Arquivo de 24 de Setembro de 2009

Riscos do cruzamento convencional entre dois eventos geneticamente modificados (GM) como simples, sem necessidade de novas avaliações

José Maria Gusman Ferraz, doutor em Ecologia, pesquisador da Embrapa

Meio Ambiente e membro da Comissão Nacional de Biossegurança – CTNBio. (ferraz@cnpma.embrapa.br)

A soma de dois eventos conhecidos nem sempre resulta na soma aritmética simples dos dois componentes isoladamente e quando se trata de eventos biológicos a interação com os aspectos ambientais pode alterar ainda mais os resultados.

Não proceder a avaliação de risco das plantas geneticamentes modificadas

- PGM com dois ou mais eventos de transformação genética (stacked
events, stacked traits, pyramidaded traits, pyramide3d genes or stacked transgenes) resulta também em negar as interações existentes entre as plantas, o meio ambiente e o tipo de manejo da cultura.

Como exemplo podemos citar a atividade do promotor CaMv 35S que responde às condições ambientais (Tesfaye et al., 2001) e que pode ser sensível aos fotoperíodos e temperaturas (Schnurr e Guerra, 2000), podendo levar a uma variação da expressão do transgene segundo o lugar de cultivo e a época de plantio. Exemplificando, se dois eventos por transgenese usam o promotor 35S para a expressão do transgene de interesse, como serão as expressões desses transgenes na PGM resultante de cruzamento clássico?
Como prever sem antes realizar avaliações destas interações?

Um outro fator importante é a metodologia utilizada para obtenção da piramidização destes eventos.

Para ser segura, as PGM stacked events necessitariam de uma avaliação da expressão dos transgenes e outros componentes do cassete de expressão, por meio de ferramentas de biologia molecular como western e northern blot, entre outras, assim como testes em condições ambientais brasileiras.

Só uma análise ex-ante pode dar informações se o uso simultâneo de dois transgenes apresenta ou não algum efeito sinérgico. Desta forma, a liberação sem o procedimento de uma análise com profundidade despreza a premissa mais elementar da pleiotropia.

Resultados publicados recentemente em um estudo encomendado pelo governo austríaco (Velimirov & Binter, 2008) nos auxiliam no debate sobre os riscos associados à liberação comercial de PGM com stacked events. Este trabalho diz respeito aos riscos do Mon810 x NK603 para a saúde. Este organismo geneticamente modificado - OGM foi obtido por cruzamento clássico entre o Mon810 e o NK603. Esse estudo levanta a hipótese de alteração da fertilidade de mamíferos, alimentados com essa nova PGM Mon810 x NK603, nas 3as e 4as gerações e, de outro lado, o estudo ressalta igualmente a importância da realização de mais pesquisas sobre os riscos para a saúde no longo prazo. Desta forma fica evidente que os testes devem ser efetuados por várias gerações para terem confiabilidade.

À luz desses resultados, é legitimo perguntar se os dados obtidos estão ligados ao tempo do estudo - é a primeira vez que se realiza um estudo multigeneracional com este prazo ou ao evento estudado contendo dois ou mais transgenes. É importante ressaltar que este foi um dos primeiros estudos que contemplam um OGM stacked transgenes.

O alerta deste estudo ressalta a importância de reforçar a avaliação de risco das PGMs para a saúde, inclusive para aquelas já liberadas comercialmente, podendo inseri-los no monitoramento dos eventos já liberados - e não monitorados até hoje à ecessidade de avaliações multigeracionais.

Desta forma, não considerar a necessidade de avaliação de risco para PGM stacked events porque os eventos já foram avaliados separadamente revela-se absurda do ponto de vista da saúde humana, notadamente no que diz respeito às áreas de alergologia, oncologia ou endocrinologia, não considerando os riscos potenciais de alergenicidade cruzada, as potencializações de fatores oncogênicos ou os efeitos sinergéticos de respostas hormonais.

