Arquivo de 30 de Março de 2009

Pesquisa estuda fruto que tem 60 vezes mais vitamina C que o limão

O teor de ácido ascórbico, vitamina “C”, encontrado no camu-camu, fruto mais conhecido regionalmente como caçarí ou araçá d’água, é 20 vezes superior ao da acerola e 60 vezes ao do limão. Essa característica vem despertando interesse comercial de indústrias para exploração do seu potencial, propriedades e aplicações. O camu-camu está no topo da lista das matérias-primas das indústrias de medicamentos, cosméticos, alimentos e bebidas. Tudo em função de seu alto valor nutritivo.

Por conter um alto teor de ácido ascórbico e ácido cítrico, o camu-camu é um poderoso anti-oxidante e coadjuvante na eliminação de radicais livres proporcionando retardamento no envelhecimento, além de fortalecer o sistema imunológico, sistema nervoso e estimular o sistema cardíaco.

Uma outra vantagem do fruto é que mesmo após o cozimento ele não perde a vitamina “C”, como acontece com outras espécies. As propriedades e benefícios do camu-camu têm despertado o interesse de outros países na importação da polpa e da fruta.

Isso despertou a curiosidade do pesquisador Oscar Smiderle, da Embrapa Roraima, que está realizando pesquisas para trabalhar a propagação por sementes e vegetativa da espécie Myrciaria dubia, o camu-camu. Smiderle está concluindo uma pesquisa relacionada ao tempo de armazenamento das sementes do fruto do camu-camu, obtidas em condições climáticas do Estado de Roraima.

Os frutos foram coletados manualmente das plantas, que geralmente são encontradas às margens de rios e igarapés, no município de Boa Vista. Os experimentos foram realizados no laboratório de sementes da Embrapa e em casa de vegetação.

“Foram realizadas duas coletas independentes. Depois das coletas, o primeiro procedimento foi a retirada e lavagem das sementes e, em seguida, o armazenamento das sementes a 20ºC por 90 dias. Daí fizemos uma seleção de acordo com o tamanho dessas sementes, para então semear em três épocas distintas e fazer observação quantitativa e qualitativa da muda”, disse o pesquisador.

A árvore do camu-camu, que chega a alcançar até 8 metros de altura, pode ser encontrada em quase toda Amazônia, nas regiões ribeirinhas inundáveis. A propagação se dá pelas sementes, que não toleram perda de umidade, o que pode alterar a germinação da planta. Normalmente recomenda-se que logo após a colheita, as sementes despolpadas sejam lavadas e semeadas imediatamente, para que não percam a umidade.

“Durante a pesquisa as sementes foram armazenadas e conservadas de modo a manter essa umidade. Esse tipo de conservação pode permitir a produção de mudas por um período maior, pois as sementes do camu-camu tem uma viabilidade muito curta, não aceitando a secagem para conservação” explica Smiderle.

Os estudos e observações do pesquisador tem como uma das finalidades a possibilidade de enxertia sobre plantas da mesma família botânica e da produção em escala desse fruto fora das áreas de rios, especificamente em áreas de terra firme, com o cultivo em áreas maiores para comercialização dos frutos.

MAIS INFORMAÇÕES
Embrapa Roraima
Liliane Cronemberger

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Produtos Orgânicos

Gert Roland Fischer(*)

“Recomendo alimentos saudáveis. Você merece o melhor. Saúde no atacado e no varejo. Os produtos orgânicos são mais rentáveis para os agricultores, mais baratos para os consumidores. A cadeia produtiva orgânica elimina o atravessador. Os consumidores conquistam qualidade de vida. O consumo de medicamentos cai drasticamente.”

A produção de alimentos sem uso de tóxicos agrícolas e pecuários passou a ser alternativa sustentável e de melhoria econômica dos minifúndios e propicia o aumento da qualidade de vida dos consumidores. Mesmo com grande parte dos projetos ainda em fase de maturação, os agricultores de Santa Catarina que optaram pela produção orgânica estão obtendo rentabilidade maior em suas propriedades do que os que seguem usando venenos.

É o que demonstra estudo realizado pelo Instituto Cepa de Santa Catarina. A pesquisa foi realizada na região de Florianópolis em 40 propriedades que adotaram a produção sem produtos químicos e em outras 40 que mantiveram a tecnologia tradicional. O valor agregado - valor bruto menos os gastos intermediários para realizar a produção - obtido pelos agricultores orgânicos de hortifrutigranjeiros é, em média, 25,2% superior ao obtido pelos outros agricultores, em decorrência dos preços melhor remuneradores e dos custos menores da produção orgânica. Como a maioria das propriedades pesquisadas tem menos de 20 hectares, a produção orgânica é uma alternativa para melhorar a situação das pessoas que estão nos minifúndios, diz o secretário executivo do Instituto Cepa, Ademar Paulo Simon. O estudo constatou que impressionantes 45% dos produtores que estão na agricultura tradicional pensam em aderir à orgânica.

