Arquivo de 6 de Outubro de 2009

O México é o maior produtor de alimentos orgânicos da América Latina

México - Mais saudáveis para a saúde, como o Café, cacau, hortaliças, bananas, limão, entre outros, seriam alguns dos alimentos orgânicos que o México é líder na sua produção.

Devido aos altos custos dos fertilizantes e inseticidas, os agricultores viram-se obrigados a optar por outra alternativa para ajudar o crescimento de seus cultivos, fazendo do México líder na produção orgânica dentro de toda américa latina.

Cabe destacar que, os cultivos orgânicos são enriquecidos mediante a elaboração de compostos com a finalidade de trazer e dar ao solo os nutrientes que ele repassa aos alimentos.

Entre os métodos agrícolas tradicionais utilizados estão, o sistema de terraços e o sistema de barreiras naturais para evitar a erosão dos solos.

Segundo o pesquisador de Projetos de Agricultura Orgânica, William Gamboa, neste momento está ocorrendo a vanguarda da produção orgânica. “os produtos orgânicos não somente tem a ver com o impacto para o melhoramento ambiental, com também para a saúde, ao consumir alimentos sem agroquímicos”, afirmou.

O especialista assegurou que apesar da liderança do México, “tem muitas coisas por fazer, há falta de uma filosofía e cultura sobre a produção orgânica”, disse, acrescentando que não utilizar agroquímicos também limpa o meio ambiente.

Cabe destacar que o México, com 150 mil produtores de alimentos orgânicos e meio milhão de hectáres dedicadas a seu cultivo, é também o primeiro produtor de café orgânico do mundo.Por sua vez, exporta produtos orgânicos para países como Japão, Alemanha, Holanda, Espanha, Argentina e Estados Unidos.

(www.organicsa.net)

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Rede oferece orgânico a preço menor

Grupo organizado por ONG oferece 40 tipos de produtos a consumidores cadastrados.

Piracicaba/SP - Produtos orgânicos com preços ate 60% mais baratos que encontrados na iniciativa privada, podem ser comprados na Rede de produtores e consumidores Responsáveis, grupo organizado pela ONG Instituto Terra Mater.

Os consumidores cadastrados no instituto recebem no início de toda semana, uma lista de produtos disponíveis, e podem efetuar o pedido até o final da mesma semana. Na semana seguinte os agricultores entregam empregam os produtos num ponto próximo a ESALQ (Escola superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

Segundo o diretor de relações institucionais do Terra Mater, André Toshio Villela Iamamoto, um suco de uva encontrado no mercado por cerca de R$ 13,00, pode ser comprado na rede por R$ 8,00.

Além do suco podem ser adquiridos mais de 40 tipos de produtos, dentre eles verduras, legumes, ovos, mel, banana, abacate, cogumelos, brotos, pães, leite, iogurtes e alimentos processados.

A rede recebe entre 25 e 30 pedidos por semana, que são atendidos por nove famílias produtoras da região de Piracicaba e pelo Centro Ecológico Flora Guimarães Guidotti da Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz). Atualmente são comercializados, em média, R$ 600,00 semanais. “O potencial para comercialização varia entre os produtores, mas quase a totalidade deles teria produtividade suficiente para entregar a mesma quantidade de produtos todos os dias”, informou Iamamoto.

Além do preço mais barato por conta da ausência de atravessadores, já que a venda é feita direta do produtor para o consumidor, a compra pela rede tem outros atrativos. O diretor da ONG destaca que o sistema de venda alavanca a agricultura familiar numa região canavieira. Estimula o diálogo entre produtores e consumidores e diminuí o uso de sacolas plásticas e embalagens.

A oportunidade da compra de produtos orgânicos teve dois aspectos positivos para a consultora de vendas, Karen de Jorge, residente no bairro São Judas, a chance de comprar alimentos livres de e agrotóxicos e pesticidas e a comodidade de fazer o pedido com antecedência. “Tenho uma filha pequena, e sei que alimentos como cenoura e tomate tem muito agrotóxico. Assim consigo evitar que ela consuma alguns tipos de porcaria.

O instituto mantém a Rede deste Julho de 2007.

Mais informações sobre o instituto podem ser obtidas pelo site:http://www.terramater.org.br/rede
e-mail: rede@terramater.org.br

(Instituto Terra Mater)

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Estudo da Esalq avalia cultivares de batata para produção orgânica

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, uma pesquisa avaliou cultivares de batata nacionais e estrangeiras para o sistema orgânico de produção. “Na atualidade, é limitado o esforço de pesquisa enfocando fertilização, adaptação de cultivares e manejo de pragas e doenças para sistemas orgânicos de cultivo da batata. Em geral, a produtividade na produção orgânica de batata é menor em comparação à obtida no sistema convencional, devido a cultura estar sujeita à inúmeras pragas, doenças e distúrbios fisiológicos”, revela o agrônomo Fabrício Rossi.

