Arquivo de Julho de 2009

Alimentos orgânicos ou convencionais? Você escolhe

O consumo de alimentos sem aditivos químicos, os chamados orgânicos, aumenta na mesma medida da preocupação do brasileiro com os efeitos sobre a saúde de pesticidas, hormônios de crescimento, antibióticos e outros produtos químicos mais usados por agricultores. No entanto, não é apenas isso que seduz os brasileiros. Além de se relacionarem à qualidade de vida, os produtos orgânicos têm forte apelo ecológico.

Geralmente os produtores desses alimentos preocupam-se em preservar o local onde os mesmos são cultivados. As nascentes de água são protegidas, as áreas desmatadas são reflorestadas, os animais e vegetação nativos são preservados e não se faz uso de queimadas. Por tudo isso, é cada vez maior o contingente de pessoas que buscam por esse tipo de alimentação especial. Para se ter uma idéia, há quatro anos atrás a produção agrícola brasileira de orgânicos era praticamente insignificante. Hoje esses alimentos já respondem por mais de 2% de toda produção e de acordo com o International Trade Center, no Brasil o mercado está expandindo ao ritmo de 40% ao ano.

Alimentos orgâncos X alimentos convencionais

O emprego de aditivos tóxicos para elevar a produtividade das lavouras é muito antigo. No ano 3000 a.C., manuscritos chineses já indicavam o uso de arsênico e de enxofre para matar pragas na lavoura. Entretanto, os agrotóxicos industriais somente começaram a ser utilizados durante a Segunda Guerra Mundial. De acordo com a maioria dos especialistas, a aplicação controlada de fertilizantes, defensivos agrícolas e outros produtos químicos não causa danos à saúde, não existindo pesquisas científicas conclusivas que atestem que a ingestão dessas substâncias em pequenas doses através dos alimentos, causem males à saúde.

No entanto, o que preocupa esses mesmos especialistas é o uso indevido e/ou abusivo desses produtos químicos por parte dos produtores, o que pode causar efeitos crônicos a longo prazo, como determinados tipos de câncer, diminuição da fertilidade (redução do número de espermatozóides) e até a má formação de fetos (esses efeitos foram observados em pessoas expostas a agrotóxicos, em sua maioria agricultores).

De acordo com o Instituto Biológico de São Paulo, o uso de agrotóxicos no Brasil inspira cuidados. Análises realizadas com o objetivo de medir a quantidade de defensivos agrícolas em vegetais, mostrou que os alimentos recordistas em resíduos são o morango e o tomate. Além disso, verificou-se casos de aplicação de pesticida em culturas para as quais o produto não foi autorizado. Por tudo isso, o Brasil foi incluído num relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como um país onde há exagero no uso de agrotóxicos.

Na agricultura orgânica, essas substâncias químicas passam longe. Em vez de utilizar fertilizantes artificiais, os produtores usam geralmente estrume esterilizado, farinha de peixe, de osso, humus de minhoca, adubo composto (que é produzido através de lixo orgânico), entre outros. Para controlar pragas e insetos, os agricultores lançam mão do controle biológico, ou seja, a utilização de insetos predadores, microorganismos e plantas que podem arrasar com pulgões, lagartas e moscas que atacam as plantações. As joaninhas, por exemplo, são inimigas dos pulgões, a bactéria Bacillus thuringiensis (BT) aniquila a lagarta da couve e plantas como o alecrim, calêndula e alfavaca-do-campo inibem, respectivamente, o aparecimento das bruxas da couve, do mosquito da ferrugem da cenoura e das cigarrinhas que atacam os feijões.

Vantagens e desvantagens dos orgânicos

Há apenas poucos anos, os alimentos orgânicos só podiam ser encontrados em lojas de produtos naturais ou em mercados e feiras de pequenos agricultores. Hoje, já é possível encontrá-los em grandes redes de supermercados, sendo comercializados junto a outros produtos convencionais. Além de alimentos de amplo consumo, como arroz, feijão, frutas, hortaliças, a agricultura orgânica está produzindo um pouco de tudo: desde erva-mate, castanha de caju, guaraná, até chocolate, vinhos e carnes, frangos e ovos que não contém nenhum tipo de hormônio.

Além de serem isentos de agrotóxicos, os alimentos orgânicos tendem a ser mais saborosos que os tradicionais. O brócolis, o morango e o tomate, por exemplo, teriam um sabor muito mais pronunciado que aqueles cultivados normalmente. Há quem diga que a carne de galinha, porco e boi que se alimentam ao ar livre (criados sem confinamento) e não recebem hormônios de crescimento também têm sabor diferente, em comparação com os criados “industrialmente”. Em geral, seriam carnes mais magras e mais saborosas.

Outro ponto que tem sido objeto de muita investigação, e que seria mais uma vantagem dos orgânicos, seria o fato desses alimentos apresentarem vantagens nutricionais. Embora ainda exista muita discussão a respeito desse assunto e não haja consenso científico sobre o tema, existem vários estudos sendo realizados na tentativa de provar que os produtos livres de agrotóxicos são também mais nutritivos que os convencionais.

