Arquivo de Agosto de 2009

Griffe orgânica, alimentação saudável com comércio justo

Dirceu Martins de Azevedo, da redação e-Campo orgânicos

O Portal e-Campo orgânicos em parceria com Lutero Couto (PTS BRASIL - Parque de tecnologia Social) e Presidente da Orgânica 2009, com colaboração dos senhores Sérgio Moreira, Thiago Couto e Ademar Marques Castilho, passa a fazer parte da Griffe orgânica, na divulgação do conceito orgânico e da Griffe, para o Brasil e o mundo.

A Griffe orgânica a partir, de agora, conta com uma coluna no portal e-Campo orgânicos.

Coluna esta que terá a função de difundir ainda mais o conceito orgânico e os trabalhos executados pela equipe Griffe Orgânica. Sua associação ou grupo pode também ter um espaço dentro do nosso portal, entre em contato com nossa equipe.

Veja abaixo o que é Griffe orgânica e seu papel junto ao segmento orgânico.

QUEM SOMOS
A Griffe Orgânica atua no formato de Condomínio Rural e Consórcio de Exportação. É uma associação de Produtores, Cooperativas e Agroindústrias da cadeia produtiva de orgânicos com sólida rede de apoio institucional com foco na inclusão econômica e respeito ao meio ambiente.

NOSSO COMPROMISSO
Possibilitar ao produtor e agroindústria acesso ao mercado e novos canais de comercialização.

Oferecer ao consumidor variedade de produtos orgânicos para alimentação, cosméticos, moda, produtos de limpeza e de bem-estar.

Contribuir para o fortalecimento de práticas de comércio justo e consumo consciente no Brasil.

COMÉRCIO JUSTO
O comprometimento da Griffe Orgânica é proporcionar ao produtor comercialização justa e ao consumidor acesso a produtos saudáveis com preços adequados.

PROGRAMA DE QUALIDADE Q 10!

1. QUALIDADE DO PRODUTO
Oferta do melhor e mais saudável

2. QUALIDADE DA PRÁTICA AGRÍCOLA
Adoção dos princípios da agroecologia

3. QUALIDADE DA EMBALAGEM
Busca do mínimo impacto ambiental

4. QUALIDADE DE COMUNICAÇÃO
Conscientização do público frente aos orgânicos

5. QUALIDADE DO PROCESSO PRODUTIVO
Valorização do produtor e do processo produtivo

6. QUALIDADE DA FROMAÇÃO DE PREÇO
Busca do valor justo para as partes envolvidas

7. QUALIDADE DA SEMENTE
Uso de sementes puras e recusa à manipulação genética

8. QUALIDADE DO MEIO AMBIENTE
Uso correto de recursos ambientais

9. QUALIDADE ÉTICA
Respeito ao homem e mulher do campo e da cidade

10. QUALIDADE CULTURAL
Consumo consciente como expressão de estilo de vida

Griffe orgânica
Alimentação saudável com comércio justo!

APOIO:
PTS BRASIL - Parque de Tecnologia Social
SEBRAE
e-Campo orgânicos

(e-Campo orgânicos / www.e-campo.com.br)

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Agroecologia é a solução para uma produção rural sustentável

Produtores, consumidores e instituições públicas têm demonstrado, cada vez mais, o interesse em mudar a forma de produção agrícola para um sistema

Produtores, consumidores e instituições públicas têm demonstrado, cada vez mais, o interesse em mudar a forma de produção agrícola para um sistema mais sustentável e menos agressivo ao meio ambiente. Sob essa perspectiva, será realizado em Curitiba, entre os dias 9 e 12 de novembro, o VI Congresso Brasileiro de Agroecologia e o II Congresso Latinoamericano de Agroecologia.

Uma demonstração do interesse crescente em torno da Agroecologia no Brasil e na América Latina é o número de trabalhos inscritos no congresso, considerado surpreendente. Foram inscritos 1.500 trabalhos, que irão discutir, entre outros assuntos, as alternativas disponíveis para aumentar a produção de alimentos com menos dependência de pacotes tecnológicos, como insumos químicos e agrotóxicos, e com menos agressão ao meio ambiente.

Esses trabalhos foram supervisionados, esta semana, pelo professor Fabio Dal`Soglio, diretor da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo ele, num momento em que epidemias e contaminações ameaçam o mundo, governos, produtores e consumidores deveriam se preocupar mais em direcionar suas políticas públicas e investimentos para sistemas de produção de alimentos mais sustentáveis, que reduzam as possibilidades de transmissões de vírus e de bactérias.

