Laranja orgânica certificada de Capitão-Poço é exportada

Capitão-Poço/PA - Sete produtores de laranja orgânica de Capitão-Poço, no nordeste paraense, já certificados (um pelo Instituto Biodinâmico, IBD, e os outros pelo Ecocert - ambas certificadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mapa), estão vendendo a safra para uma empresa catarinense, que exporta suco para o Oriente Médio.

O processo de certificação, que em geral é custoso e demorado, foi todo intermediado pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), em parceria com a prefeitura.

Seis dos produtores assinaram contratos da modalidade “guarda-chuva” com a exportadora para que a indústria patrocinasse a certificação em troca da prioridade na compra das laranjas. “Essa, de algum modo, ainda é a única opção de garantia de mercado para o pequeno produtor, já que a certificação custa em torno de R$ 15 mil, um preço muito alto para o agricultor familiar, e o selo ainda precisa ser renovado anualmente”, justifica o engenheiro agrônomo Jerry Siqueira, chefe do escritório local.

Ele explica, também, que a atividade é rentável para o agricultor familiar, constituindo-se numa ótima opção de diversificação da produção: “A crise mundial abalou bastante a cotação do suco de laranja, mas a citricultura continua sendo um bom negócio, ainda mais quando orgânica, em que o preço pago ao produtor chega a 30% mais”, diz.

“Um dos nossos principais desafios é organizar essa comercialização, por meio de associativismo e cooperativismo. Há muita resistência dos agricultores em se agrupar, por uma questão cultural mesmo. Conseguimos estimular a criação de 30 associações, mas nenhuma está funcionando a contento. Batalhamos para mudar essa realidade, admitindo que esse processo de conversão não é fácil”, lamenta.

Observação
O cultivo de frutas cítricas sempre foi a principal atividade agrícola do município, mas, até 2005, o modelo utilizado era somente o convencional, com o uso de adubos e defensivos químicos. “A Emater deu início, então, a uma espécie de questionamento entre o processo produtivo tradicional e o processo agroecológico, agora amplamente difundido pela extensão rural”, conta Jerry Siqueira.

No mesmo ano, foi instalada na região a primeira Unidade de Observação de Produção Agroecológica de laranjas, na propriedade do agricultor Bonifácio Ramos. Outras duas já funcionam. O objetivo das unidades é observar o comportamento das plantas de laranja no que diz respeito à produtividade e economicidade sob um manejo diferenciado.

A alimentação do cultivo se dá por compostagem orgânica (com material coletado na própria comunidade); o trabalho fitossanitário, a partir de produtos alternativos, como alhol (composto de alho, álcool e água) e tucupi; e o controle de ervas daninhas, apenas com roçagens entre as linhas de plantio.

Atualmente existem cerca de 55 hectares de laranja orgânica plantada em Capitão-Poço, que rendem uma safra anual de 500 toneladas, vendidas para a indústria exportadora e para supermercados e feiras da região Guamá e da capital Belém.

Os projetos de produção agroecológica no município andam tão fortalecidos que, ano passado, de 27 a 29 de setembro, Emater e parceiros realizaram a II Semana da Citricultura, reunindo 400 pessoas em ciclos de palestras, oficinas e visitas técnicas. A próxima edição do evento, que é bianual, está prevista para 2010.

(Governo do Pará / www.e-campo.com.br)

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