Sob orientação do professor Paulo César Tavares de Melo, do Departamento de Produção Vegetal da Esalq, Rossi concluiu a pesquisa Cultivares para o sistema orgânico de produção de batata. No estudo foi observado o potencial produtivo e qualidade, em condições de campo, sujeitas ao ataque de pragas e doenças. Durante dois anos, o pesquisador conduziu experimentos na Estação Experimental Agroecológica do Pólo Regional do Leste Paulista da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Monte Alegre do Sul, e no Sítio Orgânico Pereiras, em Socorro, ambas no interior de São Paulo.

Foram colocadas em análise 14 cultivares convencionais e mais 4 clones avançados, com intenção de identificar aqueles que apresentassem maior produtividade, além dos níveis de resistência à requeima e à pinta-preta, ambas doenças fúngicas. Rossi reforça que a requeima é a doença mais problemática para a produção orgânica de batata, visto que ela reduz a área foliar e o ciclo vegetativo, comprometendo a produtividade.

ALTO POTENCIAL

Os resultados mostraram que os genótipos apresentam alto potencial produtivo e aptidão para sistemas orgânicos de cultivo nas condições experimentais às quais foram submetidos, com destaque para Apuã, Monte Alegre 172, Itararé e os clones avançados APTA 16.5, APTA 21.54 e Ibituaçú. As cultivares Apuã, Aracy, Catucha, Monte Alegre 172 e o clone Ibituaçú apresentam elevado nível de resistência à requeima. Já com relação à pinta-preta, apresentaram maior resistência os genótipos APTA 16.5, Apuã, Aracy, Aracy Ruiva, Éden e Ibituaçú e Monte Alegre 172.

Outra informação importante aos produtores é que a cultivar Cupido apresentou, em cultivo orgânico, alto potencial de produtividade comercial, maior produção de tubérculos graúdos sob moderada incidência de requeima, destacando-se ainda pelo aspecto visual dos tubérculos.

“Algumas cultivares e clones avançados, obtidos pelo setor público, revelam potencial para ampliar de imediato a sua participação no segmento da bataticultura orgânica”, salienta Rossi. O pesquisador lembra ainda que esses genótipos são considerados “rústicos”, ou seja, menos exigentes em insumos, e exibiram desempenho bastante satisfatório em rendimento comercial e resistência a doenças.

“Convém destacar, no entanto, que a produção de batatas-semente de origem orgânica ainda não existe no Brasil em escala comercial, ou são provenientes do sistema convencional ou são produzidas pelo próprio produtor rural, o que pode ser um entrave técnico para o futuro da bataticultura orgânica”, ressalva o agrônomo.

MAIS INFORMAÇÕES
Agrônomo Fabrício Rossi
Telefone: (19) 3421-1478
E-mail: rossi@mereonet.com.br

(Agência USP de Notícias)

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Adubação orgânica na produção do arroz

Nova Veneza/SC - Na região Sul de Santa Catarina, projeto de pesquisa envolve técnicos e produtores para avaliar o uso da adubação orgânica na cultura do arroz irrigado. A iniciativa busca alternativas para diminuir os custos de produção na atividade por meio do uso de adubos orgânicos, como a cama de aviário, disponível em muitas propriedades rurais.

O agricultor Euclides Carminatti é produtor de arroz na Comunidade São Bonifácio, município de Nova Veneza. Todo ano, ele planta 40 hectares e obtêm uma produtividade de 145 sacas por hectare. Na opinião de Euclides, os resultados são bons, mas o que desanima são os custos de produção, sempre mais altos. “Se a gente puder economizar na compra de adubos, já é um bom negócio”, afirma o produtor.

Euclides faz parte de um grupo de quatro produtores dos municípios de Nova Veneza e Forquilhinha que aceitou o desafio de participar do Projeto de Pesquisa Participativa, conduzido pela Epagri e Projeto Microbacias 2. As propriedades apresentam diferentes realidades quanto à disponibilidade de água, tipo de solo, manejo da plantação e época de colheita do arroz.

