10° Festival Biodomenica em várias cidades italianas

Um domingo inteiro dedicado aos produtos orgânicos, o festival Biodomenica, agora em sua décima edição, foi organizado outra vez no dia 4 de outubro em muitas cidades italianas.

O evento é organizado pela AIAB (Associação Italiana para a Agricultura Orgânica) em colaboração com a organização Coldiretti de agricultura e a organização ambiental Legambiente.

De Milão a Catania, de Roma à Bolonha e ao Cagliari, em cerca de 60 cidades principais italianas, milhares de fazendeiros foram às ruas para mostrar ao mundo o cultivo orgânico e para indicar - com carrinhos e provas - seu produto local e sazonal. O objetivo é incentivar o diálogo entre os fazendeiros e os consumidores, assim criar a consciência das técnicas de produção e das práticas de cultivo a favor do meio ambiente, que assegura uma distribuição equilibrada dos recursos e da sua preservação para futuras gerações.

As estatísticas confirmam que o alimento orgânico é cada vez mais bem sucedido entre os consumidores italianos, com um aumento de 7.4% no primeiro semestre de 2009.

“Este festival prova à maturidade da indústria orgânica italiana” – disse o presidente da AIAB Andrea Ferrante - e está agora pronta para responder pela maior parte dos pedidos dos consumidores de uma dieta saudável.

Este Festival realiza-se ao mesmo tempo em que igualmente as administrações públicas escolhem produtos orgânicos para as cantinas das escolas e dos hospitais: uma petição foi lançada em muitas cidades italianas. “O sucesso deste festival mostra que o interesse dos italianos no alimento orgânico de qualidade não cai mesmo em período de crise econômica” - disse o Sr. Vittorio Cogliati Dezza presidente da Legambiente -. “Agora é necessário que as administrações públicas e o governo central façam investimentos sérios para facilitar o acesso do consumidor à compra do alimento orgânico, valorizando o papel do cultivo orgânico”.

(www.biodomenica.it)

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Produtores orgânicos se associam para receber certificação

A partir de 2010, o selo de certificação dos alimentos orgânicos será obrigatório, seguindo política do governo federal. Por isso, a associação dos produtores é uma alternativa para que pequenos agricultores possam arcar com as despesas da certificação.

Segundo o Sebrae-RJ, trabalhando de forma participativa, os agricultores podem reduzir pela metade os custos com o processo. A entidade fez um mapeamento dos pequenos produtores fluminenses, em cinco pólos agrícolas do RJ. O resultado foi que 70 agricultores estão aptos a receber o selo.

O grupo de agricultores vai ratear o valor da visita técnica, enquanto o Sebrae ajudará na infraestrutura. De acordo com Antonio Batista, gestor do setor de agronegócios do Sebrae-RJ, com o selo esse grupo de agricultores pode ampliar em 40% o número atual de produtores de alimentos orgânicos certificados em todo o Rio.

Com mais produtos no mercado, a tendência é que os preços caiam.

(Valor Econômico / Equipe Malagueta)

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Cooperativa de Mato Grosso diversifica produtos da agricultura familiar

Com suporte técnico da Arca Multiencubadora, localizada no campus da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), a Cooperativa dos Pescadores e Artesãos de Pai André e Bonsucesso (Coorimbatá) trouxe pela primeira vez para a Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária produtos típicos brasileiros, mas com um diferencial: valor agregado.

É o caso da mandioca chips, usada como tira-gosto. “A mandioca é um produto da agricultura familiar que a gente tenta fazer chegar à gôndola dos supermercados de outra forma e não sob a forma tradicional de farinha ou para consumo na mesa direto”, disse o consultor técnico da Arca Mutiencubadora, Godfrey Kibuuka.
Ele explicou que, muitas vezes, a batata que é oferecida no mercado como salgadinho é transgênica, leva agrotóxicos pesados e passa por processos industriais mais aprimorados.

O tipo de mandioca usada pela cooperativa é produzida para consumo das próprias famílias e uma parte é vendida para o mercado local. A Arca Multiencubadora ensinou às 58 famílias cooperadas o processamento da mandioca e também da banana, tentando fazer banana chips e a banana palha. “São produtos que você normalmente vê com a batata inglesa. A vantagem ao usar produtos da agricultura familiar é que não têm agrotóxicos.”
A Coorimbatá recebe apoio da Petrobras e tem o intuito de estender o trabalho técnico e social da população assistida a outras associações e cooperativas matogrossenses.