Mesmo sabendo que a genética da planta, o clima, a irrigação e a época da colheita têm um impacto muito maior no conteúdo nutricional do que o tipo de fertilizante usado, natural ou artificial, existem estudos como o realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Botucatu, mostrando que cenouras cultivadas sem agrotóxicos têm uma maior durabilidade (tempo de conservação é maior) e apresentam maiores teores de vitamina A e betacaroteno.

Outro estudo, este realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), irá comparar os teores de carotenóides de cenouras e alfaces plantados sem pesticidas no cinturão verde de São Paulo com aqueles cultivados de modo convencional. A intenção é utilizar amostras que vêm direto do produtor, já que de acordo com os pesquisadores as análises com amostras cultivadas em hortas experimentais não refletiriam necessariamente a realidade das plantações.

As duas principais “desvantagens” dos alimentos orgânicos dizem respeito à aparência e ao custo. Por serem cultivados naturalmente, geralmente esses alimentos tendem a ser menores e ao mesmo tempo, alguns também podem apresentar manchas na casca devido aos ataques de insetos. A cor também pode não ser uniforme e tão intensa quanto a alcançada através da utilização de corantes ou ceras (o que é feito em alimentos convencionais).

Por isso, sempre que você observar frutas e hortaliças perfeitos, brilhantes, sem um mínimo defeito, pode ter certeza que nesse alimento houve aplicação de agrotóxico. Já os preços, geralmente um pouco mais altos do que os convencionais, é tido como um empecilho para que boa parte da população tenha acesso a essa alternativa saudável. De acordo com os entendidos, os preços só devem diminuir quando a produção e o consumo aumentarem, mas já existem pesquisas mostrando que sete em cada dez pessoas pagariam até 30% a mais por produtos sem aditivos químicos, desde que não houvesse dúvidas sobre sua procedência (pesquisa do Instituto Gallup).

Como saber se um alimento é orgânico?

Se você pretende consumir alimentos orgânicos fique atento para não ser enganado. Procure sempre pelo selo de qualidade emitido por certificadoras reconhecidas pelo Ministério da Agricultura. São entidades como a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), o Instituto Biodinâmico (IBD), entre outros. Essas entidades, ao todo cerca de 30 em todo Brasil, avaliam se a produção do alimento segue os critérios estabelecidos pela agricultura orgânica. Para ganhar o selo, os produtores seguem várias precauções e têm suas lavouras fiscalizadas de seis em seis meses. A presença do selo garante, portanto, a procedência e a qualidade dos produtos.

Jocelem Salgado - Profª. Titular em Nutrição LAN/ESALQ/USP/Campus, Piracicaba

(e-Campo orgânicos)

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África: agricultura natural contra a fome

Stephanie Niewwoudt, da IPS

Muitos agricultores convencionais que decidem dedicar-se ao cultivo orgânico fracassem na tentativa porque abandonam repentinamente o uso de todo pesticida e adubo químico. Isso resulta traumático para o solo, que reage como “um viciado com síndrome de abstinência”. Assim explicou Cornelius Oosthuizen, diretor do Instituto Sul-africano de Biofazendas, porque em seu país são relativamente poucos os êxitos nos processos de conversão para a agricultura orgânica.

“O fracasso ocorre quando um produtor que usou produtos químicos durante muito tempo adota de uma só vez práticas 100% orgânicas. Em uma área de mil hectares não se pode iniciar um monocultivo orgânico em toda a sua superfície. Em primeiro lugar, se deve praticar a agricultura biológica”, explicou Oosthuizen. É necessário, acrescentou, preparar o solo, equilibrando os minerais e restabelecendo o ecossistema natural, para o qual é necessária uma intensa atividade de insetos e larvas na terra. Além disso, a erosão deve ser combatida.

A denominada agricultura biológica recorre a substancias químicas que não prejudicam o solo nem os ecossistemas. A orgânica, por outro lado, prescinde do uso de todo produto químico. O Instituto Sul-africano de Biofazendas promove as duas práticas de modo a serem sustentáveis e darem lucro. Os agricultores devem abordar a modalidade biológica se pretendem incursionar na área orgânica, que além de lucrativa também pode fazer frente à insegurança alimentar endêmica na África. O mercado internacional de produtos orgânicos fatura US$ 50 bilhões ao ano. Este continente está desperdiçando seu potencial nessa área, afirmam especialistas.

A organização humanitária Oxfam Internacional advertiu em junho que os produtores de milho da África subsaariana sofrerão perdas de até US$ 2 bilhões anuais devido aos variáveis padrões ambientais mundiais. A região é vulnerável à escassez hídrica - secas incluídas - e aos desastres naturais. Especialistas alertam que os escassos recursos da África devem ser usados com cuidado para garantir a segurança alimentar. Pesquisas feitas por várias organizações especializadas mostram que a agricultura orgânica pode duplicar ou triplicar a produção no mundo em desenvolvimento, segundo Raymond Auerbach, um dos principais promotores desta prática no continente.