Dal`Soglio citou, como exemplo, a pandemia de gripe suína que está preocupando o mundo inteiro. “Se houvesse menos trânsito de animais, mais criação ao ar livre, com conforto, não haveria tantas mutações de vírus como estão ocorrendo”. O professor atribuiu às grandes criações industriais, ao trânsito intenso de animais e à proximidade com o homem a transferência de vírus dos animais para os homens.

Na avaliação do professor, esse trânsito intenso de produtos acontece também na área vegetal, o que favorece a disseminação de fungos, vírus e bactérias que se transmutam e se transformam em epidemias ameaçadoras para a humanidade. Ele defende o consumo de alimentos produzidos localmente, que irá resultar numa grande economia de estrutura, combustíveis e redução de práticas que elevam o aquecimento do meio ambiente.

Segundo Dal`Soglio, a Agroecologia é uma resposta tranquilizadora a todas essas situações que o mundo está vivenciando. “Ela é uma ciência que trabalha de forma conjunta os interesses dos produtores, dos consumidores e dos cientistas, que resulta em novos comportamentos como o consumo consciente, a redução de custos do agricultor, a redução do aquecimento global, das crises econômica e ambiental. Enfim, é uma ciência que busca a solução para todos esses impasses que estão no olho do furacão das preocupações mundiais”, disse.

Para o professor, o Congresso de Agroecologia ganha importância à medida que reuna, num mesmo espaço, pessoas interessadas em discutir como praticar uma agricultura sustentável, que não agride o meio ambiente, que não suja os rios, que não agride a saúde dos consumidores, que não seja tão onerosa para os produtores. O objetivo é discutir tecnologias que orientem as comunidades a se manterem de forma sustentável e com dignidade.

A Agroecologia é a ciência que vai permitir que a Agricultura Familiar dê as respostas às crises econômica e ambiental, disse Dal`Soglio. O grande desafio do Congresso para consolidar sua prática será a discussão de vários temas importantes para a sociedade que é a discussão de um mundo melhor.

Eixos temáticos - De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), e coordenador da Comissão Técnico e Cientifica que está fazendo a avaliação dos trabalhos inscritos, Moacir Darolt, o evento está sendo organizado conforme grandes eixos temáticos. Entre eles está a segurança alimentar, agrotóxicos, transgênicos, agricultura convencional e transgênica, agroenergia, aquecimento global, saúde, comercialização, e mutações de vírus, que resultaram no que estamos vendo hoje que é essa pandemia de gripe suína. Vários temas que afetam o dia a dia das pessoas serão abordados pelos participantes.

Está sendo esperado um público em torno de 3000 pessoas, entre professores, alunos, cientistas, estudantes, agricultores, consumidores e técnicos. O congresso também abre espaços para a realização do primeiro encontro nacional de grupos de estudantes de Agroecologia, e do seminário que vai privilegiar os relatos das experiências de agricultores.

O professor Dal`Soglio defende a adoção de politicas públicas e investimentos em pesquisa e na academia para promover a produção agroecológica. “Mais escolas estão investindo na mudança de seus currículos e na formação de técnicos e especialistas”, disse. O congresso tem essa função de trazer as diferentes visões das agrociências, das ciências sociais e da veterinária, para criar novas situações para o futuro com uma agricultura sustentável, acrescentou.

No Brasil, podemos perceber essa tendência a partir de iniciativas dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que estão direcionando políticas públicas em apoio à agroecologia. “Essa é uma resposta a uma demanda que é mundial”, disse Dal`Soglio. Segundo o professor, com a falta de alimentos para muita gente, a entrada da agroecologia e a transformação do desenvolvimento rural para um sistema mais local e sustentável, estão entre as soluções disponíveis.

Isso porque a Agroecologia tem em sua base a prática da agricultura camponesa, menos dependente de pacotes tecnológicos, o que faz toda a diferença nos custos de produção, e esse é um dos objetivos do congresso, detalhou.

Para o professor, essa demanda deve ser mais intensa para atingir as politicas públicas. É possível viver de forma diferente. A questão toda é dar prioridade à produção sustentável e não ceder à pressão de produtos e tecnologias, que vão criar a dependência da agricultura. Esse é o contraponto da Agroecologia, o desafio de ser aceita na sociedade como uma ferramenta importante de independência. “A redução da dependência de insumos, respeito à natureza, à sociedade, vai na contramão dos interesses econômicos”, alertou.