Menos mão-de-obra

A pesquisa confirma que a produção orgânica exige menos mão-de-obra na produção de hortifrutigranjeiros:

Tipo De Produção Equivalentehomens/ano/estabelecimento Equivalente-homem

AGRICULTOR ORGANICO 2,91 5,55 hectares

AGRICULTOR DOS VENENOS 3,90 4,16 hectares

A ocupação de menor quantidade de mão-de-obra na produção orgânica decorre da redução do tempo gasto na busca de receituário agronômico para a aquisição de venenos, preparação de caldas de alto risco, compra de vestimentas sofisticadas para proteção do operador nas inúmeras aplicações de venenos, compra, manutenção e limpeza de equipamentos utilizados na aplicação dos agrotóxicos, construção de depósitos especiais para a guarda dos agrotóxicos, procedimentos da tríplice lavagem das embalagens, transporte das embalagens lavadas para as centrais de recebimento, constantes idas aos centros de saúde para coleta de sangue para controle dos índices de colinesterase, coleta de águas de consumo para análise laboratorial para controle dos índices de contaminação do lençol freático, participação de cursos quando novos agrotóxicos são lançados, lavação constante e em separado das outras roupas da família, de vestimentas utilizadas nas jornadas químicas venenosas, compra de medicamentos em casos de intoxicações, dias parados para cura de intoxicações agudas, compra de medicamentos para dores de cabeça, sudorese, perda de memória, entre outras despesas indiretas.

Na produção química, a utilização de agrotóxicos é intensa (muitas vezes exagerada), onde o controle da qualidade nem sempre é a pratica mais utilizada. Além da qualidade de vida, o agricultor orgânico é um grande promotor da mão de obra limpa, para realizar tarefas de produção da matéria orgânica, capinas, colheitas manuais, coleta manual de insetos predadores. Maiores volumes de substratos preparados são agregados ao solo, que desta forma passa a ter uma melhora químico-física e biológica contínua. Os alimentos mais tóxicos: tomate, pimentão, maçã, morango, batata e papaia são alguns dos campeões de tempo submetidos à chuva envenenada promovida pela aplicação de agrotóxicos. Durante o crescimento vegetal, as pulverizações ocorrem a curtos espaços de tempo, dependendo das precipitações pluviométricas que lavam as aplicações anteriores.

As jornadas fitossanitárias causam a intoxicação do meio ambiente (águas - solos - biota); dos agricultores e dos alimentos. Exames laboratoriais do Instituto Biológico em São Paulo, demonstram seguidamente que elevados índices de produtos químicos tóxicos, contaminam perigosamente os alimentos oferecidos dentro de atraentes embalagens com os mais sugestivos rótulos, ao consumidor brasileiro, denunciando índices acima dos permitidos pela Organização Mundial da Saúde.

Produtores orgânicos em SC

Há grande número de produtores interessados em migrar para a produção orgânica. Hoje o número de produtores orgânicos em Santa Catarina já deve ter superado os 706 detectados em outras pesquisas realizadas em anos anteriores pelo Instituto Cepa.

O papel do consumidor

O consumidor conscientizado deverá, exigir produtos limpos, de preferência regulamentados pelas normas de produção orgânica. Dê preferência aos alimentos que expõem selos de qualidade reconhecidos oficialmente. Cuidado com determinados rótulos que sugerem produtos sem agrotóxicos, mas na realidade são tão venenosos quanto o orgânicos. Estes utilizam a isca de comercialização para aumentarem os preços e os lucros.

As cozinhas industriais orgânicas

Um importante elo de sustentabilidade econômica surge com um interessante projeto que vem sendo desenvolvido em Joinville-SC pela empresa GRF-Alimentos Limpos - que teve como suporte o Livro Menos Veneno no Prato editado em 1992. O livro mostra as diferentes técnicas da produção sustentada orgânica.