A modalidade orgânica reduz entre 33% e 56% o uso de energia não solar e aumenta em até 40% a eficácia no uso da água. Além disso, os alimentos produzidos dessa forma contêm mais nutrientes. Auerbachdirige e Rainman Land Care Foundation, com sede na África do Sul, organização que ensina aos produtores africanos cultivar de maneira ambientalmente sã e otimizar o uso dos escassos recursos hídricos. Também ajuda os agricultores a se organizarem para ter aos mercados importadores.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) informou no ano passado que o rendimento dos cultivos mais do que duplicou em 114 projetos de agricultura orgânica implementados em 24 países africanos. Entretanto, a ignorância e a resistência dos agricultores em implementar métodos orgânicos, bem como o poder econômico e político das empresas que comercializam sementes e fertilizantes, são um obstáculo ao seu pleno desenvolvimento. Os produtores orgânicos sul-africanos enfrentam muitos problemas, disse Auerbach à IPS.

“Primeiro, há poucas pesquisas locais que lhes sirvam de guia. Segundo, é comum o governo não ajudar os agricultores, menos que usem fertilizantes e venenos. E, terceiro, a obtenção de certificados de produto orgânico é um processo árduo e caro”, disse Auerbach. “A resistência é alimentada por dois fatores: os interesses criados e a ignorância. As empresas apóiam métodos que aplicam os produtos que elas vendem. Mas, quem se beneficia da agricultura orgânica? Não são as empresas, mas os produtores, seus clientes e o meio ambiente”, ressaltou Auerbach.

“Aos que se formam nas universidades sul-africanas é dito que os fertilizantes, os venenos e as sementes geneticamente modificadas são científicas e progressistas, enquanto os métodos antiquados são pouco científicos”, acrescentou. Mas o potencial econômico da agricultura orgânica é enorme. Segundo Auerbach, os que a aplicam em Uganda exportam US 22 milhões ao ano, ao mesmo tempo em que fornecem alimentos às comunidades locais. Oosthuizen acrescentou que os agricultores comerciais, motivados pelos lucros, se importam mais com a quantidade do que com a qualidade. “Precisam ter lucro e usarão sementes e fertilizantes que os ajudem a conseguir isso, embora seu produtos resulte ser pobre em nutrientes”, afirmou.

As sementes transgênicas, que garantem enormes rendimentos, exigem grande quantidade de pesticidas e herbicidas. As multinacionais que comercializam estes produtos frequentemente têm vínculos com funcionários governamentais que lhes asseguram um acesso preferencial ao mercado. Para Oosthuizen, a resposta à insegurança alimentar na África está no retorno da agricultura às comunidades. “Cada aldeia deveria ter suas próprias fazendas, seu próprio moinho, sua própria padaria, para alimentar sua população. Somente quando a população local está devidamente alimentada é que se deve olhar para mercados mais amplos”, afirmou.

“É ali onde os governos podem ter um papel importante. As estratégias de mercadotecnia deveriam estar centralizadas e coordenadas. Por exemplo: um governo pode destinar a 20 produtores de pequena escala certa área para que, em conjunto, forneçam cinco toneladas de milho a um cliente específico”, acrescentou Oosthuizen. Quando se seguir este modelo também se estará dando poder às mulheres, que constituem a coluna vertebral da economia agrícola africana. Os benefícios potenciais para as camponesas são evidentes se os governos seguem o princípio da igualdade de gênero na destinação de projetos.

Em toda África do Sul, as mulheres de áreas urbanas e rurais já mantêm a fome sob controle com suas hortas comunitárias. Não alimentam apenas suas famílias, mas vendem o excedente nos mercados locais. Assim, estas mulheres, que costumam estar sozinhas à frente de famílias grandes, conseguem uma renda. Nas áreas rurais, as mulheres podem se beneficiar da agricultura orgânica de duas maneiras, disse Auerbach. “Podem utilizar os insumos que encontram na fazenda, sem necessidade de longas viagens para comprar produtos caros. Além disso, com são elas que alimentam seus filhos, cuidarão para que ninguém seja exposto a venenos, nem ao produzi-los nem ao consumi-los”, acrescentou. IPS/Envolverde

(Envolverde/IPS)

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Algodão colorido da Paraíba pode ter indicação de procedência do INPI

Rio de Janeiro/RJ - A Coperativa de Produção Têxtil e Afins do Algodão da Paraíba (CoopNatural) dará entrada hoje (27) no pedido de identificação geográfica para o algodão colorido produzido no estado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob a marca Fashion Natural.

A cooperativa reúne cerca de 30 associações e grupos de artesãos de vários municípios paraibanos e responde pela geração de 850 empregos diretos e indiretos. No ano passado, a entidade faturou em torno de R$ 3 milhões, elevando as vendas em 40%.

A diretora da Coopnatural, Maysa Gadelha, disse à Agência Brasil que o selo do INPI vai criar uma referência para o algodão colorido da Paraíba, cultivado de forma orgânica pela maioria dos produtores e certificado pela Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD). “Vai manter e melhorar o padrão de qualidade para atrair mais clientes e dar maior visibilidade ao algodão colorido.”