Godfrey Kibuuka destacou que os produtos representam para os cooperados o pagamento justo pela matéria-prima. A castanha fabricada pelos índios do noroeste do estado, por exemplo, utilizada na fabricação de salgadinhos variados, consegue agora, por meio do trabalho da cooperativa, ser colocada no mercado. “Nós agregamos valor para repassar pelo preço justo ao produtor”, afirmou.

Os produtos da Coorimbatá já têm boa aceitação no mercado da região mas a meta é formar parcerias com outros estados, como o Rio de Janeiro.

O consultor destacou a importância da participação da cooperativa na sexta edição da feira, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

“Esse espaço está sendo colocado para a gente tentar fazer esse intercâmbio e estabelecer distribuidores para os nossos produtos”.
A Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária se estende até o próximo dia 12, na Marina da Glória.

(Agência Brasil / www.e-campo.com.br)

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Cachaça orgânica de Pernambuco é destaque na Feira Nacional da Agricultura Familiar

A cachaça orgânica Sanhaçu, de Pernambuco, é um dos produtos da agricultura familiar nordestina em destaque na 6ª Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária. Promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, a feira foi aberta hoje (7) na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, e se estenderá até a próxima segunda-feira (12).

O gerente comercial da Sanhaçu, Elk Barreto, disse que sua família trabalha há quase 17 anos com agricultura familiar em um sítio de 2,5 hectares no interior pernambucano.

“Meus pais são precursores da agricultura orgânica. São fundadores da primeira feira orgânica de Pernambuco, que existe há cerca de 12 anos. Aí, pensamos em investir em alguma coisa mais concreta do que somente a agricultura. Quebramos os cofrinhos da família e resolvemos investir em cachaça”, contou Elk. Para a família, que já trabalhava há muito tempo com produtos orgânicos, não teria sentido investir em uma cachaça que não fosse orgânica, acrescentou.

Como o sítio foi totalmente reflorestado, a família optou por não plantar cana no local. Arrendou um terreno vizinho e convidou famílias acostumados com esse tipo de lavoura a plantar para ela. Esses vizinhos foram orientados a plantar a cana-de-açúcar de forma correta, sem agrotóxicos. Por isso, eles recebem mais do que o que é pago normalmente no estado. Enquanto nas usinas, hoje, a tonelada de cana está valendo R$ 35, a família Barreto paga R$ 50 a tonelada, informou Elk.

“Junto com o Serviço de Tecnologia Alternativo (Serta) e a Certivida, que é a nossa certificadora de orgânicos, damos suporte a essas famílias para que plantem a cana de forma correta. Aí, pagamos mais caro pela cana deles porque a limpa da cana orgânica é mais trabalhosa, feita na mão.”

Elk destacou que, além disso, não há aditivos químicos, o que torna mais trabalhoso o combater às pragas. “Então, a gente tem que gratificar o trabalhador por isso.”

Com o reflorestamento, muitos animais, como a lebre do mato, a raposa, as cobras coral e cascavel e uma infinidade de pássaros, voltaram a aparecer na região. O nome da cachaça orgânica, que aparece pela primeira vez na 6ª Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, é uma homenagem ao pássaro sanhaçu.

A cachaça orgânica da família Barreto é vendida sobretudo em Pernambuco, embora já tenha mercado aberto em Alagoas, Amazonas e alguma coisa no Rio de Janeiro e em São Paulo. A expectativa, com a feira, é alargar o mercado comprador. A marca Sanhaçu já está registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, visando a uma posterior exportação.

“Foi a primeira coisa que a gente fez. Tudo nosso é bem pensadinho”, disse Elk Barreto.

(Agência Brasil / www.e-campo.com.br)

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Estará chegando o tempo da energia eólica no Brasil?

Um estudo elaborado pela Eletrobrás - cuja íntegra será divulgada só em novembro - pode contribuir decisivamente para impulsionar o uso de energia eólica no Brasil. Sua aplicação sempre foi considerada “cara”, mas o levantamento feito pela estatal prova o contrário: a energia eólica é mais barata que as usinas térmicas a gás e a diesel.