Normas ISO 9.001: 2000 e ISO 14.001

As organizações que estão se adaptando às recomendações das normas da qualidade e da gestão ambiental devem prestar atenção aos alimentos que estão sendo serviços em seus restaurantes. Nas recomendações dessas normas, objetiva-se encorajar os empregadores a fornecer alimentos de qualidade e saudáveis para o corpo funcional, que repercute diretamente na melhora da produção industrial. Como morremos pelo que comemos, nota-se nos clientes de restaurantes industriais orgânicos o aumento da produtividade, felicidade, auto-estima, pró-atividade e qualidade de vida. Além do mais, trata-se de um projeto de Responsabilidade social de baixíssimo custo e investimento.

Gert Roland Fischer é Engenheiro Agrônomo estudioso das mudanças do clima. Consultor, Auditor Ambiental, ativista ambiental desde 1977, é membro de entidades ambientalistas do terceiro setor, voluntário e professor de educação ambiental, Membro do Conselho Editorial da Revista EcoTerra Brasil - gfischer.joi@terra.com.br

(Jardim de flores)

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Café orgânico é opção de cultivo para agricultores de Jundiaí do Sul

Dona Irene Cardoso de Oliveira é um dos pequenos agricultores beneficiados pelo projeto “Capacitação na Produção de Café Orgânico”, que faz parte do programa Universidade sem Fronteiras. Nascida no meio rural, ela trabalhou durante muito tempo com a produção de café tradicional. Depois de participar do curso de Cultivo do Café Orgânico em Jundiaí do Sul (PR), onde o projeto é realizado, ela aderiu definitivamente à modalidade.

Com cerca de 38 mil habitantes, o município de Jundiaí do Sul registra Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 0,721, abaixo da média estadual. Para o coordenador do projeto, professor Valdir Lopes, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), a iniciativa é interessante por oferecer uma condição de melhoria desse índice, principalmente nos assentamentos Itambé e Pau d’Alho, onde vivem 135 famílias.

No período inicial, o principal objetivo era oferecer cursos de capacitação em produção do café orgânico aos assentados. Agora, o projeto está na segunda fase, que visa colocar em prática o aprendizado. O assentado vai plantar, conduzir e manejar o café, e será orientado por três profissionais recém-formados e dois estagiários.

O agrônomo Gleison de Souza Alves, recém-formado pela UENP, considera este acompanhamento fundamental para que o produtor se sinta seguro. Ele ressalta a importância do projeto em sua carreira profissional. “Além de quebrar aquele medo do primeiro emprego, o projeto proporcionou um encontro, que não tive enquanto estava na faculdade: o encontro com a realidade do produtor e dos seus familiares. Isto foi uma experiência indescritível”, afirmou.

Gleison ainda afirma que a cafeicultura orgânica é algo que vem ganhando espaço, pois esse é um mercado que se fortalece em todo o mundo, principalmente em países desenvolvidos. “Isto não deixa de ser uma forma de transferir riquezas destes países para os menos desenvolvidos. O café orgânico consegue um prêmio a mais na sua comercialização, estimula um produto nobre não só por suas qualidades, mas também por sua preocupação com o meio ambiente, com o trabalhador rural e com a remuneração justa ao produtor”, disse.

Como alternativa para tentar equilibrar os exageros da agricultura química, a agricultura orgânica está sendo bastante difundida. Em vários casos, o cultivo orgânico traz soluções viáveis à não degradação ambiental, pois além de produzir alimentos saudáveis, reduz-se significativamente a degradação do solo.

O projeto Capacitação na produção de café orgânico é um dos 450 projetos do programa Universidade sem Fronteiras, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior do Paraná (Seti). É desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Jundiaí do Sul, o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/PR) e a UENP.

“Devemos lembrar que a iniciativa do Programa Universidade sem Fronteiras é importantíssima para o desenvolvimento da Pesquisa e Extensão no Paraná e em todo Brasil. A aplicabilidade do projeto nos assentamentos foi tão bem sucedida na primeira fase que não poderia deixar de inscrevê-lo novamente”, ressaltou o coordenador do projeto, Valdir Lopes.

EXTENSÃO

O programa Universidade sem Fronteiras é a maior ação de extensão universitária em curso no país. Realizado desde outubro de 2007, é composto por equipes de educadores, profissionais recém-formados e estudantes das universidades e faculdades públicas do Paraná. São 450 projetos aprovados em seleção pública, em mais de 250 municípios com baixos Índices de Desenvolvimento Humano.

A previsão é que até novembro de 2010 sejam investidos R$ 40 milhões do Fundo Paraná para desenvolvimento de novos projetos e manutenção de projetos já existentes.

Acesse o site do programa Universidade sem Fronteiras para mais informações.

(Agência Estadual de Notícias)

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