A coordenadora-geral de Outros Registros e Indicações Geográficas do INPI, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Maria Alice Calliari, ressaltou que essa certificação caracteriza produtos de uma região específica. “A identificação geográfica é muito ligada à origem do produto”.

A identificação do INPI caracteriza uma região, como a dos vinhos Bordeaux, da França, que se tornou conhecida pela sua reputação ou pelo vínculo que o produto tem com o meio geográfico da região onde é fabricado, em termos de solo, clima ou vegetação. Esses fatores influenciam a especificidade, cor ou sabor do produto. “Esse é o principal atributo da indicação geográfica”, esclareceu Maria Alice.

Além disso, a indicação de procedência amplia a competitividade do produto, aumentando as chances de exportação. “Ele, na realidade, se torna um produto único que fideliza muito o consumidor, porque é específico de uma região que tem certas características que determinam essa diferenciação do produto no mercado”, explica a coordenadora-geral.

Até agora, o INPI já concedeu a certificação de origem a seis produtos brasileiros: o vinho do Vale dos Vinhedos (RS), a carne do Pampa Gaúcho (RS), o café do Cerrado mineiro (MG), a cachaça de Paraty (RJ), o couro do Vale dos Sinos (RS) e as uvas e mangas do Vale do Submédio São Francisco (BA/PE). Caso o pedido do algodão colorido do Vale do Seridó (PB) seja aprovado, representará o segundo produto nordestino com o selo de procedência do INPI.

(Agência Brasil)

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Agricultores em Santa Catarina trocam fumo por orgânicos

Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral, em Santa Catarina, quer faturar este ano R$ 400 mil por mês

Beth Matias

São Paulo - Agricultores da região de Santa Catarina deixaram de uma vez por todas o fumo e adotaram uma vida saudável. A afirmação até parece uma chamada de reportagem sobre como cuidar da saúde. Mas estamos falando de negócios. Na Encosta da Serra Geral, 200 agricultores deixaram as lavouras de fumo que pouco rendiam e causavam sérios danos a saúde para dedicarem-se à agroecologia.

Reunidos desde 1996 na Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco), os agricultores produzem hortaliças, frutas e plantas medicinais sem qualquer agrotóxico na região do município de Santa Rosa de Lima.

Os 200 associados despacham mil caixas por semana com 73 itens, como cenoura, alface, couve-flor, tomate-cereja, abóbora, pepino, pimentão, agrião e beterraba. Nove lojas de cinco redes de supermercados da Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e Sul de Santa Catarina são abastecidas com os chamados “produtos limpos”

Ma a associação não se dedica apenas aos alimentos “in natura”. Os grandes supermercados do país recebem mensalmente os produtos processados, como geléias, conservas de legumes, molhos de tomate, derivados da cana e frutas desidratadas. Eles faturam por mês cerca de R$ 200 mil.

“Uma das principais vantagens foi garantir emprego e salário dos moradores durante todo o ano”, ressalta o coordenador-geral da Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco), Adilson Maya Lurnardi.

A Agreco, que vende também carnes, leite, queijo e doces caseiros totalmente orgânicos, está participando da 5ª BioBrazil Fair –Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia-, que acontece até o próximo domingo, em São Paulo.

Segundo Lunardi, ainda este ano a Agreco deverá introduzir novos produtos para venda e tentar dobrar o faturamento. “As chuvas de novembro e dezembro em Santa Catarina nos atrapalharam muito. Estamos apostando na nova colheita no segundo semestre”.
Orgânicos na merenda

Em agosto de 2001, a Agreco começou a fornecer produtos para a merenda escolar para a Escola de Educação Básica Lauro Muller, no centro de Florianópolis. O sucesso foi tamanho que, em 2002, a merenda orgânica foi estendida a outras 61 escolas da rede estadual de ensino fundamental, abrangendo outros municípios.

O mercado institucional de merenda orgânica chega a representar 50% do volume de venda da Agreco, durante o período letivo. São cerca de 70 mil crianças, de 7 a 13 anos, atendidas. A substituição de produtos convencionais por orgânicos fez com que diminuísse a evasão escolar.
Agroturismo

A plantação de produtos orgânicos deu tão certo que nasceu uma outra fonte de renda para os agricultores da região: o agroturismo. O turista é acolhido na casa de um agricultor e acompanha todo o processo de cultivo do alimento.

É o Projeto Acolhida na Colônia. Os visitantes também podem aproveitar as vantagens do ecoturismo da região.Só no município de Presidente Getúlio, há 72 cachoeiras no Vale das Cachoeiras. Quem quiser ver neve é só ir no inverno e visitar São Joaquim e Urubici. O turismo terá à disposição um café colonial orgânico com cucas, pães, bolos, geléias, natas, entre outros. Para saber mais é só visitar o site http://www.acolhida.com.br

(Agência Sebrae de Notícias)

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A revolução do slow food

Miren Gutiérrez*

Paolo di Croce, secretário-geral do Slow Food International. Foto: Miren Gutiérrez/IPSA ideia de slow food (comida lenta) está na contramão daquela que postula a comida rápida, ou fast food. Hoje, além do mais, é o nome de um movimento com mais de cem mil pessoas em 132 países. Mas, o que significa na prática? A pergunta foi feita em uma entrevista exclusiva com o secretário-geral do movimento Slow Food International, o italiano Paolo di Croce, promotor de uma alimentação “boa, limpa e justa”.