O investimento inicial é alto, mas bastam dez dias para ele começar a ser mais compensador do que o investimento feito em energia térmica. E o estudo ainda demonstra que a geração de energia eólica precisa de dois meses para ficar mais barata do que aquela gerada por outras fontes. Será que esta constatação feita pela própria Eletrobrás vai finalmente incentivar a elaboração de um plano de longo prazo para utilização em larga escala da energia eólica?

Atualmente, ela representa menos de 1% da matriz energética nacional, com potência instalada de 547 megawatts/ano. As usinas localizam-se principalmente no Nordeste e no Sul do país, locais onde o regime de ventos é mais propício a este tipo de atividade. Até o final de 2010, estima-se que o potencial instalado chegue a 1300 megawatts/ano. A capacidade instalada no Brasil hoje é de pouco mais de 100 mil megawatts e vai chegar a 130 mil megawatts em 2013.

A hidreletricidade representa, hoje, 80% da matriz energética. Os restantes 20% estão divididos entre usinas térmicas a carvão, diesel e gás, (12%), pequenas centrais e fontes alternativas (8%). Antes da divulgação deste estudo, previa-se para 2013, o crescimento das térmicas tradicionais de 12 para 21% na participação da matriz; e de 4,5% das pequenas centrais - cuja geração virá da biomassa. As hidrelétricas tradicionais deverão recuar sua participação para 69% e a energia eólica deverá manter seu percentual de participação em torno de 1%.

Estes dados são preocupantes porque mostra uma tendência de “sujar” a matriz energética, justamente num momento em que é preciso investir alto em fontes que nos levem a uma economia de baixo carbono. Se as usinas têm baixo custo de instalação, sua manutenção é cara e tende a se tornar cada vez mais cara, porque será preciso controlar as emissões de poluentes. Por sua vez, como mostra o estudo da Eletrobrás, a energia eólica é uma alternativa competitiva e que, até o momento, não está sendo considerada com o devido cuidado. Se todo o potencial eólico brasileiro fosse convertido em energia, teríamos a geração de 272 terawatts/hora por ano (1 terawatt = 1 trilhão de watts), ou a metade do nosso consumo anual. E mais: nossos períodos de seca, quando os reservatórios estão baixos, coincidem com as épocas nas quais os melhores ventos sopram por aqui. Assim, se tivéssemos usinas eólicas instaladas à força plena, poderíamos usá-las, em vez de queimar combustível e sujar o meio ambiente com as térmicas (a opção disponível para estas ocasiões).

Este estudo da Eletrobrás apontou outra dificuldade, além do custo, para a aplicação em larga escala da energia eólica no país: a falta de cultura sobre o tema. A sociedade não se preocupa com as questões vinculadas à energia - a não ser quando precisa economizar - e, no caso específico da eólica, os engenheiros, pesquisadores e outros especialistas sobre o tema acabam deixando o país para trabalhar em outros lugares. Assim, um programa não avança porque a tecnologia é cara. A tecnologia é cara porque não há incentivo à pesquisa. Sem pesquisa, não há pesquisadores e vamos queimando diesel em arcaicas usinas térmicas (de fato, qualquer máquina a combustível fóssil será também fóssil em breve!).

Não é de uma hora para outra que vamos prescindir das termelétricas. Mas é preciso planejar a obsolescência delas ao mesmo tempo em que se instalam as novas usinas eólicas. Esta mudança implica levantamento minucioso de custos e também uma “licença social” para ocorrer, já que será preciso descontinuar cadeias produtivas antigas em favor de outras voltadas para a energia alternativa. Como fazer isso de maneira sustentável e democrática, levando em conta os interesses de todas as partes envolvidas?

Peter Senge, chefe do Centro de Aprendizagem do MIT, nos EUA, e autor de “A Quinta Disciplina”, lançou recentemente um livro para tratar justamente de como empresas, governos e sociedade civil podem estimular a busca por tecnologias que não agridam o meio ambiente. “A Revolução Necessária” - este é o nome do livro - prega que as soluções precisam ser construídas com trabalho conjunto em todos os níveis, em equipes que reúnam indústrias, comunidades e cadeias de abastecimento globais, para que realmente funcionem a favor da sustentabilidade. Senge cita o exemplo do governo estadunidense que estabeleceu por decreto a utilização do milho para fabricar etanol, como forma de diminuir a dependência do país em relação ao petróleo. A decisão acarretou um forte impacto na agricultura e nos negócios agrícolas em todo o mundo. “Não seria mais indicado firmar parcerias com empresas e universidades para buscar uma alternativa realmente sustentável?”, pergunta Senge.

