EUA é ameaça a acordo climático

enrique Andrade Camargo, do Mercado Ético

As negociações climáticas em Bancoc estão cada vez piores. No começo da semana, 131 países em desenvolvimento manifestaram insatisfação com os países ricos. A acusação era de que as nações mais desenvolvidas estavam tentando sabotar o Protocolo de Kyoto.

O encontro desta quarta-feira (7/10) mostra que o ataque tem sentido. Os Estados Unidos, um dos grandes vilões relacionados ao aquecimento global, mostraram-se mais uma vez contra o acordo que deveria ser a base das negociações em dezembro, na cidade de Copenhague. Além disso, o país também quer atrair outras nações desenvolvidas para estabelecer um novo documento que, ao contrário daquele assinado em Kyoto, forçaria todas as nações a reduzirem suas emissões.

A princípio, o apelo funcionou. A União Européia alinhou-se parcialmente aos EUA, mas defendeu que os melhores elementos do Protocolo de Kyoto sejam mantidos.

Tais revelações não agradaram nada a China e a turma dos países em desenvolvimento. Eles não abrem mão do que foi estabelecido em Kyoto e afirmam que o protocolo é o único compromisso legal de redução de emissões. Isso, para esse grupo, é inegociável.

Justificativas

O representante norte-americano para o clima, Jonathan Pershing, defendeu seu país, dizendo que os EUA já fizeram bastante progresso.

Tendo em vista que até o ano passado não havia compromisso nenhum por parte daquele país, o que ele fala tem fundamento.

Mas o que mais desagradou foi a afirmação de que os Estados Unidos não aceitarão o Protocolo de Kyoto. Seus representantes pedem um acordo completamente novo, cuja adesão seja de todos os países. Pershing justifica que o mundo mudou muito em 20 anos (apesar de ter sido assinado apenas em 1997, as negociações do protocolo começaram em 1988, no Canadá, durante a realização da Conferência de Mudanças Atmosféricas) e que, portanto, as necessidades do mundo mudaram.

A declaração também tem lá sua dose de sentido. Recentemente, a China tornou-se o maior emissor de CO2 do mundo. Mas quando discute-se acordo climático, o que entra em jogo não são apenas as emissões atuais de gases causadores do efeito estufa, mas, também, as históricas. E nesse quesito os países em desenvolvimento ficam bem atrás dos países ricos.

Essas diferenças, como ressalta uma reportagem do jornal inglês Guardian, são uma ameaça para o sucesso das conversações em Bancoc. Enquanto os EUA querem um acordo no qual os países possam estabelecer suas próprias metas de cortes de emissão, assim como a agenda de implementação dessas ações, a maioria pede que sejam mantidas as bases de Kyoto para assegurar que os países ricos sejam obrigados a agir conforme leis internacionais.

Sem um acordo aparente, alguns diplomatas acreditam que a única forma de se chegar a um consenso com os EUA seria assinar um acordo separado, em que o país cortaria suas emissões em um ritmo semelhante ao dos outros países.

Mas advogados disseram que dificilmente o Protocolo de Kyoto será terminado, já que, para isso, seria preciso um consenso entre todas as partes. Além disso, se nenhum compromisso for estabelecido para os países ricos para depois de 2012, isso seria uma quebra de suas próprias obrigações legais.

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A natureza: mestra da justa medida

“A natureza vista como um todo não impõe prescrições. Aponta para tendências e regularidades que podem ir em várias direções. Cabe ao ser humano, auscultando a natureza e com fina percepção, escolher uma que lhe pareça mais adequada. Então ele surge como um ser responsável e ético”, escreve Leonardo Boff, teólogo. Segundo o teólogo, “o ser humano deve seguir a lógica da natureza: fazer e refazer continuamente o equilíbrio”. Pois, “ajusta medida muda, o que não muda, é a permanente busca da justa medida”.

Eis o artigo.

Por natureza entendemos o conjunto dos seres orgânicos e inorgânicos, os campos energéticos e morfogenéticos que existem como sub-sistemas de outros sistemas maiores, sejam ou não afetados pela intervenção humana, constituindo um todo orgânico, com um equilíbrio dinâmico. O ser humano é parte da natureza e co-pilota o processo de evolução junto com as forças diretivas da Terra.

A natureza é uma realidade tão complexa que não pode ser encerrada em nenhuma definição. Ela permanece um mistério, como mistério é o ser e o nada. O que possuimos são discursos culturais sobre a natureza: das culturas ancestrais, das modernas e das várias ciências. Em nome de cada compreensão, decide-se qual é o nosso lugar nela e que tipo de intervenção é adequada ou não.