IPS/IFEJ: O movimento Slow Food se apresenta como defensor da biodiversidade, mas o que tem a ver a boa cozinha, a tradição e a cultura culinária com os arrecifes de coral e as florestas tropicais?

PAOLO DI CROCE: Um tema fundamental para uma boa alimentação é a promoção do diverso. A globalização, o desaparecimento de espécies e a padronização dos mercados tendem a reduzir a diversidade. Todas as maçãs que comemos pertencem a apenas quatro das centenas de variedades que existem. Preservar a variedade dos alimentos é fundamental para o meio ambiente, a história e a cultura. O Slow Food tem muitos programas para lutar contra a extinção de espécies. Por exemplo, há um na selva amazônica para proteger a Bertholetia excelsa, uma noz que cresce em árvores de 40 metros de altura em comunidades indígenas. Procuramos criar mercados para essa noz, e assim preservar sua existência. Além disso, a perda de biodiversidade afeta a todos pessoalmente. Se continuarmos comendo atum no ritmo atual, em poucos anos não haverá mais atum. A alimentação está essencialmente unida à diversidade agrícola. Os lobos e os ursos polares não são nossa prioridade, mas temos sócios preocupados com eles, pois o fim último é preservar nossa identidade cultural e nosso ambiente, incluindo a vida silvestre. De fato, temos programas sobre música e vestimentas tradicionais, línguas indígenas.

IPS/IFEJ: Na cúpula do Grupo dos Oito (G8) países mais poderosos (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia), realizada este mês em L’Áquila, na Itália, falou-se em “mobilizar US$ 20 bilhões em três anos” para combater a crise alimentar. Foi dito que esse dinheiro para a crise poderia ser usado para promover a agricultura, ao contrário da ajuda tradicional. Como viu esse anúncio?

DI CROCE: Em L’Áquila debateu-se sobre biodiversidade e comprometeram mais dinheiro para a agricultura. É positivo. Não apenas os países do G-8, mas todos se dão conta do enorme risco de nada fazer para resolver a crise alimentar. Porém, é preciso ver se esse investimento é bom, limpo e justo. Temos a oportunidade de influir no uso desse dinheiro. O sistema vigente fracassou. Basta ver a quantidade de pessoas passando fome, a crise financeira, a crise da saúde nos países ricos, como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares. A indústria alimentícia criada por este sistema tem de mudar. Todos têm direito a alimentos bons, limpos e justos. Também é errado responder à crise alimentar com “dinheiro para a crise”. Porque este problema é resultado de décadas. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e outras organizações indicam que cada vez mais gente tem fome e desnutrição. Temos de mudar para um modelo responsável, não tapar os buracos com dinheiro para a crise.

IPS/IFEJ: Na cúpula, a Oxfam Internacional apresentou o informe “Evidência que dói: A mudança climática, as pessoas e a pobreza”, que mostra como os instáveis ciclos das estações complicam o planejamento de semeaduras e colheitas. Assim, milhões de pessoas sofrerão escassez de alimentos e deverão abandonar cultivos tradicionais, o que possivelmente derive em migrações maciças. O que pensa a respeito?

DI CROCE: A mudança climática tem enorme impacto na agricultura e nas pessoas. Populações inteiras terão de abandonar seus territórios. Com o aumento das temperaturas na Suécia e Noruega, comunidades do povo sami se deslocam seguindo as renas, que são seu sustento. As renas estão abandonando seu hábitat rumo ao norte, e os samis fazem o mesmo. Os cultivos tradicionais podem ser uma ferramenta. No México temos um projeto para promover o amaranto (Amaranthus spp.), cujo cultivo foi abandonado quando chegaram os conquistadores espanhóis. Seu valor nutricional é importante e pode crescer em áreas secas. Estamos tentando replantá-lo como alternativa ao milho, que depende muito da água.

IPS/IFEJ: O Slow Food afirma que podemos ser coprodutores, não apenas consumidores, nos informando sobre como são elaborados os alimentos e apoiando os que o fazem. Mas, produzir e consumir comida boa, limpa e justa é muito mais caro. Alguém já disse que com US$ 0,99 pode-se comprar um hambúrguer com queijo, mas não dá para comprar brócolis. Seu movimento é qualificado de elitista…