Na questão do uso da energia eólica, e em outros que envolvem o desenvolvimento sustentável, o dilema da transição é o mesmo descrito por Senge: estabelecer parcerias que trabalhem para criar o mundo novo de que tanto necessitamos.

* Ricardo Young é presidente do Instituto Ethos.

(Envolverde/ECO 21)

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Marinha e Exército abrem portas para pequena empresa

RIO DE JANEIRO - Como se transformar em fornecedor das Forças Armadas? Donos de empresas de vestuário, calçados e alimentos conheceram o caminho das pedras na manhã da terça-feira (6), nos painéis de oportunidade do segundo dia do Fomenta – II Encontro Nacional de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas nas Compras Governamentais.

No painel sobre ‘Compras públicas de alimentos e bebidas, panificação e produtos agrícolas e orgânicos’, apresentado pela capitã do Exército Márcia, os empresários aprenderam que as micro e pequenas empresas do setor têm alguns benefícios, pois além de medicamentos, os alimentos são os únicos itens comprados de forma descentralizada pelas Forças Armadas. “Todas as compras são feitas em bloco, nas 12 regiões militares que existem no Brasil. Já os medicamentos e alimentos são comprados localmente e separados. Por isso, minha sugestão é que cada empresa procure a sua região militar para buscar as oportunidades”, informou a capitã.

Ainda de acordo com a capitã, a agricultura familiar tem dispensa de licitação e o Exército paga 30% a mais pelo produto orgânico, como incentivo. “Do Fundo Nacional do Desenvolvimento Escolar, 30% das compras são para beneficiar a agricultura local”, revelou.

Potencial em todo o Brasil

O major Francisco Airton Gomes do Comando Logístico (Colog) e o comandante da Marinha Marcos Lucio explicaram como os empresários devem proceder nas compras públicas de vestuário e calçados. O major Airton informou que o Colog funciona em Brasília e cuida dos suprimentos e transporte do Exército. “O potencial anual de compras de todos os setores do exército brasileiro é considerável: R$ 1,2 bilhão. Temos 600 unidades em todo o Brasil, com um efetivo militar de 200 mil homens ao ano. Vender uniformes para o Exército é um nicho importante para as micro e pequenas empresas”, informou.

E as oportunidades são inesgotáveis. Somente nos uniformes de fardamento e passeio, os produtos vão desde coturnos dos mais diversos tipos, sapatos, tênis, sandálias e botinas, boinas, gorros e chapéus, sungas, calção de educação física, camisetas, cintos, ponchos e mochilas até roupas de cama, suporte para diferentes equipamentos (marmita, curativo, carregador de fuzil, entre outros, que vão acoplados ao cinto de combate). “Vender para o Exército não é difícil. Os empresários podem nos procurar, expor seus produtos porque estamos interessados em comprar. Basta cumprir o que está determinado na lei de licitações, que ganha quem tiver o menor preço”, ressaltou.

O Colog ainda não faz editais específicos para as micro e pequenas empresas, mas permite que empresas do segmento participem dos editais. “Há interesse em inserir ainda mais essas empresas no cadastro de fornecedores. A única ressalva é que as empresas devem obrigatoriamente estar no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf) e no Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (SIASG). Ainda há a possibilidade do fornecedor buscar uma certificação prévia, enviando amostras de material para que façamos testes em laboratório ou em campo. Não é impeditivo vender uniformes sem o certificado, mas tê-lo é uma vantagem em relação aos que não têm”, avisou.

O major informou que o método de aquisição são as licitações e que 95% delas são via pregão eletrônico. “Também há compras diretas, em casos excepcionais”, complementa. E os produtos fornecidos pelas micro e pequenas empresas brasileiras podem viajar pelo mundo. “O Exército Brasileiro está no Sistema OTAN de Defesa, ou seja, um suprimento nosso pode vir a ser utilizado por militares de países do Atlântico Norte”, revelou.

Relações mais estreitas

Já o comandante Lucio, do Centro de Obtenção da Marinha do Rio de Janeiro (Comrj), um órgão de obtenção do Sistema de Abastecimento da Marinha no País, explicou que, ao contrário do Exército, as compras não são centralizadas em Brasília. Ele disse que, apesar do rigor da Marinha, cada vez mais, as relações com os fornecedores estão se estreitando. “Como nem todos eles fornecem com exclusividade para a Marinha, os prazos médios de fornecimento por gerência foram dilatados de 90 a 120 dias. Isso foi uma conquista deles, para, caso tenham na linha de produção outro pedido, não atrasar a entrega da Marinha”.