Na avaliação de Dal`Soglio, o governo deve rever sua postura porque a sociedade brasileira não pode mais ficar na dependência de sistemas de produção não sustentáveis. “Estamos num momento de ter uma postura política para essa área com mais responsabilidade”, concluiu.

(HNews)

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Europeus suspendem compras de soja norte-americana por OGMs

Fontes disseram que carregamentos de farelo de soja dos EUA continham traços de milho transgênico proibido na Europa.

Washington/EUA - Compradores da União Européia voluntariamente decidiram suspender as compras de soja dos Estados Unidos depois de ter sido identificado em carregamentos do produto traços de milho geneticamente modificado, informou um porta-voz da UE em Washington.

Fontes de tradings européias disseram que carregamentos de farelo de soja dos EUA para a Espanha e a Alemanha continham traços de milho transgênico proibido na Europa.

“O setor industrial de soja decidiu por conta própria paralisar todas as compras de soja dos EUA no momento”, disse Mattias Sundholm à Reuters.

Segundo ele, há uma determinação para localizar todo o montante dos carregamentos e devolvê-los, a não ser que já tenham sido consumidos.

O porta-voz não soube dar mais detalhes, como a quantidade total com problemas, mas informou que os volumes continham traços das variedades de milho transgênico MON-88017 e MIR-604.

Representantes do governo dos EUA e de associações do setor no país não responderam a pedidos de mais informações sobre o problema.

O caso levanta preocupações sobre o fornecimento de produtos como farelo de soja para a UE.

“O principal problema é que o bloco não permite nem mesmo porções marginais, traços de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) que não estão autorizados para uso. Isso nos coloca em uma situação de risco no comércio”, afirmou um representante da Associação Espanhola de Importadores de Cereais.

Fontes disseram que 50 mil toneladas de farelo de soja norte-americano contaminado foi descarregado e isolado em Tarragona, maior porto espanhol.

Outras fontes na área de trading disseram que havia suspeita de mais contaminação e que carregamentos em outros locais seriam testados, mas não houve confirmação dessa informação.

A Europa é um grande comprador de farelo de soja, matéria-prima para a produção de animais. A Espanha compra bastante da América do Sul, além dos EUA, mas Brasil e Argentina estão chegando à entressafra.

“A Argentina não terá mais soja a partir de outubro e o Brasil está em uma situação similar. Com a China comprando 2 milhões de toneladas (por mês), soja vai se tornar um produto de luxo”, afirmou um trader. (Reuters)

(Gazeta do Povo)

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A revolução verde da agroecologia

Pequenos produtores apostam no manejo natural dos alimentos como forma de contribuir para o desenvolvimento sustentável

Elias Lascoski

O potencial do mercado brasileiro para produtos agroecológicos e orgânicos é duas vezes maior que o atual, segundo avaliação do Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. Apesar de ainda se ver poucos produtos certificados nas gôndolas dos supermercados, pequenos agricultores se mobilizam para traçarem estratégias de ampliação da produção, baseados nos preceitos da Economia Solidária, onde o que mais importa é a cooperação, a autogesão e a solidariedade dos envolvidos.

A lógica do desenvolvimento sustentável permeia toda a discussão acerca da produção agroecológica, e é algo que parte das bases. Os governos, percebendo a tendência, adotam políticas públicas de incentivo e apoio, como é o caso das novas normas sobre as especificações dos fertilizantes orgânicos, medida tomada no final de julho pelo Governo Federal que deve introduzir muitos novos produtos no mercado.

O Banco de Alimentos de Ponta Grossa desenvolve programas de segurança alimentar no município em parceria com pequenos agricultores que repassam parte da produção ao Governo Federal. De um total de seis projetos, três são de comunidades que aderiram à agroecologia. Uma dessas comunidades é o assentamento Emiliano Zapata, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST).

Nesta segunda-feira o assentamento receberá a visita de integrantes do “Instituto Equipe” de Irati, da Rede Ecovida, que farão uma vistoria na produção de verduras e legumes dos agricultores para concessão da certificação participativa (ver box). “Esta produção ajuda a ampliar o mercado de orgânicos. Quem adere à agroecologia recebe 30% a mais do governo pela produção, mas o maior benefício é na qualidade da alimentação, quando o consumidor se dá conta disso. Em Curitiba já estão faltando produtos”, afirma o coordenador do Banco de Alimentos e conselheiro Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, Roberto Mryzka.