Quando contemplamos a natureza salta logo aos olhos uma medida imanente a ela que resulta não das partes tomadas isoladamente, mas do todo orgânico e vivo. Há harmonia e equilíbrio. Ela não é biocentrada como se a vida fosse tudo, mas no equilíbrio dinâmico entre vida e morte.

Para os contemporâneos a natureza resulta de um imenso processo de evolução que vai além do modelo de Charles Darwin (1809-1882) que fundamentalmente a restringia à biosfera sem incluir o cosmos. Tudo começou com o big bang num processo não linear que conhece saltos, flutuações e bifurcações. Não só se expande mas cria e organiza possibilidades novas. Significa que as leis naturais não possuem caráter determinístico mas probabilístico.

Os conhecimentos da termodinânica nos sinalizam que a vida e qualquer novidade no universo surge a partir de certa ruptura do equilíbrio. Essa quebra da medida é só um momento, pois provoca em seguida a auto-organização que cria um novo equilíbrio dinâmico. É dinâmico porque continuamente se refaz, não pela reprodução do equilíbrio anterior, mas pela criação de um novo. A lógica da natureza em evolução é esta: organização-desorganização-interação-nova organização. E assim suscessivamente.

Isso não significa que a natureza não possua uma medida (leis da natureza); o que ela não possui, é uma medida estática e mecânica, mas dinâmica e flutuante, caracterizada por constâncias e variações. Há fases de ruptura para logo em seguida gestar nova regularidade. O clima da Terra por exemplo, bilhões de anos atrás, passou por turbulências e terríveis devastações. A Terra já foi quase duas vezes mais quente que hoje, mas apesar disso, mostrou ao longo das eras um incrível equilíbrio dinâmico que tem favorecido benevolamente a vida em sua diversidade.

A natureza vista como um todo não impõe prescrições. Aponta para tendências e regularidades que podem ir em várias direções. Cabe ao ser humano, auscultando a natureza e com fina percepção, escolher uma que lhe pareça mais adequada. Então ele surge como um ser responsável e ético.

O ser humano deve seguir a lógica da natureza: fazer e refazer continuamente o equilíbrio. Não de uma vez por todas, mas sempre em atenção ao que está ocorrendo no ambiente, na história e nele mesmo. A justa medida muda, o que não muda, é a permanente busca da justa medida.

O ser humano capta essa medida multidimensional na proporção de sua escuta e do dialogo com a natureza. Quanto mais mergulha nela e respeita seus ritmos, mais sente quando deve mudar e quando deve conservar.

Os povos indígenas nos dão disso o melhor exemplo. Por uma afinidade profunda com a natureza, os solos, as nuvens, os ventos e outros eventos naturais sabem, de golpe, o que vai acontecer e o que fazer. A natureza fala com eles e por eles porque ambos formam um todo só.

Investigações recentes mostraram que as pessoas não mudam por causa de informações sobre o aquecimento global mas quando sofrem na pele com a degradação ambiental. Isso comprova que o motor que move as pessoas é menos o inteleto que o sentimento profundo, raiz do novo paradigma de convivência com a Terra. Sem esse sentimento não ouviremos a grande voz da Terra a nos convidar para sinergia, a compaixão, a co-existência pacífica com todos os seres. A partir desse pathos se torna absurdo querer subordinar o novo conhecimento genético à obtenção de lucros, como se a vida não valesse por si mesma, sem ser reduzida a uma simples mercadoria no balcão de negócios.

Se esta sintonia fina com a natureza em nós e também ao nosso redor não se transformar numa cultura, então estaremos sempre às voltas com a busca da justa medida a ser encontrada e aplicada. Viveremos reconciliados conosco mesmo e com a natureza. Eis um caminho a seguir.

(IHU On-Line)

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Programa de agricultura sustentável pode virar política nacional

Brasília - Agricultura familiar, sem uso de agrotóxicos, integrada com criação de animais e utilização de insumos produzidos na própria propriedade, que preserva a qualidade do solo e as fontes de água e, ainda, garante alimentação saudável e renda para os produtores.

Essa é a tecnologia social denominada PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável), desenvolvida pelo agrônomo senegalês Aly Ndiaye, radicado há mais de dez anos no Brasil, na região de Teresópolis (RJ), onde vive e trabalha com pequenos produtores rurais.

Atualmente ela está testada e implantada em 7 mil unidades no Distrito Federal e em 21 estados. A expansão do PAIS para outras regiões do País foi possível devido ao apoio, desde 2005, do Sebrae em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB), Ministério da Integração Nacional, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), governos estaduais, entre outras instituições.

O comprovado sucesso do PAIS e a possibilidade de transformar essa tecnologia social em política pública nacional, a ser replicada em todas as regiões e biomas brasileiros, com recursos previstos no orçamento da União para 2010, o transformou em tema de audiência pública na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados nesta terça (6).