Como exempo, é conhecido que algumas proteínas Cry podem estimular uma resposta imune (Kroghsbo et al., 2007 no caso de Cry1Ab e Moreno-Fierros et al., 2002; Vazquez et al., 1999 e Vazquez-Padron et al., 2000 no caso de Cry1Ac), o que poderia ampliar-se e até virar em reação alergênica caso ocorra simultaneamente resposta imune a outro elemento novamente inserido no genoma da planta. O fato que as proteínas Cry têm um modo de ação similar pode reforçar essas respostas imunes.

Trabalhos de Schrijver et al. (2007) alertam que as modificações dos níveis de expressão e as instabilidade moleculares são fontes de novos riscos para a saúde humana.

Nos casos de avaliação de risco de PGMs nos quais foram inseridas vários transgenes via transgenese, boa parte da argumentação diz respeito às respostas das comunidades faunísticas e florísticas em relação ao uso de inseticidas ou uso de herbicidas totais em pós-emergência.

As hipóteses emitidas sobre as respostas dessas comunidades de
organismos vivos no caso de liberação comercial de um evento não tem valor para um OGM que contenha dois ou mais eventos. A complexidade ecológica dessas comunidades resulta em numerosos cenários possíveis que uma avaliação de risco não permite apreender inteiramente.

Por exemplo, se uma proteína Cry, como a Cry1Ab é sintetizada pelas PGMs no campo, espera-se uma diminuição das larvas de certos lepidópteros. Se considerarmos os predadores naturais desses lepidópteros, podemos levantar a hipótese (caso se trata de predadores generalistas) que eles podem encontrar outras fontes de alimentação, como os coleópteros. Ora, se adicionamos a essa planta a faculdade de sintetizar uma proteína Cry3Ab, a outra fonte de alimentação desses predadores desaparecerá.

Esse fato não teria sido detectado (nem avaliado) nos pedidos de
liberação comercial da PGM, sintetizando a Cry1Ab nem a Cry3Ab e
tramitados independentemente.

Cabe ressaltar a inexistência de resultados de monitoramento de campo após a liberação comercial de OGMs com stacked transgenes, nem no Brasil nem em outros países, que nos dariam alguns elementos sobre a biossegurança de PGM com vários transgenes.

Por outro lado, não podemos esquecer alguns efeitos sinergéticos ligados às interações bioquímicas no solo. Estudo de Accinelli et al. (2004) mostraram que a presença de toxinas da bactéria Bt no solo favorece a persistência do glufosinato de amônio e do glifosato no solo. Nesse caso, os organismos não-alvos do solo sensíveis aos herbicidas totais no médio e longo prazo merecerão uma avaliação de risco em um prazo mais longo.

Tal fato ressalta também a importância de uma avaliação de risco
ambiental própria, caso a caso.

Riscos ou efeitos detectados após a liberação comercial de eventos
Outro argumento relevante é a identificação de novos riscos ou impactos adversos que têm sido sistematicamente detectados após a liberação comercial. Portanto, o monitoramento e a re-análise só contribui para a avaliação dos biorriscos e os interesses maiores da sociedade.

São muitos os exemplos de riscos e possíveis efeitos adversos já
detectados por cientistas independentes e não pelas agências
regulatórias. A seguir dois exemplos que ilustram esta preocupação.

Soja RR – Estudos realizados em ratos alimentados durante oito meses com
soja GM e com a utilização do glifosato mostraram anomalias da
transcrição nuclear nos hepatócitos (Malatesta et al., 2002a), no
pâncreas (Malatesta et al., 2002b) e nos testículos (Vecchio et al., 2004). Portanto, reforça-se a necessidade de realização de estudos a longo prazo de forma sistemática para se avaliar a natureza e a importância das possíveis patologias que os dados atuais não permitem concluir sobre a ausência destes impactos.

Primeiros estudos em PGM stacked events alertam para riscos - De 24 pares de ratos alocados no grupo controle (alimentados com isolinha de milho não transgênico) e aqueles alocados ao grupo GM stacked events NK603 x MON810, todas as fêmeas do primeiro grupo (100%) procriaram 4 vezes. No grupo alimentado com o GM stacked events, o número de filhos declinou com o tempo. Na quarta cria, somente 20 fêmeas procriaram.

