaia são alguns dos campeões de tempo submetidos à chuva envenenada promovida pela aplicação de agrotóxicos. Durante o crescimento vegetal, as pulverizações ocorrem a curtos espaços de tempo, dependendo das precipitações pluviométricas que lavam as aplicações anteriores.

As jornadas fitossanitárias causam a intoxicação do meio ambiente (águas - solos - biota); dos agricultores e dos alimentos. Exames laboratoriais do Instituto Biológico em São Paulo, demonstram seguidamente que elevados índices de produtos químicos tóxicos, contaminam perigosamente os alimentos oferecidos dentro de atraentes embalagens com os mais sugestivos rótulos, ao consumidor brasileiro, denunciando índices acima dos permitidos pela Organização Mundial da Saúde.

Produtores orgânicos em SC

Há grande número de produtores interessados em migrar para a produção orgânica. Hoje o número de produtores orgânicos em Santa Catarina já deve ter superado os 706 detectados em outras pesquisas realizadas em anos anteriores pelo Instituto Cepa.

O papel do consumidor

O consumidor conscientizado deverá, exigir produtos limpos, de preferência regulamentados pelas normas de produção orgânica. Dê preferência aos alimentos que expõem selos de qualidade reconhecidos oficialmente. Cuidado com determinados rótulos que sugerem produtos sem agrotóxicos, mas na realidade são tão venenosos quanto o orgânicos. Estes utilizam a isca de comercialização para aumentarem os preços e os lucros.

As cozinhas industriais orgânicas

Um importante elo de sustentabilidade econômica surge com um interessante projeto que vem sendo desenvolvido em Joinville-SC pela empresa GRF-Alimentos Limpos - que teve como suporte o Livro Menos Veneno no Prato editado em 1992. O livro mostra as diferentes técnicas da produção sustentada orgânica.

Normas ISO 9.001: 2000 e ISO 14.001

As organizações que estão se adaptando às recomendações das normas da qualidade e da gestão ambiental devem prestar atenção aos alimentos que estão sendo serviços em seus restaurantes. Nas recomendações dessas normas, objetiva-se encorajar os empregadores a fornecer alimentos de qualidade e saudáveis para o corpo funcional, que repercute diretamente na melhora da produção industrial. Como morremos pelo que comemos, nota-se nos clientes de restaurantes industriais orgânicos o aumento da produtividade, felicidade, auto-estima, pró-atividade e qualidade de vida. Além do mais, trata-se de um projeto de Responsabilidade social de baixíssimo custo e investimento.

Gert Roland Fischer é Engenheiro Agrônomo estudioso das mudanças do clima. Consultor, Auditor Ambiental, ativista ambiental desde 1977, é membro de entidades ambientalistas do terceiro setor, voluntário e professor de educação ambiental, Membro do Conselho Editorial da Revista EcoTerra Brasil - gfischer.joi@terra.com.br

(Jardim de flores)
http://www.e-campo.com.br

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