O diálogo com os fornecedores está tão afinado, segundo o comandante, que determinadas exigências dificilmente encontradas no mercado podem ser substituidas. “Um exemplo foram panos de prato que, de acordo com a licitação, deveriam, por exigência, ter uma determinada medida. Acompanhei um dos fornecedores em diversas lojas, e foi comprovado que ela não existia. Por isso, alteramos as especificações, colocando uma metragem mínima e uma máxima. É um contra senso, um ‘tiro no pé’ sermos tão exigentes a ponto de querermos algo que não encontramos no mercado. No entanto, as especificações dão igualdade de competição”, avaliou.

Não foi a única vez que o comandante saiu de sua base para ir a campo fazer verificações. “Nosso objetivo é identificar potenciais bons e novos fornecedores. Vamos in loco para checar, até mesmo antes da compra, se o candidato a fornecedor é especulador, está de má fé ou é atravessados para tirá-los do processo. Já visitei, pessoalmente, diversas empresas dentro e fora do estado para verificar se são idôneos”, revelou.

O cuidado com os micro e pequenos fornecedores é grande. “Temos uma preocupação diária em tentar reduzir todos os prazos de pagamento, principalmente para as pequenas empresas, pois elas não têm lastro e precisam girar o capital. Tentamos aprimorar o processo para ajudá-las. O que nos interessa é recebermos os produtos como solicitamos. A intenção é firmarmos parcerias ‘ganha-ganha’, com os dois lados satisfeitos: os fornecedores e a Marinha. A parceria é o caminho mais seguro para o sucesso.” O comandante deu um conselho a quem ainda não acessa a internet: “Cada vez mais os pregões são realizados eletronicamente. As oportunidades se multiplicam para quem busca a internet. Os interessados devem entrar no site www.comrj.mar.mil.br, no link licitações e ver as oportunidades não só locais, mas de todo o Brasil”, ressaltou.

Os conselhos não pararam por aí. Ele ainda esclareceu que o tamanho das Forças Armadas não deve assustar. “Apesar de muito exigentes, elas abrem as portas para os fornecedores, pois quem vende para as Forças Armadas têm credibilidade quando apresenta a lista de compradores em outros processos”.

O comandante lembrou que há uma série de itens que são iguais nas três Forças Armadas, mas que são adquiridos individualmente. “Como a palavra de ordem é a interoperabilidade, é muito provável que no futuro as compras sejam unificadas. A tendência é padronizar tudo, mantendo as especificações, pois, há dez anos, foi criado o Ministério da Defesa, que comanda as três Forças”. O exército é a maior força armada. Mas as compras são feitas para manter o estoque. Ou seja, não necessariamente, os pedidos são de centenas de milhares de peças. Podem, ainda, ser feitos para apenas uma unidade.

Segundo o diretor do Comrj, comandante Coelho, que esteve presente no painel, é a quarta vez que a Marinha participa de um evento de compras governamentais. “A intenção é ter cada vez mais as pequenas empresas como fornecedoras, por isso é importante que elas participem das licitações mesmo quando não têm a capacidade produtiva. Ganhará a que tiver menor preço para atender à sua capacidade produtiva. E o restante da compra será segmentado por outras empresas que tenham os menores preços seguintes, até ser atingida a quantidade desejada. Só gostaria de deixar claro que o importante é informar à Marinha antes da licitação”.

Todos os conselhos dados pelo major são bem conhecidos pelos irmãos Helio e Marcio Oliveira, donos da Gabrielle Moresi Confecções Ltda. Eles prestam o serviço de ajustes dos uniformes da Marinha há quatro anos e já participaram de aproximadamente 60 processos licitatórios. “A expectativa é fazer contato com outros órgãos. O Exército foi uma das principais razões de termos vindo ao Fomenta. Se não fosse o evento, teríamos de ir a Brasília para buscar as informações que conseguimos aqui”, revelou Marcio. O irmão também afirmou que fornecer para a Petrobras e os Correios fazem parte dos planos da empresa. A expectativa da dupla é aumentar em 30% o volume de vendas da empresa.