O empresário César Tozetto, proprietário de supermercado, afirma que a procura em Ponta Grossa ainda é baixa. “Como os preços são mais altos, a maior parte dos consumidores acaba não comprando. O mercado se restringe a poucos clientes preocupados com questões de saúde e meio ambiente”, explica. O único fornecedor de orgânicos do supermercado Tozetto é uma indústria de São José dos Pinhais.

Creche opta por alimentação com produtos agroecológicos

O Centro de Educação Infantil Toca das Corujinhas, da vila Boa Vista, prioriza a alimentação natural. Com produtos fornecidos pelo Banco de alimentos, as crianças recebem três refeições por dia e, segundo a assistente social Iara Schmitz, melhoram o rendimento no aprendizado. “Pensamos na vida das crianças como um todo, e a alimentação faz parte de sua formação, pois pode determinar o futuro de cada uma delas”, afirma.

Rede nacional certifica produtos com selo ecológico

A Rede Ecovida, organização não governamental que estimula a produção de alimentos agroecológicos em todo o Brasil, estabeleceu um sistema solidário de geração de credibilidade, onde a elaboração e a verificação das normas de produção ecológica são realizadas com a participação efetiva de agricultores e consumidores, buscando o aperfeiçoamento constante e o respeito às características de cada realidade.O selo Ecovida é obtido após uma série de procedimentos desenvolvidos dentro de cada núcleo regional. Ali ocorre a filiação à Rede, a troca de experiências e verificação do Conselho de Ética. Além de garantir a qualidade do produto ecológico, a iniciativa permite o respeito e a valorização da cultura local através da aproximação de agricultores e consumidores e da construção de uma rede que congrega iniciativas de diferentes regiões.

Produtores da região precisam de apoio

Apesar de todos os programas de incentivo para a Agricultura Familiar, a falta de assistência técnica ainda é uma das maiores reclamações dos pequenos produtores. Uma das soluções seria, portanto, a união dos próprios agricultores para uma forma alternativa de produção. Foi o que aconteceu no distrito de Itaiacoca. Anônio Ostrusk optou pela produção agroecológica quando percebeu os malefícios dos agrotóxicos. ‘Cheguei a perder um rim por causa dos produtos químicos”, conta.

No início da década de 90, ele tinha uma roça em Teixeira Soares, e já aproveitava o que a natureza tinha a oferecer para produzir alimentos. Na época, entretanto, ele só pensava na redução de custos. “Era remar contra a maré. Hoje temos apoio da opinião pública, pois o consumidor começou a perceber os benefícios da alimentação natural”, explica.

A Associação Solidária da Agricultura Ecológica de Ponta Grossa e Região é uma entidade que tem como foco a produção sustentável, com a preservação do meio ambiente e desenvolvimento das famílias de agricultores. O presidente Edi Jorge de Oliveira dá o exemplo, produzindo feijão, milho e hortaliças; “São 14 famílias produzindo do jeito mais difícil, mas de forma correta. Já conseguimos convencer as pessoas que compensa produzir e consumir sem agrotóxicos”, conta.

Em Palmeira, a situação está mais adiantada. Ao todo, 11 produtores da região possuem certicifação da Rede Ecovida. Três deles comercializam seus produtos na Feira do Produtor de Ponta Grossa. Ariginaldo Riffert é um deles. “Agroecologia é vida. A gente produz menos, mas compensa, pois estamos repassando um produto natural. Temos um custo maior de mão-de-obra, mas reduzido na aquisição de insumos. É pra quem gosta do que faz”, diz o produtor.

O que é orgânico e o que é agroecológico?

A proposta da agroecologia se baseia em alternativas de produção que contemplam, basicamente, os pequenos produtores. Seus pilares se sustentam na contraposição à monocultura, à alta mecanização e à dependência de fertilizantes e pesticidas químicos. O consumo local e a distribuição de terras são suas bandeiras.

Já agricultura orgânica, que se enquadra no conceito de agroecologia, se concentra no caráter biológico, com vistas à alimentação natural. Para tanto, não se faz uso de produtos químicos e nem insumos geneticamente modificados. A ênfase está no solo saudável, buscando uma qualidade superior à dos alimentos convencionais. “É mais difícil conseguir a certificação internacional para alimentos orgânicos, pois as regras são mais exigentes. Só a descontaminação do solo pode demorar cinco anos”, explica Roberto Mryzka.

(Jornal da Manhã)

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Soja transgênica. E os lucros secaram…

Quem diria: os ganhos obtidos com a soja transgênica agora são menores do que os proporcionados pelo grão natural.