O engenheiro agrônomo da Epagri de Forquilhinha, Volnei João Meller informa que o projeto surgiu da necessidade de dados de maior confiabilidade sobre a utilização do adubo orgânico na produção de arroz. “Como o Microbacias 2 disponibilizava recursos para um trabalho de pesquisa, elaboramos um projeto com o objetivo de organizar melhor as informações sobre o uso da cama de aviário na lavoura de arroz, envolvendo os produtores no processo da pesquisa”, complementa o agrônomo.

A busca pelo aumento da produtividade tem causado uma dependência dos agricultores em relação ao uso de adubos químicos. A preocupação dos técnicos é encontrar alternativas que possam suprir as necessidades do solo, utilizando-se para isso recursos disponíveis nas propriedades rurais. O engenheiro agrônomo da Epagri de Nova Veneza, Paulo Roberto da Costa Nunes reforça a importância da auto-suficiência do produtor, já que as reservas de fósforo e de potássio no mundo inteiro estão se esgotando.

Para Paulo, dentro de poucos anos o agricultor vai ter dificuldade para adquirir adubos químicos, enquanto que a oferta de adubo orgânico, como a cama de aviário e o esterco de suínos, é abundante na região. “O uso desses adubos, além de baixar os custos de produção, nos prepara para esse gargalo que certamente teremos logo, logo” assegura.

Joelcy Lanzarini, técnico agrícola da Epagri, em Forquilhinha, explica que nem sempre produtividades mais altas significam maiores lucros para quem produz. Em avaliações feitas junto aos produtores, ele tem observado que muitos estão desperdiçando dinheiro. “Eles têm um sócio que fica com parte de seu trabalho”, diz o técnico, referindo-se ao dinheiro que os produtores deixam no comércio, pela compra de insumos. “É com este enfoque que trabalhamos fortemente, fazendo um mapeamento da fertilidade do solo e controle desta fertilidade da maneira mais econômica possível, como é o caso da adubação orgânica. Assim, certamente, o produtor vai ter um rendimento melhor ao final da safra”, conclui o técnico.

Para mais informações, entre em contato com os Escritórios Municipais da Epagri de Forquilhinha (48) 3463 4112 e de Nova Veneza (48) 3436 1039.

(Epagri / www.e-campo.com.br)

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Anvisa apreende 1 milhão de quilos de agrotóxicos na Syngenta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou cerca de 1 milhão de quilos de agrotóxicos com irregularidades e adulterações, na fábrica da empresa Syngenta, de origem suíça, em Paulínia (SP). Os problemas foram encontrados após fiscalização da Agência, realizada na última semana.

Após três dias nas instalações da maior empresa em vendas de agrotóxicos no Brasil e no mundo no ano de 2008, a equipe da Anvisa encontrou várias irregularidades na importação, produção e comércio de produtos agrotóxicos. A ação contou com apoio da Polícia Federal.

Do total de produtos interditados, 600 mil kg correspondiam a agrotóxicos e componentes com datas de fabricação e de validade adulteradas. Esses produtos não poderão ser utilizados ou comercializados até que se restituam as datas verdadeiras de produção e de validade.

A empresa também foi autuada por destruição total das etiquetas de identificação de lote, data de fabricação e de validade do agrotóxico Flumetralin Técnico Syngenta, igualmente interditado. Vários lotes do mesmo produto também foram interditados por apresentarem certificado de controle de impurezas sem assinatura, data da sua realização ou com data de realização anterior à produção do lote analisado.

O controle de impurezas toxicologicamente relevante no Flumetralin Técnico é obrigatório uma vez que tais impurezas são reconhecidamente carcinogênicas e capazes de provocar desregulação hormonal. Também foram interditados todos os lotes do produto PrimePlus, formulados com os lotes interditados do Flumetralin Técnico.

Outro produto técnico interditado com o certificado de análise insatisfatório (sem assinatura e sem a quantidade real de ingrediente ativo) foi o Score Técnico. Já o agrotóxico Verdadeiro 600 teve as embalagens interditadas por confundir o agricultor quanto ao perigo do produto. Apesar de ser da classe toxicológica mais restritiva, as cores dos rótulos do referido agrotóxico induziam o agricultor a concluir que o produto poderia ser pouco tóxico.

A Syngenta também foi autuada por venda irregular do agrotóxico Acarmate (Cihexatina). A fiscalização da Anvisa identificou que o produto, com venda restrita ao estado de São Paulo, era comercializado para outros estados.

A empresa foi notificada, ainda, a efetuar alterações no sistema informatizado que possui, de modo que seja possível controlar efetivamente, lote a lote, a quantidade dos componentes utilizados nos Produtos Formulados. Dentro de 30 dias, a empresa está sujeita a nova fiscalização para verificação do cumprimento das condições estabelecidas na notificação.