(DCI)

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Cassel destaca a importância e a diversidade da agricultura familiar

“Só chegamos aqui porque temos crédito do Pronaf, assistência técnica, seguro, comercialização, Territórios da Cidadania, Mais Alimentos”. Foi o que destacou o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel, na tarde desta quarta-feira (7), na abertura do Brasil Rural Contemporâneo – VI Feira da Agricultura Familiar e da Reforma Agrária, que vai até segunda-feira (12), no Rio de Janeiro.

Para Cassel, a agricultura familiar vem crescendo e se desenvolvendo na medida em que as políticas públicas também crescem e se desenvolvem. “A feira cresce junto com a agricultura familiar”, disse.

O ministro informou que este ano são mais de 650 expositores, que trouxeram mais 10 mil produtos de todas as regiões do País, e que demonstram a diversidade da agricultura familiar e a intensificação do trabalho do governo para esta agricultura.

Com o governador do Rio, Sérgio Cabral, o ministro assinou acordo de cooperação para repasse de R$ 6 milhões para o estado para a prestação de assistência técnica e extensão rural a agricultores familiares.

(MDA)

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Tecnologias e novidades em hortaliças no Semiárido Show

Novas cultivares e tecnologias estão entras as novidades que a Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) apresenta no Semiárido Show a partir de segunda-feira (5) no Escritório de Negócios da Embrapa Transferência de Tecnologia, em Petrolina-PE.

O evento, destinado a agricultores familiares, é realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Banco do Nordeste.

Entre as novidades está o pepino ‘Curumim’(foto), o primeiro híbrido do tipo “cornichon” desenvolvido no Brasil. Esse tipo de material é utilizado na produção de conservas, um segmento representa 40% do mercado de sementes de pepino, que movimenta cerca de R$ 2 milhões, hoje sob o domínio de materiais importados.

Os frutos da nova cultivar medem cerca de 4,0 a 5,5 cm de comprimento e têm coloração uniforme, o que garante boa apresentação quando envasados para conserva. Para os produtores, a vantagem encontra-se no seu potencial de produção, que é de 8 a 12 toneladas por hectare, com 26 frutos por planta, em média. E os consumidores ganham pelas qualidades de sabor e crocância do pepino. De acordo com o pesquisador José Flávio Lopes, o ‘Curumim’ foi avaliado Unidades de Avaliação e Validação nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
sempre com excelentes resultados.

Outra cultivar exibida durante o evento é a ‘Mari’, uma cultivar de pimenta do tipo dedo-de-moça, que destaca-se pela qualidade e pela uniformidade dos frutos. O nome do novo material veio do tupi-guarani e quer dizer “que machuca”. Isso porque a nova cultivar apresenta maior teor de capsaicina – a substância que confere o ardor nas pimentas -, em comparação com outras pimentas do mesmo tipo.

Segundo o pesquisador Francisco J. B. Reifschneider, ela é quase tão ardida quanto as pimentas malaguetas. O pesquisador explica que a nova cultivar pode ser utilizada na produção de conservas e de pimenta calabresa (pimenta seca em flocos), por isso, atende alguns setores do mercado, como o de embutidos. Além disso, a ‘Mari’ também se destaca pela alta produtividade e qualidade de fruto, além de apresentar resistência extrema ao Pepper /Yellow Mosaic Virus /(PepYMV) e resistência intermediária à/ Xanthomonas campestris pv/. vesicatoria e ao Oídio (/Oidiopsis taurica/).

Quem visitar o estande da Embrapa Hortaliças no Semiárido Show também vai conhecer a farinha de batata-doce alaranjada, uma nova opção de consumo dessa hortaliça. O produto é parte do projeto que visa levar novos materiais de batata-doce rica em carotenóides aos produtores brasileiros e estimular o consumo desses alimentos. Os carotenóides são um tipo de pigmento amarelo alaranjado, presente em alimentos como a cenoura e a abóbora, que são convertidos pelo nosso organismo em vitamina A. A Embrapa Hortaliças vai exibir novas variedades de batata-doce selecionadas dentre materiais enviados ao Brasil pelo Centro Mundial da Batata (CIP), localizado no Peru.