O número médio de filhos nascidos foi sempre menor no grupo de fêmeas alimentadas com o GM stacked events, mas não estatisticamente significativo antes da terceira procriação (Velirimov e Binter, 2008). Além disso, os autores constataram que as fêmeas tratadas com milho GM sempre procriaram filhos de menor tamanho comparativamente àqueles nascidos de fêmeas alimentadas com milho de isolinhas não transgênicas.

Conclusão
Pelos argumentos apresentados, entende-se que as PGM stacked events devem ser submetidas a uma avaliação de risco completa, incluindo os riscos para a saúde humana, animal e para o meio ambiente, entre outros de biossegurança, considerando trabalhos mais recentes que alertam para alguns aspectos não disponíveis quando da sua liberação comercial.

Devem ser revistos, inclusive, as liberações comerciais com apenas um evento, mas que apresentem pelos estudos mais recentes indícios de impactos quer sejam ambientais, para a saúde humana ou animal.

Cabe ressaltar que as avaliações de risco feitas para os eventos já liberados comercialmente sempre se basearam em parte sobre hipóteses ainda não confirmadas (“é altamente provável que”, “a fauna não deveria ser danificada”, “a PGM não deveria apresentar riscos para a saúde”…),e que aglutinar duas ou mais incertezas resulta, em geral, em incertezas maiores que a própria soma ou o produto delas. Nesse sentido, cancelar a avaliação de risco para as PGM stacked events resultará numa violação ao princípio da precaução previsto no artigo primeiro da Lei n 11.105/05.

Portanto, uma ilegalidade, bem como na depreciação da fase de avaliação de risco, concretizada por uma liberação comercial.

Neste contexto, igualmente não se pode desprezar o Anexo III do
Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que determina a dependência da tomada de decisão à avaliação de risco.

Na temática das PGM stacked events, mesmo a European Food Safety
Authority - EFSA que sempre foi favorável à liberação comercial de
transgênicos, recomenda uma avaliação de risco específica.

Assim, considerando que não existem estudos ou pesquisas comprovando um risco igual ou diferente entre as PGM stacked events e as PGM portadoras de transgenes específicos inseridos por transgenese, e em coerência com o princípio da precaução que estimula a pesquisa científica no domínio da avaliação de risco e da biossegurança, é recomendável uma avaliação de risco das PGM stacked events, conforme explicitada na Resolução Normativa n°5 estabelecida pela CTNBio.

Alem dos riscos mencionados e próprios às PGM caso a caso, deverá ser dada especial atenção às possibilidade de surgimento de resistência múltiplas nas comunidades florísticas e faunísticas alvos.

Exemplos de efeitos a serem avaliados especificamente para as PGM
stacked events:
- modificações dos impactos sobre organismos alvos e não alvos;
- modificações espaço-temporal das exposições ambientais ligadas a novas
condições de uso;
- adaptações do plano de monitoramento para as PGM stacked events.

Referências bibliográficas
Accinelli, C., Screpanti, C., Vicari, A. & Catizone, P. 2004. Influence of insecticidal toxins from Bacillus thuringiensis subsp. Kurstaki on the degradation of glyphosate and glufosinate-ammonium in soil samples.

Agricult. Ecosyst. Environment 103, 497-507.
Kroghsbo, S., Madsen, C., Poulsen, M., Schroder, M., Kvist, P., Taylor, M.L. Gatehouse, A., Shu, Q.Y. & Knudsen, I. 2008. Immunotoxicological studies of genetically modified rice expressing PHA-E lectin or Bt toxin in Wistar rats. Toxicology, 245: 24-34.

Malatesta et al., 2002(a), Ultrastructural morphometrical and
immunocytochemical analyses of hepatocyte nuclei from mice fed on
genetically modified soybean. Cell Struct Funct. 27: 173-180.