O deputado Nazareno Fonteles, do Piauí, foi o autor da iniciativa, que objetivou tanto a divulgação dos resultados da tecnologia social para os parlamentares quanto também a inclusão de emendas ao orçamento da União em 2010.

O Sebrae Nacional já investiu cerca de R$ 10 milhões na implementação do PAIS, desde 2005, de acordo com Newman Costa, gestora do Programa PAIS na Instituição. Ela representou a diretoria do Sebrae Nacional na mesa do evento, que contou com a participação do presidente da FBB, Jacques de Oliveira Pena; do prefeito municipal de João Pinheiro, Sérgio Vaz Soares; do secretário adjunto de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Marco Aurélio Moreira; e de do secretário de Ciência e Tecnologia do MCT, Joe Carlo Viana Valle.

Representantes de movimentos e entidades relacionados aos temas agricultura familiar e cultivos sem agrotóxicos lotaram o plenário 8 do anexo II da Câmara dos Deputados, onde se realizou a audiência.

“Este modelo que tem início, meio e fim em módulos vai permitir que 200 mil unidades tenham o mesmo padrão de sustentabilidade socioambiental e de geração de renda”, disse Fonteles. A implantação em escala do PAIS depende da aprovação de mais recursos públicos, que devem ser incluídos e aprovados no orçamento federal para o próximo ano por intermédio das emendas parlamentares, complementou ele.

“Há três anos, quando conhecemos o PAIS por meio do Sebrae, vimos ali uma nova oportunidade de um programa que é estruturante, sustentável do ponto de vista financeiro, e que também se refere à melhor qualidade da alimentação e do aumento de renda para milhares de famílias que vivem no meio rural”, afirmou Moreira, secretário substituto do MDS. Entre 60% a 80% cento das frutas e legumes se perdem no transporte no Brasil. Consumir produtos sem agrotóxicos da região próxima é muito mais saudável para a população em geral, argumentou ele. Os conselhos municipais de segurança alimentar (Consads) estão migrando para consórcios públicos e poderão receber recursos da União, observou.

Com a previsão de recursos no orçamento da União para 2010, o PAIS será transformado em política pública ou programa nacional do governo federal e, assim, será possível aos Consads comprar produtos sem agrotóxicos cultivados pelos dos agricultores familiares praticantes da tecnologia social, significando mais comercialização e renda para eles e suas famílias, argumentou Moreira.

PAIS e merenda escolar
O prefeito de João Pinheiro, município da região noroeste do Estado de Minas Gerais, relatou os benefícios que a tecnologia social trouxe aos agricultores familiares. “É muito importante concretizar a implantação de um programa nacional do PAIS nos demais municípios brasileiros”, ressaltou o prefeito. “Hoje, temos quinze unidades do PAIS em João Pinheiro, nas quais, no mínimo, um ou dois deles estão trabalhando e vendendo o excedente da produção de frutas, verduras e legumes para a região”, complementou.

A questão da alimentação escolar também foi beneficiada pela tecnologia social, ao permitir a oferta de produtos sem agrotóxicos aos alunos das escolas públicas em João Pinheiro. Em decorrência da Lei de Segurança Alimentar, recém-aprovada pela Câmara dos Deputados, 30% dos produtos da merenda escolar devem ser oriundos de pequenos produtores, lembrou Soares.

“Esse é mais um motivo para transformar essa tecnologia social em política pública nacional”, argumentou o prefeito. Além de significar alimentação saudável e renda para as famílias dos pequenos agricultores, o PAIS também gera economia para as prefeituras, segundo ele.

Repercussão internacional
A gestora do PAIS do Sebrae Nacional, Newman Costa, informou na audiência pública que, na semana passada, quatro agrônomos de Moçambique foram capacitados na tecnologia social brasileira, visando sua replicação nesse país. O embaixador do Senegal no Brasil participará de reunião com a diretoria do Sebrae Nacional no próximo dia 20 sobre o mesmo tema. “Ele está empenhado em implantar o PAIS em seu país”, revelou Newman.

“O PAIS não é apenas um projeto que leva tecnologia para agricultores familiares. As pequenas propriedades podem se transformar em pequenos negócios, que produzem alimentos para subsistência, e também para comercializar o excedente da produção, significando renda para as famílias”, explicou Newman.

O Sebrae apóia o planejamento e transforma as pequenas propriedades rurais em produtores de frutas, verduras, legumes, entre outros itens, de forma sustentável para os mercados locais e próximos. “Para o Sebrae, o PAIS visa à sustentabilidade desses agricultores em termos econômicos, sociais e ambientais e, ainda, o caminhar deles com as próprias pernas”, acrescentou a gestora.