As infrações encontradas podem ser penalizadas com a aplicação de multas de até R$ 1,5 milhão e com o cancelamento dos informes de avaliação toxicológica dos agrotóxicos em que foram identificadas tais irregularidades. Em caso de possibilidade de outras infrações além das administrativas, a Anvisa encaminha representação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF) para possível investigação criminal.

ADULTERAÇÃO

Agrotóxicos são produtos com alto risco para saúde e meio ambiente e, por isso, sofrem restrito controle de três órgãos de governo: Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Alterações na fórmula desses produtos aumentam significativamente as chances do desenvolvimento de diversos agravos à saúde como câncer, toxicidade reprodutiva e desregulação endócrina em trabalhadores rurais e consumidores de produtos contaminados.

Só este ano, a Anvisa já apreendeu, 5,5 milhões de litros de agrotóxicos adulterados. As fiscalizações ocorrem, principalmente, quando são identificados indícios de irregularidades nos produtos acabados.

(Anvisa)

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Feira Brasil Rural Contemporâneo começa dia 07 de Outubro no Rio de Janeiro

O Brasil Rural Contemporâneo é a sexta edição da Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária.

O evento que retorna ao Rio de Janeiro é o maior espaço de exposição e venda de produtos da agricultura familiar na América Latina.

As cinco edições anteriores - quatro em Brasília (DF) e uma no Rio de Janeiro - reuniram 2.350 empreendimentos agroindustriais e artesanais, movimentaram R$ 40 milhões em vendas diretas e Rodadas de Negócios, que promovem negócios diretos entre empreendimentos da agricultura familiar e grupos compradores de redes de supermercados, hotéis e restaurantes.

Nas cinco edições, mais de 600 mil pessoas visitaram os estandes, compraram e saborearam produtos e se divertiram com espetáculos e apresentações culturais.

25 mil metros quadrados de área
O Brasil Rural Contemporâneo ocupa 25 mil metros quadrados na Marina da Glória.

A produção de agricultores familiares e assentados da reforma agrária de todo o País será exposta em cinco ambientes regionais, ocupados por 27 estandes coletivos estaduais de expositores das regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste, Sudeste e Sul.

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Milhões de famintos a mais no futuro

Stephen Leahy, da IPS

Alimentos exorbitantemente caros e milhões de famintos a mais serão parte do obscuro futuro da humanidade se não forem adotadas ações concertadas contra a mudança climática e feitos mais investimentos na agricultura, alertam especialistas do Instituto para a Pesquisa de Políticas alimentares Internacionais (IFPRI). A devastadora seca que a África oriental sofre atualmente, com milhões de pessoas à beira da inanição, é uma prévia de nosso futuro, sugere novo estudo sobre os impactos da mudança climática.
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“Vinte e cinco milhões a mais de crianças estarão desnutridas em 2050 devido aos efeitos da mudança climática”, como redução dos campos de cultivo, falta de colheitas e altos preços dos alimentos, concluiu o IFPRI. “De todas as atividades econômicas humanas, a agricultura é de longe a mais vulnerável à mudança climática”, alertou o coautor do informe, Gerald Nelson, economista do instituto, que tem sede em Washington e dedica-se a temas referentes a pobreza e fome.

As inundações e as secas registradas últimas semanas acrescentam um clima de urgência à 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá entre 7 e 18 de dezembro em Copenhague. O objetivo deste encontro na capital dinamarquesa é chegar a um novo acordo obrigatório de redução de emissões contaminantes que suceda o Protocolo de Kyoto, que vencerá em 2012.

O informe “Quantificando os custos da adaptação agrícola à mudança climática”, do IFPRI, assegura ser “a mais completa avaliação do impacto” do aquecimento global “na agricultura até esta data”, porém, pesquisadores admitem que não há forma de quantificar todas as repercussões que terá a transformação dos padrões climáticos no fornecimento de alimentos. Um elemento-chave na agricultura é saber o melhor momento para semear. Mas, uma das conclusões recentes mais contundentes da ciência é que o aquecimento do planeta produzirá um significativo aumento da variação climática.

Isto significa que extremos como seca ou inundações ocorrerão mais frequentemente ou por mais tempo, e as mudanças radicais de temperatura serão mais prováveis. O passado já não é um guia confiável para os agricultores porque as condições fundamentais da atmosfera mudaram em razão do dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Nelson disse à IPS que o informe do IFPRI é uma “estimativa conservadora” dos potenciais impactos, e não inclui as possíveis pestes e enfermidades; perda de terra cultivável devido à elevação do nível do mar; ou de água, pelo derretimento das geleiras.