Malatesta et al., 2002(b), Fine structural analyses of pancreatic acinar cell nuclei from mice fed on genetically modified soybean. Eur. J. Histochem. 47: 385-388

Moreno-Fierros, L., Garcia, N., Lopez-Revilla, R., Vazquez-Padron, R.I. 2000. Intranasal, rectal and intraperitoneal immunization with protoxin Cry1Ac from Bacillus thuringiensis induces compartmentalized serum, intestinal, vaginal and pulmonary immune responses in Balb/c mice.
Microbes and Infection 2: 885-890.

Vazquez, R.I., Moreno-Fierros, L., Neri-Bazan, L., de la Riva, G.A. 1999. Bacillus thuringiensis Cry1Ac protoxin is a potent systemic and mucosal adjuvant. Scand J. Immunol. 49: 578-584.

Vazquez-Padron, R.I., Moreno-Fierros, L., Neri-Bazan, L., et al. 2000. Characterization of mucosal and systemic immune response induced by Cry1Ac protein from Bacillus thuringiensis HD 73 in mice. Braz. J. Med.
Biol. Res. 33: 147-155.

Vecchio et al., 2004. Ultrastructural analysis of testes from mices fed on genetically modified soybean. Eur. J. Histochem. 48 : 449-454.

Velimirov, A. & Binter, C. 2008. Biological effects of transgenic maize NK603xMON810 fed in long term reproduction studies in mice.
Forschungsberichte der Sektion IV Band 3/2008.

Zolla, L. et al. 2008. Proteomics as a Complementary Tool for
Identifying Unintended Side Effects Occurring in Transgenic Maize Seeds As a Result of Genetic Modifications. Journal of Proteome Research, 7:
1850-1861

Cristina Tordin
Jornalista, MTb 28499
Área de Comunicação Empresarial
Embrapa Meio Ambiente, www.cnpma.embrapa.br
19.3311.2608

(Embrapa Meio Ambiente / www.e-campo.com.br)

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Ecocert acreditada pelo governo da Coréia do Sul

A Coréia do Sul ganha crescente importância no mundo orgânico, pelo grande potencial de trocas de seu mercado.
Diversas empresas brasileiras já mantém relações correntes com importadores e exportadores coreanos de produtos orgânicos e outras iniciam negociações que se revelam promissoras.

A ECOCERT, visando atender de forma adequada seus atuais e futuros clientes, desenvolveu intensos esforços para adequar-se a nova legislação para produção, processamento, comercialização de produtos orgânicos no mercado coreano.

Produtos orgânicos, para serem internalizados no mercado da Coréia do Sul precisam agora ser certificados por certificadora acreditada junto as autoridades do país.
A nova lei coreana estabelece dois tipos de certificação e, consequentemente, dois tipos de acreditação para as certificadoras:

1.Certificadoras acreditadas para a certificação de matérias primas;

2.Certificadoras acreditadas para a certificação de produtos processados.

Portanto qualquer produto processado somente pode ser certificado se as matérias primas que deram origem ao mesmo também o sejam, de acordo com o novo regulamento orgânico da Coréia do Sul.
Atualmente apenas duas certificadoras internacionais estão acreditadas pelas autoridades sul coreanas, ambas para produtos processados, sendo uma delas a ECOCERT.

A ECOCERT foi aprovada peloMIFAFF - Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca da Coréia do Sul como “autoridade de certificação” para “produtos processados organicamente” (registro número 5, de acordo com o”food Industry Promotion Act, artigo 24, secção 2 e Art 31) em 19.08.2009.

Para a certificação de matérias primas a ECOCERT firmou acordo com a certificadora coreana KONKUK-ICC (Konkuk International Organic Certification Center) acreditada peloMIFAFF como “autoridade de certificação” para ” matérias primas produzidas organicamente”
A KONKUK fará assim a certificação de matérias primas a partir da inspeção realizada pela ECOCERT. Os produtos processados serão inspecionados e certificados pela ECOCERT.

O mecanismo assegura economia de custos pois na mesma visita de inspeção, quando for o caso, poderemos inspecionar matérias primas e produtos processados.