Atualmente as famílias das 7 mil unidades praticantes dessa tecnologia social no País faturam mais de um salário mínimo mensal. “Com as emendas parlamentares e inclusão do PAIS no orçamento de 2010, poderemos multiplicar essa tecnologia para milhões de brasileiros”, enfatizou. Outra vantagem: o PAIS é adaptável a diversas regiões e à produção agrícola praticada nelas.

Depois da audiência pública de terça (6), o assunto será encaminhado para discussão e votação pelo plenário da Comissão de Legislação Participativa. Nessa ocasião, sugestões serão adensadas e, em seguida, o tema se transformará em proposição dessa comissão, que enviará à mesa diretora da Câmara dos Deputados para os demais trâmites, até se transformar em emendas dos parlamentares, a serem votadas e agregados ao orçamento da União de 2010.

(Agência Sebrae de Notícias / www.e-campo.com.br)

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O México é o maior produtor de alimentos orgânicos da América Latina

México - Mais saudáveis para a saúde, como o Café, cacau, hortaliças, bananas, limão, entre outros, seriam alguns dos alimentos orgânicos que o México é líder na sua produção.

Devido aos altos custos dos fertilizantes e inseticidas, os agricultores viram-se obrigados a optar por outra alternativa para ajudar o crescimento de seus cultivos, fazendo do México líder na produção orgânica dentro de toda américa latina.

Cabe destacar que, os cultivos orgânicos são enriquecidos mediante a elaboração de compostos com a finalidade de trazer e dar ao solo os nutrientes que ele repassa aos alimentos.

Entre os métodos agrícolas tradicionais utilizados estão, o sistema de terraços e o sistema de barreiras naturais para evitar a erosão dos solos.

Segundo o pesquisador de Projetos de Agricultura Orgânica, William Gamboa, neste momento está ocorrendo a vanguarda da produção orgânica. “os produtos orgânicos não somente tem a ver com o impacto para o melhoramento ambiental, com também para a saúde, ao consumir alimentos sem agroquímicos”, afirmou.

O especialista assegurou que apesar da liderança do México, “tem muitas coisas por fazer, há falta de uma filosofía e cultura sobre a produção orgânica”, disse, acrescentando que não utilizar agroquímicos também limpa o meio ambiente.

Cabe destacar que o México, com 150 mil produtores de alimentos orgânicos e meio milhão de hectáres dedicadas a seu cultivo, é também o primeiro produtor de café orgânico do mundo.Por sua vez, exporta produtos orgânicos para países como Japão, Alemanha, Holanda, Espanha, Argentina e Estados Unidos.

(www.organicsa.net)

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Rede oferece orgânico a preço menor

Grupo organizado por ONG oferece 40 tipos de produtos a consumidores cadastrados.

Piracicaba/SP - Produtos orgânicos com preços ate 60% mais baratos que encontrados na iniciativa privada, podem ser comprados na Rede de produtores e consumidores Responsáveis, grupo organizado pela ONG Instituto Terra Mater.

Os consumidores cadastrados no instituto recebem no início de toda semana, uma lista de produtos disponíveis, e podem efetuar o pedido até o final da mesma semana. Na semana seguinte os agricultores entregam empregam os produtos num ponto próximo a ESALQ (Escola superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

Segundo o diretor de relações institucionais do Terra Mater, André Toshio Villela Iamamoto, um suco de uva encontrado no mercado por cerca de R$ 13,00, pode ser comprado na rede por R$ 8,00.

Além do suco podem ser adquiridos mais de 40 tipos de produtos, dentre eles verduras, legumes, ovos, mel, banana, abacate, cogumelos, brotos, pães, leite, iogurtes e alimentos processados.

A rede recebe entre 25 e 30 pedidos por semana, que são atendidos por nove famílias produtoras da região de Piracicaba e pelo Centro Ecológico Flora Guimarães Guidotti da Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz). Atualmente são comercializados, em média, R$ 600,00 semanais. “O potencial para comercialização varia entre os produtores, mas quase a totalidade deles teria produtividade suficiente para entregar a mesma quantidade de produtos todos os dias”, informou Iamamoto.

Além do preço mais barato por conta da ausência de atravessadores, já que a venda é feita direta do produtor para o consumidor, a compra pela rede tem outros atrativos. O diretor da ONG destaca que o sistema de venda alavanca a agricultura familiar numa região canavieira. Estimula o diálogo entre produtores e consumidores e diminuí o uso de sacolas plásticas e embalagens.

A oportunidade da compra de produtos orgânicos teve dois aspectos positivos para a consultora de vendas, Karen de Jorge, residente no bairro São Judas, a chance de comprar alimentos livres de e agrotóxicos e pesticidas e a comodidade de fazer o pedido com antecedência. “Tenho uma filha pequena, e sei que alimentos como cenoura e tomate tem muito agrotóxico. Assim consigo evitar que ela consuma alguns tipos de porcaria.