O enorme sistema de glaciais do Himalaya, o maciço montanhoso de Hindu Kush e a Meseta Tibetana, é a principal fonte de água para 1,3 bilhão de pessoas na Ásia. Estudos recentes, como informou a IPS, revelam que estes glaciais diminuem mais rápido do que os existentes em qualquer outra parte do planeta e poderão estar completamente derretidos até 2035, segundo a Comissão Internacional sobre Neve e Gelo de Katmandu (Nepal). “Ocorre uma veloz redução das geleiras na região”, disse à IPS Charles Kennel, do Instituto de Soluções para Sustentabilidade, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

Uma situação semelhante agora é evidente na América do sul, onde os enormes glaciais que fornecem água a dezenas de milhões de pessoas, quando não a centena de milhões, estão derretendo. Inclusive, o estudo do IFPRI não contempla a futura expansão dos biocombustíveis e dos cultivos bioenergéticos, que ocuparão algumas terras que hoje são usadas para produzir alimentos. Mesmo sem essas adicionais, e consideráveis, pressões sobre a produção alimentar mundial, o estudo do IFPRI estima que até 2050 os campos de trigo irrigados terão diminuído 30%, e os de arroz 15%.

É normal esperar um aumento dos preços dos alimentos em um prazo de 40 anos, mas, om a mudança climática estes dispararão: os do trigo entre 170% e 194%, do arroz entre 113% e 121%, do milho entre 148% e 153%, segundo o informe do IFPRI. As nações em desenvolvimento serão as mais afetadas pela mudança climática, e sofrerão maior redução de seus cultivos e de sua produção do que as do Norte industrializado, afirma o estudo. Os efeitos negativos da mudança climática são especialmente pronunciados na África subsaariana e Ásia meridional.

“A agricultura é extremamente vulnerável” ao aquecimento global “porque depende do clima”, acrescenta. “Os pequenos produtores nos países em desenvolvimento serão os que mais sofrerão”, disse o diretor da Divisão de Meio Ambiente e Tecnologia da Produção do IFPRI, Mark Rosegrant, coautor do informe. Entretanto, grande parte deste cenário pode ser evitada com uma ação decidida contra a mudança climática e “US$ 7 bilhões ao ano em investimentos adicionais em produtividade agrícola para ajudar os produtores a se adaptarem aos efeitos”, disse Nelson. Esses investimentos devem ser destinados à pesquisa agrícola, melhoria da irrigação e criação de infraestrutura que facilite o acesso dos agricultores pobres aos mercados, acrescentou.

De acordo com diversos especialistas, o financiamento da pesquisa agrícola pública caiu na última década. Atualmente, todo o orçamento do Grupo Consultivo sobre Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR) é inferior a US$ 500 milhões, disse Nelson. Criada em 1971, o CGIAR é uma aliança global de pesquisadores, governos e grupos da sociedade civil que mobiliza cientistas em benefício dos pobres. “No passado, se havia investimentos em pesquisa agrícola, diretamente tinham como resultado um impulso da produtividade”, afirmou Nelson.

São necessários investimentos do governo para proporcionar bens públicos, como sementes melhoradas, irrigação mais eficiente e infraestrutura, afirmou, e alertou para o perigo de buscar soluções mágicas. A agricultura é específica a cada lugar, e “muito mais complicada do que a ciência dos foguetes”, acrescentou. Nelson defende a agricultura tradicional de pequena escala, mesma conclusão a que chegou a Avaliação de Ciência Agrícola e Tecnologia para o Desenvolvimento, apresentada em 2008. “A agricultura tradicional deveria ser apoiada e suas técnicas amplamente compartilhadas quando funciona, não apenas por ser tradicional”, ressaltou.

Mas a fatura da segurança alimentar depende muito mais de sementes e campos. Durante 30 anos, as nações agrícolas industrializadas na Europa e América do Norte inundaram com alimentos altamente subsidiados os países pobres, com efeitos devastadores nos sistemas alimentares locais, disse Michel Pimbert, diretor do programa de agricultura e biodiversidade do Instituto para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, com sede em Londres.

Essas políticas nacionais e internacionais devem ser transformadas a favor da “soberania alimentar”, respeitando os diversos, locais e autônomos sistemas alimentares, disse Pimbert à IPS. O chamado do IFPRI para investimento de US$ 7 bilhões tampouco garante que todos os impactos negativos serão superados, reconheceu Nelson, mas, alertou que se as coisas continuarem como estão “haverá desastrosas consequências para a raça humana”. IPS/Envolverde

(Envolverde/IPS)

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