Três inspetores da ECOCERT BRASIL já receberam aprovação e credenciamento pelas autoridades da Coréia do Sul. Dessa forma os produtores e empresas brasileiras já podem contar com esse serviço.

CLIQUE AQUI para ver detalhes em CERTIFICAÇÃO PARA A CORÉIA DO SUL

Para maiores informações favor contatar:
ECOCERT BRASIL
48-3232.80.33
ecocert@ecocert.com.br

(Ecocert Brasil)

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Palestra aborda vantagens do empreendedorismo sustentável

Tiago Aguiar, vencedor do reality show Aprendiz 4 - O Sócio, estará na Feira do Empreendedor em Arapiraca (AL) para dar dicas sobre negócios sustentáveis

Do Sebrae em Alagoas

Arapiraca - Negócios que investem em questões sócio-ambientais são mais admirados e têm maior chance de se diferenciar e obter sucesso. A constatação, feita por especialistas, será um dos assuntos apresentados por Tiago Aguiar, vencedor do reality show ‘Aprendiz 4 – O sócio’, no sábado (26), durante a Feira do Empreendedor 2009, em Arapiraca (AL).

Na palestra ‘Empreendedor Sustentável’, Tiago Aguiar abordará os aspectos do empreendedorismo sustentável e dará dicas de como criar um negócio que traga benefícios para o empresário e para o planeta. Tiago é proprietário da DryWash Internacional, uma empresa de lavagem de veículos sem água. Além de apresentar sua experiência como empresário, o palestrante, especializado em Negócios Internacionais pela Universidade de Nova York (NYU), falará sobre o trabalho que desenvolveu nas áreas Jurídicas e Política, da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.

Tiago faz parte dos consultores de renome nacional que estarão na Feira do Empreendedor para uma programação especial de conferências: as palestras-show. Essas palestras prometem prender a atenção da platéia não apenas pela relevância dos temas, mas também pela forma dinâmica e bem humorada com que os assuntos são abordados.

De acordo com a gerente da Unidade de Capacitação Empresarial do Sebrae/AL, Sandra Torres, as palestras-show sempre são bem avaliadas em Feiras do Empreendedor de diversas regiões do Brasil. “Além de escolher os temas mais procurados no mundo dos negócios, buscamos os palestrantes que possuem ótima avaliação junto ao público”, disse Sandra.

Além da questão da sustentabilidade abordada por Tiago Aguiar, os outros temas apresentados nas palestras show serão Inovação, Liderança e Motivação que serão ministrados, respectivamente, por Erik Penna, Carla Galo e Osmar Coutinho. As inscrições nestas palestras custam R$ 10. Os ingressos serão vendidos na Feira do Empreendedor 2009. A entrada na Feira é gratuita. Visite o site do Sebrae/AL www.al.sebrae.com.br e veja a programação completa e outras novidades da Feira.

(Agência Sebrae de Notícias)

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Próxima edição dos Seminários sobre Agroecologia será realizada em dezembro em Porto Alegre

O X Seminário Internacional sobre Agroecologia e XI Seminário Estadual sobre Agroecologia, que será realizado de 8 a 10 de dezembro, no Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, terá como tema central “produzindo sem degradar”, que será debatido a partir dos enfoques social, cultural, econômico e ambiental. Os Seminários são realizados pela
Emater/RS-Ascar, Embrapa, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Assembleia Legislativa e Governo do Estado, tendo como promotores várias entidades governamentais e não governamentais.

“Algumas palestras estão confirmadas, como a de abertura, com a agrônoma Ana Maria Primavesi, considerada uma referência na defesa da agricultura com base ecológica”, destaca um dos coordenadores do evento pela Emater/RS-Ascar, Dulphe Pinheiro Machado Neto, ao observar que Primavesi foi uma das primeiras agrônomas especialista em solos, preocupada com a questão ambiental no Brasil. “Para ela, as técnicas de plantio não deveriam competir
com as leis da natureza”, observa Dulphe.