O instituto mantém a Rede deste Julho de 2007.

Mais informações sobre o instituto podem ser obtidas pelo site:http://www.terramater.org.br/rede
e-mail: rede@terramater.org.br

(Instituto Terra Mater)

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Estudo da Esalq avalia cultivares de batata para produção orgânica

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, uma pesquisa avaliou cultivares de batata nacionais e estrangeiras para o sistema orgânico de produção. “Na atualidade, é limitado o esforço de pesquisa enfocando fertilização, adaptação de cultivares e manejo de pragas e doenças para sistemas orgânicos de cultivo da batata. Em geral, a produtividade na produção orgânica de batata é menor em comparação à obtida no sistema convencional, devido a cultura estar sujeita à inúmeras pragas, doenças e distúrbios fisiológicos”, revela o agrônomo Fabrício Rossi.

Sob orientação do professor Paulo César Tavares de Melo, do Departamento de Produção Vegetal da Esalq, Rossi concluiu a pesquisa Cultivares para o sistema orgânico de produção de batata. No estudo foi observado o potencial produtivo e qualidade, em condições de campo, sujeitas ao ataque de pragas e doenças. Durante dois anos, o pesquisador conduziu experimentos na Estação Experimental Agroecológica do Pólo Regional do Leste Paulista da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Monte Alegre do Sul, e no Sítio Orgânico Pereiras, em Socorro, ambas no interior de São Paulo.

Foram colocadas em análise 14 cultivares convencionais e mais 4 clones avançados, com intenção de identificar aqueles que apresentassem maior produtividade, além dos níveis de resistência à requeima e à pinta-preta, ambas doenças fúngicas. Rossi reforça que a requeima é a doença mais problemática para a produção orgânica de batata, visto que ela reduz a área foliar e o ciclo vegetativo, comprometendo a produtividade.

ALTO POTENCIAL

Os resultados mostraram que os genótipos apresentam alto potencial produtivo e aptidão para sistemas orgânicos de cultivo nas condições experimentais às quais foram submetidos, com destaque para Apuã, Monte Alegre 172, Itararé e os clones avançados APTA 16.5, APTA 21.54 e Ibituaçú. As cultivares Apuã, Aracy, Catucha, Monte Alegre 172 e o clone Ibituaçú apresentam elevado nível de resistência à requeima. Já com relação à pinta-preta, apresentaram maior resistência os genótipos APTA 16.5, Apuã, Aracy, Aracy Ruiva, Éden e Ibituaçú e Monte Alegre 172.

Outra informação importante aos produtores é que a cultivar Cupido apresentou, em cultivo orgânico, alto potencial de produtividade comercial, maior produção de tubérculos graúdos sob moderada incidência de requeima, destacando-se ainda pelo aspecto visual dos tubérculos.

“Algumas cultivares e clones avançados, obtidos pelo setor público, revelam potencial para ampliar de imediato a sua participação no segmento da bataticultura orgânica”, salienta Rossi. O pesquisador lembra ainda que esses genótipos são considerados “rústicos”, ou seja, menos exigentes em insumos, e exibiram desempenho bastante satisfatório em rendimento comercial e resistência a doenças.

“Convém destacar, no entanto, que a produção de batatas-semente de origem orgânica ainda não existe no Brasil em escala comercial, ou são provenientes do sistema convencional ou são produzidas pelo próprio produtor rural, o que pode ser um entrave técnico para o futuro da bataticultura orgânica”, ressalva o agrônomo.

MAIS INFORMAÇÕES
Agrônomo Fabrício Rossi
Telefone: (19) 3421-1478
E-mail: rossi@mereonet.com.br

(Agência USP de Notícias)

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Adubação orgânica na produção do arroz

Nova Veneza/SC - Na região Sul de Santa Catarina, projeto de pesquisa envolve técnicos e produtores para avaliar o uso da adubação orgânica na cultura do arroz irrigado. A iniciativa busca alternativas para diminuir os custos de produção na atividade por meio do uso de adubos orgânicos, como a cama de aviário, disponível em muitas propriedades rurais.

O agricultor Euclides Carminatti é produtor de arroz na Comunidade São Bonifácio, município de Nova Veneza. Todo ano, ele planta 40 hectares e obtêm uma produtividade de 145 sacas por hectare. Na opinião de Euclides, os resultados são bons, mas o que desanima são os custos de produção, sempre mais altos. “Se a gente puder economizar na compra de adubos, já é um bom negócio”, afirma o produtor.

