Alternativas ao agrotóxico
É hora de apoiar as pesquisas em favor de defensivos agrícolas naturais como forma de defender a saúde da população e o meio ambiente
Acaba de ser publicada uma pesquisa do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com 17 alimentos oriundos de plantações submetidas ao uso de agrotóxicos. O resultado não deixa dúvidas sobre os perigos que estão incidindo sobre a saúde da população brasileira, por conta disso.
A constatação resultante das amostras (alface, batata, morango, tomate, maçã, banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva) submetidas a exame é a existência de resíduos de agrotóxicos acima do permitido pela Anvisa, e o seu uso não autorizado para determinadas culturas. Segundo os dados, o líder de contaminação é o pimentão, vindo em seguida uva e cenoura. É certo que se registrou uma diminuição da contaminação, quando comparada com os dados de 2007, mas continua preocupante, em virtude dos danos provocados à saúde pública. O próprio Ministério da Saúde reconhece que os agrotóxicos são a segunda causa de intoxicação apresentada pela população brasileira, depois dos medicamentos.
Evidentemente, esses alimentos poderão ser consumidos, se forem higienizados através do uso de uma solução composta por detergente e bicarbonato de sódio, depois de muito bem lavados. Mas, essa providência é tomada por pouquíssimas pessoas: seja por falta de informação, seja por não se querer perder tempo (no caso de restaurantes e hotéis inescrupulosos).
O que se necessita fazer, na verdade, é tomar uma medida radical de substituição dos agrotóxicos por defensivos agrícolas naturais, tanto por causa da saúde imediata da população, como devido aos danos que os produtos químicos causam ao meio ambiente. Isso exige a busca de alternativas consideradas saudáveis e eficazes no controle de pragas e doenças.
Na verdade, essas alternativas – defensivos agrícolas naturais - existem e podem ser utilizadas, cumprindo não apenas uma função sanitária, mas atuando também como fertilizantes agrícolas. Aqui mesmo, no Ceará, há anos assistimos à luta desigual travada pelo pesquisador José Júlio da Ponte para que seja adotado um produto retirado da mandioca - a manipueira – pesquisado por ele, e comprovadamente de alta eficácia para o combate de diversas pragas. Uma das vantagens é que, além de a mandioca ser altamente difundida no Brasil, os custos da produção são ínfimos.
Há várias outras pesquisas na mesma direção (produção de defensivos agrícolas naturais), inclusive a do pesquisador Antonio Souza Nascimento sobre o combate à mosca-das-frutas – todas necessitando o apoio do governo para se viabilizarem. Para isso, é preciso também vontade política das autoridades e disposição para enfrentar o poderoso lobby dos agrotóxicos. Espera-se que a opção seja pela saúde do povo brasileiro e pela proteção do meio ambiente.
(O Povo on Line)
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