DI CROCE: É preciso analisar dois temas. Um é a porcentagem de nossa renda que dedicamos a nos alimentar. Uma pesquisa nos Estados Unidos mostra que na década de 70 as famílias gastavam cerca de 6% de sua renda em cuidados com a saúde e aproximadamente 7% com comida. Ao fazer a mesma pesquisa há pouco tempo, descobriu-se que agora as famílias gastam 15% e 10%, respectivamente. O gasto com alimentos não aumentou muito, mas o da saúde cresceu mais que o dobro. Provavelmente haja uma correlação. É preciso considerar todos os excessos de custos originados em uma dieta deficiente, o dinheiro gasto com nutricionistas e médicos. Penso que 10% da renda das famílias não é suficiente, se comparado com gastos com telefone celular. O outro é o preço real do alimento. Há muitos custos externos associados à comida rápida. Além do cuidado com a saúde, existe o custo ambiental da indústria alimentícia, que pagamos com impostos para reparar os danos que ela causa ou para financiar subsídios, e que a próxima geração continuará pagando. Os alimentos baratos são possíveis pelos subsídios, sempre e quando a sociedade pagar a conta ambiental. Em 2008, um dos produtos com vendas em crescimento na Itália foi a salada pré-lavada. Em comparação com a que você elabora comprando as verduras no mercado de seu bairro, a pré-lavada é oito vezes mais cara. E é menos sustentável, porque vem em uma embalagem plástica. Uma porção de cem gramas de batata frita “chip” custa nove vezes mais do que comprar a batata crua e fritá-la em azeite de oliva extravirgem. E ninguém pode dizer que as batatas fritas são elitistas. Por fim, está o desperdício. Na Itália, jogamos fora cerca de 22 quilos de comida por segundo. Se somarmos o que gastamos sem nos darmos conta, os custos de saúde e meio ambiente e o que desperdiçamos, o custo é insustentável. Por outro lado, você pode ter comida boa, limpa e justa sem pagar muito.

IPS/IFEJ: Convenhamos que não é exatamente uma mensagem de massa. Não se sente frustrado?

DI CROCE: Nos últimos cinco anos vi muitas mudanças. Onde quer que vá, há mais interesse. E não me refiro ao Banco Mundial, mas às pessoas comuns, essas que mudam o mundo, os “coprodutores”. O dia em que decidirmos comer alimentos frescos cultivados perto da gente, e menos carne, haverá uma revolução com essas simples decisões cotidianas. Contudo, tem de se tornar maciça. É fundamental trabalhar com outras organizações, qualquer uma que acredite ser possível comer de outra maneira. E um dia poderemos mudar o sistema.

* Miren Gutiérres é editora-chefe da IPS. Este artigo é parte de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (http://www.complusalliance.org).

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

(Envolverde/Terramérica)

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Orgânicos são consumidos por 9% da população

Segmento terá destaque na maior feira do agronegócio familiar do país: Agrifam 2009

Os números da agricultura orgânica no Brasil chamaram a atenção da organização da Agrifam 2009, que neste ano trará uma certificadora do segmento, além de um seminário sobre Agroecologia. Segundo uma pesquisa recente da consultoria GFK, produtos orgânicos estão em alta no país: embora 70% de sua produção seja exportada, eles chegam à mesa de 9% da população brasileira, ou seja, cerca de 18 milhões de pessoas, e já respondem por 1% do faturamento total dos supermercados - cerca de R$ 1,585 bilhão.

Em maio deste ano, medida tomada em conjunto pelos Ministérios da Agricultura, Meio Ambiente, Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia, definiu a padronização dos selos para as diversas certificadoras do País. Até agora não havia um padrão nacional, mas com a nova regra o agricultor terá diretrizes para melhorar sua produtividade e a qualidade dos alimentos, o que deve impulsionar os orgânicos.

Uma pesquisa interna da certificadora de orgânicos EcoCert Brasil, que participa da Agrifam 2009, mostra que o mercado tem crescido cerca de 30% ao ano. Para Alexandre Schuch, diretor de marketing da empresa, a demanda por certificação tende a aumentar. “O consumo de produtos orgânicos demonstra o grande potencial do mercado”, ressalta.

O seminário sobre Agroecologia, que acontece durante a Feira, no dia 31 de julho, se relaciona, entre outros temas, à produção orgânica, e irá esclarecer todo o processo de cultivo e produção no segmento. Segundo Marcos Macedo, responsável pela organização do seminário, todas as etapas produtivas serão abordadas. “Um produto orgânico é muito mais que um alimento sem agrotóxicos e sem aditivos químicos. É o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e os demais recursos naturais”, observa Macedo, que também é produtor do ramo.

(Fetaesp)

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O que você sabe sobre os transgênicos?

O que é um transgênico?

Transgênicos, ou organismos geneticamente modificados (OGM), são seres vivos criados em laboratório a partir de cruzamentos que jamais aconteceriam na natureza: planta com bactéria, animal com inseto, bactéria com vírus, etc. Usando uma técnica que permite cortar genes de uma determinada espécie e colá-los em outra, os cientistas criam organismos totalmente novos com características específicas.

A transgenia é uma técnica diferente de melhoramento genético, que realiza cruzamentos dentro da própria espécie, ou seja, milho com milho, soja com soja, arroz com arroz, etc.Qual o problema dos transgênicos para o meio ambiente?Entre os principais problemas ambientais relacionados aos transgênicos está a contaminação genética, que acontece quando plantas transgênicas cruzam com plantas convencionais e se sobrepõem, causando uma perda da diversidade genética da espécie. Isso já aconteceu com o milho no México, por exemplo.