Euclides faz parte de um grupo de quatro produtores dos municípios de Nova Veneza e Forquilhinha que aceitou o desafio de participar do Projeto de Pesquisa Participativa, conduzido pela Epagri e Projeto Microbacias 2. As propriedades apresentam diferentes realidades quanto à disponibilidade de água, tipo de solo, manejo da plantação e época de colheita do arroz.

O engenheiro agrônomo da Epagri de Forquilhinha, Volnei João Meller informa que o projeto surgiu da necessidade de dados de maior confiabilidade sobre a utilização do adubo orgânico na produção de arroz. “Como o Microbacias 2 disponibilizava recursos para um trabalho de pesquisa, elaboramos um projeto com o objetivo de organizar melhor as informações sobre o uso da cama de aviário na lavoura de arroz, envolvendo os produtores no processo da pesquisa”, complementa o agrônomo.

A busca pelo aumento da produtividade tem causado uma dependência dos agricultores em relação ao uso de adubos químicos. A preocupação dos técnicos é encontrar alternativas que possam suprir as necessidades do solo, utilizando-se para isso recursos disponíveis nas propriedades rurais. O engenheiro agrônomo da Epagri de Nova Veneza, Paulo Roberto da Costa Nunes reforça a importância da auto-suficiência do produtor, já que as reservas de fósforo e de potássio no mundo inteiro estão se esgotando.

Para Paulo, dentro de poucos anos o agricultor vai ter dificuldade para adquirir adubos químicos, enquanto que a oferta de adubo orgânico, como a cama de aviário e o esterco de suínos, é abundante na região. “O uso desses adubos, além de baixar os custos de produção, nos prepara para esse gargalo que certamente teremos logo, logo” assegura.

Joelcy Lanzarini, técnico agrícola da Epagri, em Forquilhinha, explica que nem sempre produtividades mais altas significam maiores lucros para quem produz. Em avaliações feitas junto aos produtores, ele tem observado que muitos estão desperdiçando dinheiro. “Eles têm um sócio que fica com parte de seu trabalho”, diz o técnico, referindo-se ao dinheiro que os produtores deixam no comércio, pela compra de insumos. “É com este enfoque que trabalhamos fortemente, fazendo um mapeamento da fertilidade do solo e controle desta fertilidade da maneira mais econômica possível, como é o caso da adubação orgânica. Assim, certamente, o produtor vai ter um rendimento melhor ao final da safra”, conclui o técnico.

Para mais informações, entre em contato com os Escritórios Municipais da Epagri de Forquilhinha (48) 3463 4112 e de Nova Veneza (48) 3436 1039.

(Epagri / www.e-campo.com.br)

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Anvisa apreende 1 milhão de quilos de agrotóxicos na Syngenta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou cerca de 1 milhão de quilos de agrotóxicos com irregularidades e adulterações, na fábrica da empresa Syngenta, de origem suíça, em Paulínia (SP). Os problemas foram encontrados após fiscalização da Agência, realizada na última semana.

Após três dias nas instalações da maior empresa em vendas de agrotóxicos no Brasil e no mundo no ano de 2008, a equipe da Anvisa encontrou várias irregularidades na importação, produção e comércio de produtos agrotóxicos. A ação contou com apoio da Polícia Federal.

Do total de produtos interditados, 600 mil kg correspondiam a agrotóxicos e componentes com datas de fabricação e de validade adulteradas. Esses produtos não poderão ser utilizados ou comercializados até que se restituam as datas verdadeiras de produção e de validade.

A empresa também foi autuada por destruição total das etiquetas de identificação de lote, data de fabricação e de validade do agrotóxico Flumetralin Técnico Syngenta, igualmente interditado. Vários lotes do mesmo produto também foram interditados por apresentarem certificado de controle de impurezas sem assinatura, data da sua realização ou com data de realização anterior à produção do lote analisado.

O controle de impurezas toxicologicamente relevante no Flumetralin Técnico é obrigatório uma vez que tais impurezas são reconhecidamente carcinogênicas e capazes de provocar desregulação hormonal. Também foram interditados todos os lotes do produto PrimePlus, formulados com os lotes interditados do Flumetralin Técnico.

Outro produto técnico interditado com o certificado de análise insatisfatório (sem assinatura e sem a quantidade real de ingrediente ativo) foi o Score Técnico. Já o agrotóxico Verdadeiro 600 teve as embalagens interditadas por confundir o agricultor quanto ao perigo do produto. Apesar de ser da classe toxicológica mais restritiva, as cores dos rótulos do referido agrotóxico induziam o agricultor a concluir que o produto poderia ser pouco tóxico.

A Syngenta também foi autuada por venda irregular do agrotóxico Acarmate (Cihexatina). A fiscalização da Anvisa identificou que o produto, com venda restrita ao estado de São Paulo, era comercializado para outros estados.