A reportagem é de Raquel Salgado e publicada pela revista Veja, 12-08-2009.

Há quinze anos, o surgimento da soja transgênica deu início a uma revolução agrícola comparável à da década de 50, quando os agrotóxicos foram introduzidos e triplicaram a produção mundial de grãos. Para desenvolver a semente geneticamente modificada, a empresa americana Monsanto introduziu no DNA da soja um gene de bactéria resistente ao glifosato, um herbicida tão potente que dispensava a aplicação de outros agrotóxicos. Ao reduzir a necessidade de aplicação de defensivos, muito caros e nocivos à saúde, a soja transgênica mostrou-se muito mais rentável do que a natural. Essa semente chegou ao Brasil de forma ilegal em 1995. Oito anos depois, seu plantio foi autorizado pelo governo. Como a soja transgênica era mais lucrativa, vários especialistas previram que ela varreria a cultura tradicional do país, como já havia acontecido nos Estados Unidos e na Argentina, os dois maiores produtores mundiais, juntamente com o Brasil. De fato, ela responde, hoje, por 58% da safra nacional. Mas, agora, apareceram entraves que ameaçam a sua expansão.

O primeiro deles é a disseminação de ervas daninhas resistentes ao glifosato. Elas reduzem a produtividade da lavoura, porque concorrem com a soja na busca de nutrientes e luz solar. Quatro anos atrás, tais pragas começaram a se espalhar pelos Estados Unidos e pela Argentina. Há duas safras, passaram a se alastrar pelas plantações brasileiras. Pelo menos quatro tipos de ervas daninhas já empesteiam os campos do país. Para evitá-las, os agricultores deveriam ter feito rodízios de cultura. Não o fizeram simplesmente porque não foram orientados adequadamente. Agora, para eliminá-las, precisam combinar o glifosato com outros agrotóxicos. “O resultado é que, nas áreas mais atingidas pelas pragas, como o norte do Rio Grande do Sul e o oeste do Paraná, o custo de produção desses grãos já é equivalente ao da soja convencional, pela qual se obtém um valor melhor no mercado”, diz Fernando Adegas, pesquisador da área de soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Esse é o segundo problema da soja transgênica no país. A Europa, um dos maiores mercados para o grão, prefere o natural. Países como Alemanha, Noruega, Bélgica e Finlândia não importam produtos oriundos de sementes geneticamente modificadas e têm-se disposto a pagar mais pela soja convencional, agora restrita a 13% da produção mundial. Atualmente, o único fornecedor em larga escala do produto é o Brasil. “Na Europa, cada tonelada de soja sem transgenia recebe um prêmio de 40 dólares. Metade deles acaba no bolso dos agricultores”, afirma José Enrique Marti Traver, diretor da Imcopa, empresa que beneficia e revende apenas derivados de sementes convencionais. Os europeus recusam a soja transgênica e outras sementes geneticamente modificadas por mera superstição. Acham que alimentos produzidos a partir deles podem fazer mal à saúde, embora nenhuma pesquisa científica, até o momento, tenha comprovado essa crendice. No mercado interno, a irracionalidade também tem encontrado um terreno fértil. Várias indústrias alimentícias, muitas delas multinacionais, deixaram de comprar não apenas soja transgênica, como também o milho geneticamente modificado, que começou a ser colhido no país na safra deste ano.

Apesar da rejeição, a Monsanto mantém o ritmo de suas pesquisas. Até 2012, o gigante americano pretende lançar no Brasil mais uma variedade de soja transgênica, que combinará a resistência ao glifosato com o combate às lagartas da soja. Os bichos morrerão se comerem a planta originada dessa semente. O novo grão, contudo, não conterá nenhuma defesa adicional contra as ervas daninhas que já assolam as culturas. A Monsanto acredita que a solução para esse problema depende apenas de uma mudança de comportamento dos agricultores. “É preciso que eles intercalem o plantio da soja transgênica com o de milho e demais culturas, para evitar que essas pragas se espalhem. As ervas daninhas que proliferam com a soja não convivem com outros grãos”, diz o gerente de segurança de produto da empresa, Luciano Fonseca. Com um aumento de mais de 50% no preço da soja nos últimos quatro anos, os agricultores brasileiros ainda resistem a fazer essa rotação, que, aliás, é indicada para qualquer tipo de lavoura. Em vez disso, alguns já substituem a soja geneticamente modificada pela convencional, para aproveitar os melhores preços pagos pelo produto. Com superstição ou não, é o mercado que comanda.

(IHU On Line)

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