Além de Primavesi, estão confirmados Carlos Guadarrama, da Universidade de Chapingo, que vai narrar a experiência de transição agroecológica em cultivo de flores com pequenos agricultores mexicanos; Claudia Flores, da Universidade de La Plata (Argentina), que vai falar sobre a economia da produção sustentável; Valdely Knupp, do Amazonas, que vai falar sobre o potencial econômico e cultivos agroecológicos de plantas alimentícias não convencionais; e Tarso Isaia, do Ibama do RS, que vai palestrar sobre legislação ambiental e Código Florestal.

Os coordenadores destacam que, para os Seminários realizados em Porto Alegre, em breve as inscrições estarão abertas. Eles também lembram que a realização do 6º Congresso Brasileiro de Agroecologia será de 9 a 12 de novembro de 2009, em Curitiba (PR), e conta com mais de 1.300 trabalhos nacionais e internacionais inscritos. Para maiores infornações sobre o Congresso acesse http://www.agroecologia2009.org.br .

Informações
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
51-2125-3104
www.emater.tche.br

(Emater)

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Milho transgênico é aprovado sem avaliação de risco

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a liberação comercial de três variedades de milho transgênico. Duas espécies são os chamados ‘eventos piramidados’ das empresas Monsanto e Syngenta. Sem a presença de representantes importantes da Comissão como o do Ministério do Meio Ambiente, dois dos quatro eventos piramidados que estavam na pauta foram liberados para comercialização através de um procedimento simplificado, ou seja, sem avaliação de riscos da ocorrência de efeitos adversos.

A reportagem é de Joel Felipe Guindani e publicada pela Agência de Notícias Chasque, 24-09-2009.

O argumento das empresas para a aprovação dos milhos transgenicos sem análise de risco é que as combinações já foram autorizadas anteriormente. Para a assessora jurídica da ONG Terra de Direitos, Juliana Avanci, de acordo com a Lei de Biossegurança, mesmo nesse caso é necessário fazer avaliação de riscos com os possíveis impactos na saúde humana, no meio ambiente e na economia.

“A análise feita anteriormente pode ser questionável. E agora, com essa combinação de dois ou mais eventos não se sabe o que isso acarreta ou o que essa contaminação poderá nos trazer. Então é uma ameaça a biodiversidade. Pelo principio da precaução, por não se saber das conseqüências, cremos que deva ser feita um estudo mais detalhado sobre esses possíveis impactos”, diz.

Jualiana ainda enfatiza que a forma de aprovação dos transgênicos no Brasil tem sido motivo de polêmica, já que as normas editadas pelo governo para impedir a contaminação não foram suficientes. Com a falta de controle sobre as plantações de transgênicos, os agricultores e consumidores estarão sujeitos à contaminação pelos novos eventos liberados sem saber quais serão as consequências dessas combinações.

(IHU on line)

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Agrotóxicos no seu estômago

“Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química…), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos”, escreve João Pedro Stédile, economista e integrante da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), em artigo publicado no jornal O Globo, 24-09-2009.

Eis o artigo.

Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais são muito bem pagos para todos os dias defender, falar e escrever de que no Brasil não há mais problema agrário. Afinal, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo muito lucro. Portanto, o latifúndio não é mais problema para a sociedade brasileira. Será? Nem vou abordar a injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50 mil fazendeiros, sejam donos de metade de toda nossa natureza, enquanto temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.

Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção do modelo agrícola do agronegócio.

O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muito agrotóxicos e máquinas.

Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores do interior.

Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química…), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.

As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo, tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos para seu estômago.

E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar em câncer.

Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira. Antigamente, era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo de glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.

Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.

Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno, querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.

Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado.

Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa, que é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e grandes lucros, só consegue produzir com venenos e expulsando os trabalhadores para a cidade.

E você paga a conta, com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência de venenos em seu alimento.

Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos sadios, é uma questão nacional, de toda sociedade.

Não é mais um problema apenas dos sem-terra. E é por isso que cada vez que o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio, as empresas transnacionais, seus veículos de comunicação e seus parlamentares, nos atacam tanto.

Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses deve atender a produção agrícola: apenas o lucro ou a saúde e o bem-estar da população? Os ricos sabem disso e tratam de consumir apenas produtos orgânicos.

E você precisa se decidir. De que lado você está?

(IHU on line)

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Embrapa Amapá realiza curso sobre ecossistemas da Amazônia

Macapá/AP - Floresta de várzea, campos inundados, floresta de transição e cerrado fazem parte dos ecossistemas a serem estudados no curso “Uso Sustentável dos Ecossistemas Amazônicos (USEA)”, que será realizado de 26 de setembro a 3 de outubro, resultado de uma parceria entre a Embrapa Amapá, Universidade Federal do Amapá (Unifap), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade de Frieburg (Alemanha).

A abertura do evento será às 15h do sábado (26), no auditório da Embrapa Amapá. De acordo com a coordenadora do curso, pesquisadora Eleneide Doff Sotta, estão confirmados 22 participantes, entre professores, pesquisadores e alunos de pós-graduação, do Brasil e da Alemanha.

Os ministrantes do curso são os pesquisadores Alexandre Uhlmann, Silas Mochiutti, José Antônio Leite de Queiroz, Nagib Melém, Marcelino Guedes e Ana Euler, da Embrapa Amapá; Cosme de Oliveira Junior (Embrapa Amazônia Oriental / Pará), Antônio R. Higa (Universidade Federal do Paraná) e Henrich Speaker, da Universidade de Frieburg, na Alemanha. “Os principais objetivos do curso são estudar as características naturais de clima, solo e vegetação dos diferentes ecossistemas da Amazônia e observar os usos atualmente dados a estes ecossistemas com a finalidade de buscar alternativas de uso mais sustentável”, explicou a pesquisadora.

Após as boas vindas do chefe-geral da Embrapa Amapá, Silas Muchiutti, do reitor da Unifap, José Carlos Tavares Carvalho e da coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Tropical (PPGBIO), Helenilza Cunha, serão apresentados o programa do curso e uma introdução sobre os ecossistemas amazônicos. No domingo, 27, a equipe estará no açaizal da Embrapa, localizado no município de Mazagão, para verificar as características, os usos atuais e potenciais do ecossistema de várzea.

Os participantes pernoitam em Macapá e na segunda-feira, 28, o curso prossegue com atividades no Campo Experimental do Cerrado, da Embrapa Amapá, no km 45 da BR-156, de onde seguem viagem para o distrito de São Joaquim do Pacuí. Neste itinerário, farão observações do cerrado amapaense, da floresta plantada e agro-floresta. Durante a manhã de terça-feira no Pacuí o objetivo é desenvolver o curso em uma área de produtor para verificar a utilização atual e o potencial da floresta de transição.

De acordo com o cronograma, os participantes e instrutores estarão na quarta-feira na área de vegetação da empresa Orsa Florestal, em Monte Dourado (PA), para cumprir o módulo de caracterização do ecossistema de Floresta Ombrófila Densa sob Manejo Florestal, onde os pesquisadores da Embrapa contarão com o apoio da engenheira florestal Kátia Regina Silva, responsável pelo manejo florestal da Orsa. No dia seguinte, os técnicos e demais participantes estarão na área de floresta da Jari Celulose para realizar as observações sobre plantações florestais na Amazônia.

A sexta-feira será reservada para a visita técnica aos castanhais da Reserva Extrativista do Rio Cajari, onde será estudado o ecossistema de Floresta Ombrófila Densa com castanhais. No último dia do curso, sábado (3), toda a equipe estará no auditório da Embrapa Amapá para um debate sobre os ecossistemas observados no interior do estado.

(Embrapa Amapá)

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Cachoeiro de Itapemirim começa a adquirir produtos da agricultura familiar para a alimentação escolar

Cachoeiro de Itapemirim/ES - O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, Aquicultura, Abastecimento e Pesca (Seag), e a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim oficializaram, terça-feira (22), a primeira compra no Estado de produtos da agricultura familiar destinados à alimentação escolar.