A empresa foi notificada, ainda, a efetuar alterações no sistema informatizado que possui, de modo que seja possível controlar efetivamente, lote a lote, a quantidade dos componentes utilizados nos Produtos Formulados. Dentro de 30 dias, a empresa está sujeita a nova fiscalização para verificação do cumprimento das condições estabelecidas na notificação.

As infrações encontradas podem ser penalizadas com a aplicação de multas de até R$ 1,5 milhão e com o cancelamento dos informes de avaliação toxicológica dos agrotóxicos em que foram identificadas tais irregularidades. Em caso de possibilidade de outras infrações além das administrativas, a Anvisa encaminha representação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF) para possível investigação criminal.

ADULTERAÇÃO

Agrotóxicos são produtos com alto risco para saúde e meio ambiente e, por isso, sofrem restrito controle de três órgãos de governo: Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Alterações na fórmula desses produtos aumentam significativamente as chances do desenvolvimento de diversos agravos à saúde como câncer, toxicidade reprodutiva e desregulação endócrina em trabalhadores rurais e consumidores de produtos contaminados.

Só este ano, a Anvisa já apreendeu, 5,5 milhões de litros de agrotóxicos adulterados. As fiscalizações ocorrem, principalmente, quando são identificados indícios de irregularidades nos produtos acabados.

(Anvisa)

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Feira Brasil Rural Contemporâneo começa dia 07 de Outubro no Rio de Janeiro

O Brasil Rural Contemporâneo é a sexta edição da Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária.

O evento que retorna ao Rio de Janeiro é o maior espaço de exposição e venda de produtos da agricultura familiar na América Latina.

As cinco edições anteriores - quatro em Brasília (DF) e uma no Rio de Janeiro - reuniram 2.350 empreendimentos agroindustriais e artesanais, movimentaram R$ 40 milhões em vendas diretas e Rodadas de Negócios, que promovem negócios diretos entre empreendimentos da agricultura familiar e grupos compradores de redes de supermercados, hotéis e restaurantes.

Nas cinco edições, mais de 600 mil pessoas visitaram os estandes, compraram e saborearam produtos e se divertiram com espetáculos e apresentações culturais.

25 mil metros quadrados de área
O Brasil Rural Contemporâneo ocupa 25 mil metros quadrados na Marina da Glória.

A produção de agricultores familiares e assentados da reforma agrária de todo o País será exposta em cinco ambientes regionais, ocupados por 27 estandes coletivos estaduais de expositores das regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste, Sudeste e Sul.

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Milhões de famintos a mais no futuro

Stephen Leahy, da IPS

Alimentos exorbitantemente caros e milhões de famintos a mais serão parte do obscuro futuro da humanidade se não forem adotadas ações concertadas contra a mudança climática e feitos mais investimentos na agricultura, alertam especialistas do Instituto para a Pesquisa de Políticas alimentares Internacionais (IFPRI). A devastadora seca que a África oriental sofre atualmente, com milhões de pessoas à beira da inanição, é uma prévia de nosso futuro, sugere novo estudo sobre os impactos da mudança climática.
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“Vinte e cinco milhões a mais de crianças estarão desnutridas em 2050 devido aos efeitos da mudança climática”, como redução dos campos de cultivo, falta de colheitas e altos preços dos alimentos, concluiu o IFPRI. “De todas as atividades econômicas humanas, a agricultura é de longe a mais vulnerável à mudança climática”, alertou o coautor do informe, Gerald Nelson, economista do instituto, que tem sede em Washington e dedica-se a temas referentes a pobreza e fome.

As inundações e as secas registradas últimas semanas acrescentam um clima de urgência à 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá entre 7 e 18 de dezembro em Copenhague. O objetivo deste encontro na capital dinamarquesa é chegar a um novo acordo obrigatório de redução de emissões contaminantes que suceda o Protocolo de Kyoto, que vencerá em 2012.

O informe “Quantificando os custos da adaptação agrícola à mudança climática”, do IFPRI, assegura ser “a mais completa avaliação do impacto” do aquecimento global “na agricultura até esta data”, porém, pesquisadores admitem que não há forma de quantificar todas as repercussões que terá a transformação dos padrões climáticos no fornecimento de alimentos. Um elemento-chave na agricultura é saber o melhor momento para semear. Mas, uma das conclusões recentes mais contundentes da ciência é que o aquecimento do planeta produzirá um significativo aumento da variação climática.

Isto significa que extremos como seca ou inundações ocorrerão mais frequentemente ou por mais tempo, e as mudanças radicais de temperatura serão mais prováveis. O passado já não é um guia confiável para os agricultores porque as condições fundamentais da atmosfera mudaram em razão do dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Nelson disse à IPS que o informe do IFPRI é uma “estimativa conservadora” dos potenciais impactos, e não inclui as possíveis pestes e enfermidades; perda de terra cultivável devido à elevação do nível do mar; ou de água, pelo derretimento das geleiras.