Marcos Esteves - (4505/14/45v/DF)

(Embrapa Hortaliças)

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Frigoríficos se comprometem com desmatamento zero

Ivy Farias, da Agência Brasil

A organização não-governamental Greenpeace assinou hoje (5/10) com os frigoríficos Marfrig, Bertin, JBS-Friboi e Minerva, os maiores do país, um compromisso para que estas empresas não comprem mais carne de produtores que contribuem com o desmatamento da floresta. Segundo a entidade, 80% das áreas desmatadas na Amazônia são ocupadas pela pecuária.

Para o diretor da campanha do Greenpeace, Paulo Adário, este é um passo fundamental no combate ao desmatamento. “É incrível que o principal setor responsável pelo desmatamento esteja comprometido com a integridade da floresta”, afirmou.

Segundo ele, o compromisso inclui uma agenda com seis pontos, como o monitoramento do desmatamento na cadeia produtiva e cadastro de todas as fazendas produtoras. “O prazo depende do tipo de fornecedor. Para o boi de corte, os frigoríficos têm seis meses para identificar todas as fazendas. Já para os criadores de bezerros, por exemplo, são dois anos”, completou.

O compromisso firmado pelas empresas também se refletirá na política externa brasileira. De acordo com Adário, o Brasil participa de uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) em Copenhagem em alguns meses para discutir o aquecimento global e “será positivo para a imagem do país mostrar que seus maiores produtores estão comprometidos com o meio ambiente”.

Segundo estudos do Greenpeace, um hectare da floresta é transformado em pasto para gado a cada 18 segundos. Para o diretor do Greenpeace, Marcelo Furtado, em breve o consumidor brasileiro poderá comprar carne tendo certeza que não está contribuindo para o desmatamento. “É segurança para o consumidor, que saberá exatamente que está comprando sem agredir o meio ambiente”.

(Agência Brasil)

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Agricultores indianos em guerra com a Coca-Cola

Em meio à pior seca da Índia em quatro décadas, agrava-se uma disputa pelos recursos hídricos entre os agricultores de Kala Dera, no Estado de Rajastão, e na engarrafadora local da Coca-Cola. Os agricultores e ativistas de Kala Dera que pedem o fechamento da unidade da multinacional afirmam que se não conseguirem fechá-la este ano, tão açoitado pela seca, provavelmente nunca o farão. Kala Dera fica a 40 quilômetros de Jaipur, capital do árido Estado de Rajastão, que tem entre suas principais atrações o deserto de Thar, considerado o sétimo maior do mundo e o terceiro da Ásia.

A reportagem é de Ranjit Devraj, da IPS, e publicada pela Agência Envolverde, 07-10-2009.

“As pessoas que administram a fábrica da Coca-Cola são muito influentes e contam com o apoio de políticos do governante Partido do Congresso e do opositor Partido Bharatiya Janada”, disse o ativista e agricultor Rameshwar Prasad Kudi à IPS por telefone desde Kala Dera. “Mas nós temos o povo do nosso lado e continuaremos pressionando para que a fábrica seja fechada”, acrescentou. Kudi, integrante da organização local Kala Dera Sangharsh Samiti, disse que foram violadas várias regras e normas quando da autorização para instalar uma engarrafadora de bebidas em uma área com tradicional escassez de água. E o “obsceno” da coisa é que continua funcionando como de costume em meio a uma severa seca.

Estimativas divulgadas no final de setembro pelo Departamento Meteorológico Indiano, as secas deste ano podem ser piores do que as de 1972, devido à fraca temporada de vento das monções, que entre junho e setembro proporcionam chuvas vitais para 60% da agricultura do país. O Departamento prevê que a região noroeste seja a mais prejudicada pela seca. As escassas chuvas de monções no começo da temporada já afetaram a produção anual de arroz e outros importantes cultivos comerciais, com cana-de-açúcar e amendoim. A água está esgotada nas principais reservas do país, ameaçando a irrigação necessária para manter os cultivos de inverno.

Os especialistas culpam a mudança climática pela falta de água. Inundações graves, secas e tempestades são outros males causados por este fenômeno ambiental no mundo. Kudi disse que os depósitos hídricos esgotados de Kala Dera fazem com que ele e outros produtores não possam retirar água para salvar suas culturas de inverno. Também acusou a Coca-Cola de reduzir ainda mais a água subterrânea com operações de extração que a empresa desmente.