A ação está prevista na Lei 11.947/09, que determina a utilização de, no mínimo, 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) na compra de produtos da agricultura familiar para a alimentação escolar.

O evento aconteceu no Galpão da Merenda Escolar, espaço onde os alimentos vão ficar antes de serem distribuídos para as 64 escolas municipais, que começam a ser beneficiadas imediatamente. A cerimônia marcou a chegada da primeira remessa dos produtos.

Nesta primeira etapa, nove itens foram adquiridos, totalizando R$ 43,48 mil. São eles: couve, taioba, abóbora, cebolinha, feijão, alface, salsa, banana e até leite de cabra. A prefeitura é a entidade executora da ação, e o Incaper, a entidade articuladora, ou seja, a responsável técnica pela elaboração do projeto de venda e pela assessoria da articulação do grupo informal (agricultores) com a entidade executora (prefeitura).

Valorização
Segundo o diretor-presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo, esse incentivo vai permitir a valorização dos produtores locais e, consequentemente, o desenvolvimento social da região. “Isso aumenta a circulação dos produtos no âmbito local, fornece dinamismo à economia regional e ainda possibilita a desconcentração da renda”, observou.

O prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione, disse que a iniciativa é boa tanto para a criança, que passa a ter acesso a alimentos de primeira qualidade, de boa procedência e mais diversificados, quanto para os produtores, que terão uma alternativa para comercializar seus alimentos.

O secretário municipal de Desenvolvimento Rural, José Arcanjo Nunes, lembrou que a lei começa a valer a partir do próximo ano, mas Cachoeiro quis adiantar o investimento. “Em junho, a publicação da lei federal nº. 11.947 fortaleceu a iniciativa da Prefeitura. Queremos investir na agricultura para desenvolvermos o interior do nosso município”.

Para a produtora de leite de cabra, Patrícia Donna Zorzanelli, que passa a fornecer o produto à Prefeitura, a oportunidade de negócio aumenta a expectativa de crescimento da produção. “Forneci, inicialmente, 200 litros, mas pretendemos ampliar até o rebanho, pois agora temos mercado garantido”, comemora.

O Programa
Os 30% do orçamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para 2009 correspondem a um montante estimado em R$ 600 milhões. Esses recursos devem ser aplicados, obrigatoriamente, na aquisição de produtos da agricultura familiar.

Acredita-se que essa medida beneficiará diretamente em torno de 250 mil famílias agricultoras. Com a lei, a previsão é de que por volta de 47 milhões de alunos da rede pública de ensino de todo o País terão a oportunidade de consumir produtos oriundos da agricultura familiar.

Agricultura familiar no Brasil
A agricultura familiar responde por 70% de alimentos consumidos pelos brasileiros. Os principais itens produzidos pelos agricultores familiares são: mandioca, cebola, frango, alface, feijão, banana, caju, melancia, abacaxi, tomate, milho, uva e batata, além de leite e derivados da cultura de suínos. No Brasil, 85% dos estabelecimentos rurais, em média, são de agricultores familiares (o que corresponde a 4,1 milhões).

Espírito Santo
O Estado possui 77 mil propriedades familiares, o que representa 77% do total de produtores, e ocupa 220 mil pessoas. A atividade abrange 40% da área rural capixaba e gera 56% do Valor da Produção Agropecuária Capixaba. Além disso, responde por 66% da produção de cereais e olerícolas; 60% do café; 57% da produção de frutas; e a 42% da produção de leite.

Confira o que foi comprado:
- Abóbora – 10 mil quilos
- Banana prata – 5 mil quilos
- Cebolinha – 9 mil maços
- Couve – 7.200 maços
- Salsa – 300 maços
- Taioba – 5.420 maços
- Leite de cabra – 9 mil litros (especificamente para crianças que possuem intolerância ao leite de vaca)
- Alface – 7.200 pés
- Feijão – 8 mil quilos

(Governo do Espírito Santo)

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