Variedades que vinham sendo melhoradas há séculos pelos agricultores foram perdidas quando tiveram contato com o milho transgênico. Além disso, os OGM também podem aumentar o uso de agrotóxicos. Após alguns anos usando sempre o mesmo produto, o agricultor começa a ter problemas para matar as ervas daninhas, que passam a ficar mais fortes e resistentes. Para acabar com esse problema, ele é obrigado a aplicar o veneno mais vezes e em quantidades cada vez maiores.

E isso significa que mais agrotóxico será depositado no solo e na água ao redor da lavoura. Os transgênicos fazem mal a saúde?

Até hoje, ninguém conseguiu provar que os transgênicos são seguros para o ser humano. Mas o aumento do uso de agrotóxicos não é um bom sinal, pois significa maior quantidade de resíduo de veneno indo para o seu prato. Prova disso é que quando o governo brasileiro autorizou a soja transgênica no país, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) teve que aumentar em 50 vezes a quantidade permitida de resíduo de agrotóxico na soja.

Ou seja: ao comer a soja transgênica, os brasileiros estão comendo pelo menos 50 vezes mais veneno.Os poucos estudos sobre os efeitos dos transgênicos na saúde humana indicam que há possibilidade de aumento de alergias, aumento da resistência a tratamentos com antibióticos e alterações de peso em fígados e rins de cobaias. No entanto, nenhum estudo até hoje foi conclusivo. E é justamente por isso que devemos ter cuidado dobrado: como não existem informações suficientes sobre a segurança dos transgênicos para os seres humanos, consumi-los significa correr um risco desnecessário.

(Greenpeace)

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Orgânicos Sempre que possível - quanto mais melhor

Os produtos orgânicos são cultivados sem adubos químicos ou agrotóxicos A produção orgânica, no Brasil, cresce 30% ao ano, segundo dados do Instituto Biodinâmico (IBC), reconhecido internacionalmente. O produto orgânico é cultivado sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos, com o intuito de incentivar a conservação do solo e da água e reduzir a poluição.

Hoje, são aproximadamente 6,5 milhões de hectares de terras com produção orgânica, deixando o país em segundo lugar entre os maiores produtores mundiais. Os produtos que lideram a produção são o extrativismo de castanha, açaí, pupunha, látex, frutas e outras espécies das matas tropicais, principalmente da Amazônia.

“Os produtos orgânicos são cultivados sem adubos químicos ou agrotóxicos e, por isso, evitam problemas de saúde causados pela ingestão dessas substâncias”, explica a tutora do Portal Educação, Danielle Pereira. Além disso, o produto orgânico protege a qualidade da água, a fertilidade do solo e a vida silvestre, sem contar que são mais nutritivos.

Se a população em geral incentivasse o consumo dos orgânicos, o aumento da produção, em longo prazo, resultaria em produtos mais baratos. O consumidor tem como garantia, o selo de certificação de que está adquirindo produtos orgânicos, isentos de qualquer resíduo tóxico.

(Assessoria de Imprensa - Portal Educação)

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Consumo de orgânicos cresce e mostra mudança no hábito dos consumidores

Preocupados com a qualidade da alimentação que colocam na mesa de casa, cada vez mais líderes de famílias brasileiras recorrem aos produtos orgânicos, conhecidos também por “produtos verdes”. Essa mudança nos hábitos revela um crescimento de 30% ao ano da produção orgânica, de acordo com dados do Instituto Biodinâmico (IBC), reconhecido internacionalmente. O percentual deixa o país em segundo lugar entre os maiores produtores mundiais, com aproximadamente 6,5 milhões de hectares de terras com “produção verde”.

A advogada Lorena Varjão Vieira representa bem essa parcela da sociedade que incorporou nos hábitos de sua família a ingestão de produtos orgânicos. Ela começou comprando alfaces e hoje já enche parte do carrinho do supermercado com variedades de frutas, legumes, açúcar, café, sucos, entre outros itens. Para ela a escolha pelo alimento tem sido feita principalmente pela maior preocupação com a saúde. “Em seguida pela prevenção do meio ambiente e, por último, pelo sabor”, afirma.

Antenadas a essa nova realidade e exigência do consumidor, as redes de supermercados se adaptam as exigências dos clientes e ampliam as seções nas unidades voltadas para os alimentos. São frutas, legumes, hortaliças, leite, carnes, mel, produtos cosméticos, limpeza, enfim, o que a sociedade imaginar hoje em dia é possível encontrar nas prateleiras.

Há três anos investindo nessa seção, a rede de Supermercados Modelo comercializa cerca de 100 itens dos “produtos verdes” em todas as suas 14 lojas. Ao longo desse período a procura pelos alimentos cresce 20% ao ano, resultado que leva o supermercado a pretensão de aumentar em 100% o espaço destinado a eles.