O enorme sistema de glaciais do Himalaya, o maciço montanhoso de Hindu Kush e a Meseta Tibetana, é a principal fonte de água para 1,3 bilhão de pessoas na Ásia. Estudos recentes, como informou a IPS, revelam que estes glaciais diminuem mais rápido do que os existentes em qualquer outra parte do planeta e poderão estar completamente derretidos até 2035, segundo a Comissão Internacional sobre Neve e Gelo de Katmandu (Nepal). “Ocorre uma veloz redução das geleiras na região”, disse à IPS Charles Kennel, do Instituto de Soluções para Sustentabilidade, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

Uma situação semelhante agora é evidente na América do sul, onde os enormes glaciais que fornecem água a dezenas de milhões de pessoas, quando não a centena de milhões, estão derretendo. Inclusive, o estudo do IFPRI não contempla a futura expansão dos biocombustíveis e dos cultivos bioenergéticos, que ocuparão algumas terras que hoje são usadas para produzir alimentos. Mesmo sem essas adicionais, e consideráveis, pressões sobre a produção alimentar mundial, o estudo do IFPRI estima que até 2050 os campos de trigo irrigados terão diminuído 30%, e os de arroz 15%.

É normal esperar um aumento dos preços dos alimentos em um prazo de 40 anos, mas, om a mudança climática estes dispararão: os do trigo entre 170% e 194%, do arroz entre 113% e 121%, do milho entre 148% e 153%, segundo o informe do IFPRI. As nações em desenvolvimento serão as mais afetadas pela mudança climática, e sofrerão maior redução de seus cultivos e de sua produção do que as do Norte industrializado, afirma o estudo. Os efeitos negativos da mudança climática são especialmente pronunciados na África subsaariana e Ásia meridional.

“A agricultura é extremamente vulnerável” ao aquecimento global “porque depende do clima”, acrescenta. “Os pequenos produtores nos países em desenvolvimento serão os que mais sofrerão”, disse o diretor da Divisão de Meio Ambiente e Tecnologia da Produção do IFPRI, Mark Rosegrant, coautor do informe. Entretanto, grande parte deste cenário pode ser evitada com uma ação decidida contra a mudança climática e “US$ 7 bilhões ao ano em investimentos adicionais em produtividade agrícola para ajudar os produtores a se adaptarem aos efeitos”, disse Nelson. Esses investimentos devem ser destinados à pesquisa agrícola, melhoria da irrigação e criação de infraestrutura que facilite o acesso dos agricultores pobres aos mercados, acrescentou.

De acordo com diversos especialistas, o financiamento da pesquisa agrícola pública caiu na última década. Atualmente, todo o orçamento do Grupo Consultivo sobre Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR) é inferior a US$ 500 milhões, disse Nelson. Criada em 1971, o CGIAR é uma aliança global de pesquisadores, governos e grupos da sociedade civil que mobiliza cientistas em benefício dos pobres. “No passado, se havia investimentos em pesquisa agrícola, diretamente tinham como resultado um impulso da produtividade”, afirmou Nelson.

São necessários investimentos do governo para proporcionar bens públicos, como sementes melhoradas, irrigação mais eficiente e infraestrutura, afirmou, e alertou para o perigo de buscar soluções mágicas. A agricultura é específica a cada lugar, e “muito mais complicada do que a ciência dos foguetes”, acrescentou. Nelson defende a agricultura tradicional de pequena escala, mesma conclusão a que chegou a Avaliação de Ciência Agrícola e Tecnologia para o Desenvolvimento, apresentada em 2008. “A agricultura tradicional deveria ser apoiada e suas técnicas amplamente compartilhadas quando funciona, não apenas por ser tradicional”, ressaltou.

Mas a fatura da segurança alimentar depende muito mais de sementes e campos. Durante 30 anos, as nações agrícolas industrializadas na Europa e América do Norte inundaram com alimentos altamente subsidiados os países pobres, com efeitos devastadores nos sistemas alimentares locais, disse Michel Pimbert, diretor do programa de agricultura e biodiversidade do Instituto para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, com sede em Londres.

Essas políticas nacionais e internacionais devem ser transformadas a favor da “soberania alimentar”, respeitando os diversos, locais e autônomos sistemas alimentares, disse Pimbert à IPS. O chamado do IFPRI para investimento de US$ 7 bilhões tampouco garante que todos os impactos negativos serão superados, reconheceu Nelson, mas, alertou que se as coisas continuarem como estão “haverá desastrosas consequências para a raça humana”. IPS/Envolverde

(Envolverde/IPS)

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