“Usamos menos de 1% da água disponível em Kala Dera, e continuamente buscamos reduzir e reciclar a água usada para nossas atividades de engarrafamento”, disse Kamlesh Sharma, gerente de Relações Públicas e Comunicações da Coca-Cola. Segundo Sharma, a empresa realiza ações para recarregar os lençóis freáticos com recarga hídrica dentro e fora de suas 56 fábricas indianas. “Em Kala Dera criamos o potencial de recarregar o solo com 15 vezes mais água do que usamos em nossa fabrica. Inclusive, com menos chuva do que o normal, estas estruturas podem recarregar muito mais água do que a retirada para o engarrafamento”, afirmou.

Perguntado o motivo de a empresa ter escolhido instalar-se em uma área conhecida pelas secas, Sharma respondeu que a companhia apenas atendia a um plano do governo para transformar Kala Dera, uma esquecida área rural que dependia unicamente da agricultura, em um moderno centro industrial. “Cremos que podemos contribuir positivamente com a água em Kala Dara”, afirmou Sharma, citando dados do governo de Rajastão segundo os quais a queda natural da camada de água nos últimos 10 anos foi menor em Kala Dara (1,83 metro) do que nas áreas vizinhas (2,39 na aldeia de Chomu, 2,28m em Jaipur e 2,43m em Tigariya).

A Coca-Cola afirma que isto é resultado da “administração hídrica” por parte de uma companhia responsável com a perícia no assunto. Para Sharma, é completamente injusto culpar a empresa pela escassez hídrica em Kala Dera, quando a agricultura é a atividade que mais consome água. “Os esforços de conservação devem incluir passos para que os agricultores usem a água de modo eficiente. O que se necessita é uma completa mudança de mentalidade, que não desperdice água com a irrigação tradicional e que aceitem métodos agrícolas como a irrigação por gotejamento”, afirmou.

A Coca-Cola está preparada para ajudar os produtores a fazer essa transição. “No ano passado entramos em uma associação público-privada com a agência governamental Krishi Vigyan Kendra (um serviço de extensão agrícola), para dar assistência aos produtores e implementar projetos de irrigação em Kala Dera”, disse Sharma. “Até agora implementamos 27 projetos de irrigação por gotejamento e planejamos instalar mais 200 nos próximos meses”, acrescentou. O método de gotejamento permite que a água vá diretamente para as raízes, o que minimiza a quantidade de liquido e também de fertilizante.

Porém, os agricultores têm uma postura diferente. Mahesh Yogi, por exemplo, disse à IPS que apesar de a Coca-Cola subsidiar a irrigação por gotejamento o programa é caro e insustentável, devido aos equipamentos que exige, os quais, por sua vez, necessitam de manutenção. “Em Kala Dera há 25 mil agricultores, e simplesmente não é possível cobrir uma quantidade significativa em um breve período. O que faremos nesse ínterim? E quem se preocupará com a futura manutenção?”, perguntou. Yogi acredita que os beneficiários da irrigação por gotejamento foram um punhado de pessoas endinheiradas e influentes que apóiam as atividades da Coca-Cola.

Entretanto, a situação hídrica ficou tão ruim este ano que mesmo as indústrias locais, particularmente as reunidas na Associação da Área Industrial de Kala Dara, uniram-se à campanha contra a Coca-Cola. As reclamações de Kudi e Yogi estão apoiadas pelo informe de um estudo do prestigioso Instituto de Pesquisas Ambientais de Nova Déli, divulgado no ano passado. Essa pesquisa mostra que as operações da Coca-Cola em Kara Dera “continuarão entre as que contribuem para uma pior situação hídrica e são fonte de tensão para as comunidades aldeãs”.

As recomendações do Instituto propõem que a multinacional mude sua fábrica para uma área onde haja água em abundancia ou transporte água até a engarrafadora desde um aquífero, em lugar de recorrer à extração local. O informe foi incentivado por uma campanha internacional liderada por estudantes dos Estados Unidos, do Canadá e da Grã-Bretanha, que incluiu 20 faculdades e universidades, exigindo o fim dos produtos da multinacional em seus campi, por contribuírem para a escassez hídrica e contaminar as áreas onde opera na Índia.

Curiosamente, ativistas contra a Coca-Cola inicialmente se opuseram a escolher o Instituto de Pesquisas Ambientais como “avaliador independente”, porque no passado havia trabalhado com essa companhia e inclusive a apontara como uma das empresas mais responsáveis da Índia em 2001.

(IHU on line)

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