Segundo o gerente de Compras e Perecíveis do Modelo, Valter Yamaguchi, os consumidores procuram cada vez mais os produtos orgânicos, pois buscam cuidar melhor da saúde humana e ao mesmo tempo proteger o meio ambiente. Porém, o grande vilão para que a comercialização faça parte da mesa da maioria dos brasileiros são os preços, que chegam a ser 30% mais caros que os tradicionais.

Valter acredita que para este cenário mudar depende do próprio consumidor, visto que se incentivarem o consumo dos orgânicos, o aumento da produção, em longo prazo, resultará em produtos mais baratos. “Consequentemente mais clientes poderão adquiri-los”, explica.

RISCO DOS AGROTÓXICOS

Um estudo recente da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária -, em 17 tipos de frutas, verduras e legumes revelou que 15,29% possuem resíduos de agrotóxicos proibidos ou além do permitido por lei. Após a divulgação do levantamento, em abril, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez um alerta à população sobre os cuidados que devem ser tomados para evitar a contaminação. Uma das alternativas apontadas pelo ministro foi o consumo de alimentos orgânicos.

Na pesquisa, o pimentão foi o recordista, com 64% das amostras contendo resíduos de agrotóxicos. Em seguida estão morango, cenoura e uva, que possuem índices de irregularidades superiores a 30%. De acordo com a nutricionista do Modelo, Ana Maria Lima, a presença indiscriminada de produtos químicos para o combate de pragas pode causar prejuízos à saúde do produtor e do consumidor.

(Olhar Direto)

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Brasil regulamenta produção de orgânicos

A partir de 2010, uma série de normas técnicas deve orientar os mais de 15 mil produtores de alimentos orgânicos do País. A medida, tomada em conjunto em maio pelos Ministérios da Agricultura, Meio Ambiente, Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia, visa essencialmente a capacitação dos agricultores para agregar valor a suas produções, já que o selo do governo será uma garantia de que uma mercadoria obedeceu a diversas normas análogas às adotadas internacionalmente.

A iniciativa do Governo Federal é um sinal de mudança. Um impulso oficial a um nicho crescente, mas que ainda encontra dificuldades técnicas (e tecnológicas) para ganhar escala e espaço no mercado. É o que demonstra o caso do grupo Pão de Açúcar, rede de supermercados que mais comercializa orgânicos no País. A empresa observa o crescimento deste segmento ano a ano: segundo Sandra Sabóia, gerente comercial de frutas, legumes e verduras, as vendas na rede aumentaram 40% somente no primeiro trimestre de 2009, comparado com o mesmo período do ano passado. Em 2008, o faturamento anual com a venda de orgânicos foi de R$ 40 milhões. Segundo Sandra, a saída desses produtos nas lojas da rede atingiu um crescimento consolidado de, pelo menos, 25% ao ano nos últimos cinco anos.

Para o Ministério da Agricultura, um dos principais empecilhos para o crescimento do mercado de orgânico é, além da falta de uma regulamentação unificada, uma carência de noções técnicas por parte dos produtores. “Estamos assinando um protocolo com os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia para a criação de núcleos de agroecologia nas escolas técnicas e universidades”, anunciou, durante a Rio Orgânico 2009, o coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Rogério Dias. “Além disso, o Governo Federal já paga 30% a mais pelo produto orgânico nas compras institucionais. A inclusão desses alimentos na merenda escolar é nosso próximo passo.”

De acordo com Sandra, do Pão de Açúcar, um dos obstáculos para o desenvolvimento desse nicho é a falta de conhecimento. Ela acredita que as pessoas buscam os orgânicos quando sabem que eles fazem bem para a saúde e para o meio ambiente. “Todo mundo quer se alimentar melhor. Todo mundo quer viver mais. Se nos alimentarmos melhor, começaremos a ver melhoras reais em nós mesmos”, comenta. Além da valorização do menor impacto dos orgânicos, a gerente complementa que também “é obrigatório aumentar a escala de produção para chegar a um preço mais acessível. Somente nos Estados Unidos, são US$ 44 bilhões de faturamento ao ano. E só tende a crescer”. Ela conta que lá, assim como na Europa, esse mercado está muito mais desenvolvido, pois a produção de alimentos industrializados que levam o selo orgânico já é mais sólida. “No Brasil ele ainda é embrionário”, contrapõe. Não existem números oficiais, mas estima-se que haja um aumento de 30% ao ano na produção de alimentos orgânicos no País.

Certificação de orgânicos - O Brasil já utiliza diversos selos para produtos orgânicos, no entanto até agora não havia uma padronização em âmbito nacional. Com a nova regra criada pelo Governo Federal, que entra em vigor no ano que vem, o agricultor terá diretrizes para melhorar sua produtividade e a qualidade dos alimentos, o que deve impulsionar os orgânicos. “Ele pode levar o produto ao mercado com aquele selo, e quem compra sabe que ele produziu aquilo de forma correta”, explicou, ao site do Canal Rural, o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as mercadorias que receberem o certificado devem trazer na embalagem informações detalhadas sobre a qualidade dos alimentos.

(Revista Sustenta)

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